Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 156

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Ao distribuir seus pontos de atributo, Kaden sentiu imediatamente os efeitos. Sua vontade ficou mais forte e firme, facilitando sua resistência diante da situação estressante em que se encontrava.

Sua percepção também foi aprimorada — agora, ele nem precisava se concentrar muito para perceber o que acontecia a até quinhentos metros ao redor. E agora mesmo, ele captava a chegada de seu querido amigo… bem, pelo menos era assim que Asael se apresentava.

"Amigo, vejo que você acordou. Isso é bem atrevido da sua parte, dormir com tanta tranquilidade assim, levando em conta como são as noites aqui." Asael disse com um sorriso sutil enquanto se aproximava de Kaden, seu corpo agora totalmente recuperado e limpo, vestindo roupas pretas novas, dadas por Kaden.

Kaden olhou para ele com uma expressão vazia. "Você diz isso, mas ficou aqui roncando o tempo todo. Pelo amor de Deus, eu nem consegui dormir direito por causa disso."

"Se fôssemos atacados, eu teria sido o que sobreviveria, não você."

Asael acenou com a mão de forma indiferente. "Lá o que ajuda você a dormir à noite, amigo. Não vou discutir com meu amigo." Então, lentamente, sentou-se na frente de Kaden com um grande sorriso ávido.

Kaden franziu imediatamente a testa. "Por que você está me encarando assim? E tira essa expressão de lado, está nojenta."

Asael, mais uma vez, ignorou suas palavras. "Você tem roupas, poções, tudo. Então… deve ter comida, né? Me dá um pouco, por favor. Faz tempo que não como uma refeição decente. Estou cansado de carne de morto-vivo corrompido." Sua voz carregava repulsa clara ao final da frase.

Porém, Kaden ficou ainda mais enojado. "Como é que você consegue comer uma coisa dessas? Quer dizer… como é que você ainda está vivo comendo essa coisa?"

Ele tinha curiosidade — de verdade.

Pois podia perceber a forte presença de morte no interior dos mortos-vivos e sabia que alimentá-los era perigoso.

Com seu corpo atual, provavelmente poderia comê-los sem sofrer efeito grave, mas como Asael conseguia lidar com isso?

Do que ele tinha percebido, exceto pela rara afinidade com sombra, não havia nada de especial nele.

Essa dúvida fez Asael franzir a testa de nojo, como se estivesse lembrando de algo repulsivo, antes de finalmente suspirar.

"Não me importo em te contar, mas estou meio à beira do desespero…" ele disse com um suspiro exagerado, como se fosse desabar a qualquer momento.

O lábio de Kaden se contorceu, mas mesmo assim, pegou um pedaço de pão e um pouco de água do anel de espaço. Ele não se importava, afinal, além de considerar que tinha comida suficiente para um ano, Asael havia protegido ele durante a transformação.

Era o mínimo que podia fazer.

Asael pegou o pão e começou a comer com pressa, mas, mesmo com fome, a maneira como se alimentava era estranhamente… graciosa. Existia um certo hábito, uma postura quase elegante, em cada movimento.

Nesse instante, Kaden percebeu que Asael era… bastante bonito.

E talvez por causa de como ele agia com ele, Kaden nunca tinha notado antes que cada palavra, cada gesto, carregava uma delicadeza incomum para alguém de origem comum.

'Um nobre… de qual fortaleza?' ele se questionou. Não achava que Asael fosse de Waverith — do contrário, Kaden certamente o conheceria… supondo que sua família também possuísse uma Origem do tipo sombra.

Provavelmente era isso. Afinal, as Origens estavam ligadas às famílias. Raramente alguém adquiria uma Origem fora do que sua linhagem possuía, exceto em casos de variações raras e únicas.

Os pensamentos de Kaden giravam rapidamente, tentando adivinhar a origem de Asael, até serem interrompidos pela voz do homem.

"Isso foi… surpreendentemente bom. Quem diria que um dia eu ficaria satisfeito com pão simples e água?" Asael disse com um sorriso estranho, quase melancólico. Mas balançou a cabeça e voltou sua atenção a Kaden, que o encarava intensamente.

Ele sorriu de forma brincalhona.

"Não me encare assim, amigo. Sou um cara tranquilo, posso até me apaixonar por você," disse com um tom coqueto, quase feminino.

Instantaneamente, um calafrio percorreu a pele de Kaden, que imediatamente colocou distância entre eles, olhando para Asael como se fosse a maior aberração que tinha visto na vida.

"Asael, juro pelos mais sagrados céus, se fizer isso de novo, eu vou te matar loucamente," rosnou com os dentes cerrados, a voz pesada de irritação.

Asael explodiu em risadas.

"Hahahahaha! Meu Deus, Kaden, meu querido amigo, por que tão sério?" ele disse, enxugando uma pequena lágrima — lágrimas de alegria.

Fazia tempo que ele não chorava… e ainda mais tempo desde a última vez que as lágrimas foram de felicidade.

Ele sorriu, dessa vez de forma simples, normal — e, de alguma forma, isso o tornava ainda mais bonito.

Kaden amaldiçoou.

"Hahaha! Você é uma companhia divertida, amigo. Mas, enfim… perguntou como eu sobrevivi aqui comendo aquela carne?" Asael disse, seu tom tornando-se um pouco mais sério.

Kaden assentiu, embora não se aproximasse — permanecia na distância, atento.

Asael fez uma leve risada antes de responder,

"Bom, acho que você não sabe disso… ou talvez não tenha pensado muito nisso. Mas deixa eu te ensinar uma coisa, Kaden, meu amigo."

Ele fez uma pequena pausa, deixando as palavras fixarem-se antes de continuar.

"Neste mundo de Fokay, existe uma regra… um conceito que engloba todos os seres vivos e não vivos. Sabe qual é?" ele perguntou.

Kaden inicialmente não soube responder, mas pensou um pouco.

E, com seu atributo de inteligência em ação, a resposta veio surpreendentemente rápido.

Asael mencionou Fokay, e se há uma coisa que Fokay é famoso — especialmente para alguém nativo de Darklore como ele — era por…

"… evolução?" murmurou Kaden, um pouco incerto.

Asael sorriu. "Exatamente, evolução."

"Nada permanece estático neste mundo. Tudo evolui, e é assim que Fokay funciona. Qualquer coisa que se recuse a evoluir… não vai durar muito."

"E se há algo que os humanos têm mais do que a maioria das outras raças, é a habilidade de se adaptar e evoluir em qualquer ambiente."

De repente, Kaden compreendeu como tinha sobrevivido ali.

"Sim. Eu sobrevivi justamente assim… evoluindo."

"Desde o começo, sabia que não poderia ficar por aqui sem comer algo. Então, precisei achar algo para alimentar minha fome. E, não sei se você percebeu, Kaden, meu amigo, mas aqui só tem mortos-vivos corrompidos… então, consegue adivinhar o que fiz?"

Ele não esperou pela resposta.

"Eu os comi. Era isso ou morrer. Então, fiz tudo que pude para sobreviver. Mas não fui bobo, entenda — no começo, só comia pequenas partes deles, o suficiente para me sustentar. Até aquilo foi um tormento, pois meu corpo rejeitava com violência."

"Comecei a sangrar sangue negro, tive alucinações, pesadelos com minha própria morte várias vezes… minha força também diminuiu bastante."

"Mas adivinha só?"

Ele olhou diretamente para Kaden, cujo olhar agora refletia admiração reverente.

"Bom… eu os comi de novo. Pequenas partes só, de novo. E, com o tempo, — meu corpo — começou a se acostumar. Tornei-me mais ousado, comi mais… e assim por diante, até o dia em que… uma pequena loucura tomou conta de mim… e eu devorei o coração deles, morto mesmo."

Kaden virou-se ao ouvir a última frase, trêmulo, mas o sorriso de Asael só ficou mais largo, carregado de uma loucura oculta.

"E, ah… que deleite foi. Parece que esse foi exatamente o gatilho, porque, depois daquele dia… adquiri uma característica bem interessante. Uma que me ajudou a sobreviver aqui até agora."

Ao terminar de falar, ele fixou seu olhar sombrio e profundo nos olhos vermelhos de sangue de Kaden.

"Então, Kaden, meu amigo… busque a mudança. Procure a transformação. Almeje a evolução. Afinal, tudo que fica parado neste mundo miserável está fadado a ser devorado… como a semente da evolução de outro."

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