
Capítulo 159
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
"Você tem alguma ideia sobre essas inscrições?" Kaden perguntou, enquanto ele e Asael estudavam as estranhas marcas gravadas nas paredes da caverna, procurando por qualquer coisa — literalmente qualquer coisa — que pudesse ajudá-los a conquistar aquela masmorra.
Asael não respondeu de imediato. Ele examinou as marcas com um olhar sério, passando a ponta dos dedos lentamente, deliberadamente, como se sentir as linhas fosse lhe dar uma compreensão maior do seu significado.
Após alguns segundos — quase um minuto inteiro — ele afastou a mão e franziu levemente a testa.
"É estranho. Muito estranho. Parece algo feito por um humano — ou pelo menos, por uma criatura humanóide — mas… Eu nunca vi outra criatura aqui que não estivesse corrompida como eu." Asael disse, inclinando levemente a cabeça.
"E eu estou aqui há muito, muito tempo," acrescentou, com uma expressão perturbada.
Isso significava que alguém como ele… ou como Kaden… tinha passado por aqui antes. Isso, por si só, não era chocante — afinal, essa era uma masmorra, as pessoas entram o tempo todo.
Mas sobreviver aqui tanto tempo…?
O olhar de Asael varreu as paredes novamente. Cada superfície estava coberta por essas linhas, cada marca era uma prova de quanto tempo aquela pessoa havia ficado presa ali.
"Talvez ele estivesse aqui antes de você?" disse Kaden. Era uma hipótese plausível, já que essas linhas pareciam antigas.
Asael assentiu, aceitando a hipótese de Kaden.
"É possível. E se essa pessoa se dispôs a esculpir todas essas linhas para marcar seus dias, certamente deixou algo mais pra trás. E o que quer que seja, pode ser uma pista pra gente." Ele disse, com uma expressão pensativa.
Ele ainda não conseguia acreditar que, depois de todos esses anos naquele inferno, ele nunca tinha encontrado essa caverna. E, no entanto, no dia em que Kaden chegou… lá estava ela.
Pensando nisso, ele virou a cabeça e olhou para Kaden com um leve sorriso nos lábios.
"Você é um homem muito de sorte, Kaden, meu amigo."
Kaden lançou um olhar de puro desprezo. "Ah, claro. Porque ficar preso nessa maldita masmorra com um inimigo no nível Mestre enquanto eu sou só Intermediário… essa é a sua ideia de sorte?"
Asael explodiu numa risada.
"Hahahaha! Quando você coloca assim, talvez não seja tão sortudo, afinal," disse entre risadas.
Kaden lançou um olhar de desprezo para ele antes de ignorá-lo completamente, achando que não valia a pena perder tempo com Asael.
Depois, virou-se e aumentou sua percepção ao máximo, vasculhando a área em busca de qualquer coisa que seu antecessor — possivelmente misterioso — pudesse ter deixado.
Asael fez o mesmo, sua sombra se espalhando por quase toda a caverna enquanto buscava por pistas.
O ar ficou pesado com o silêncio enquanto os dois trabalhavam.
Começaram pelas paredes cobertas de linhas, passando as mãos por cada centímetro, procurando por mecanismos escondidos. Nada. Depois procuraram por runas ou gravações — ainda assim, nada.
Passaram para as outras paredes, repetindo o processo várias vezes. Então, voltaram a atenção para o teto.
Kaden criou uma pequena plataforma de sangue negro, e Asael a elevou com sua manipulação de sombras até Kaden conseguir inspecionar o teto.
E novamente… nada.
Agora ambos franziam a testa, a dúvida começando a se instalar.
"Não… talvez precise de um gatilho. Sangue, mana, algo assim. Vamos tentar," sugeriu Kaden, recusando-se a desistir.
Experimentaram com seu próprio sangue, até mesmo com sangue de mortos-vivos, injetaram mana nas linhas ou nas paredes da caverna…
Nada aconteceu.
Thud.
Kaden e Asael afundaram na água preta até os tornozelos, com as sobrancelhas franzidas.
"Será que nos enganamos? Talvez não haja ninguém aqui. Talvez tenhamos perseguido a ideia errada o tempo todo," murmurou Kaden, tentando descobrir onde seu raciocínio poderia ter falhado.
Mas Asael manteve a calma. Seus olhos sombrios vasculharam toda a caverna com precisão meticulosa, até que algo fez 'clique' em sua mente.
Devagar, ele abaixou o olhar para a água negra aos nossos pés.
"Kaden, meu amigo…" começou, fazendo Kaden olhar para ele.
"…há algum lugar nesta caverna que ainda não procuramos?"
Kaden quase respondeu que não, mas parou por um instante. Seus olhos seguiram os de Asael, e instintivamente, olhou para baixo.
"A água negra?"
"Sim. Ou melhor,… o chão embaixo dela. E talvez seja só minha percepção, mas assim que minhas sombras tocam essa água, seus sentidos se enfraquecem bastante, quase não consigo sentir nada."
Kaden fez uma expressão séria, concordando.
"Eu também. E só percebi isso agora," disse com uma expressão sombria.
Ele tinha acabado de investir cinquenta pontos de atributo em Percepção e ainda assim não tinha percebido quando seus sentidos estavam sendo entorpecidos.
Isso não era normal.
Eles se levantaram ao mesmo tempo, olhos fixos na água negra.
"Se nossos sentidos não conseguem penetrar essa água, então precisamos eliminá-la," afirmou Asael.
"E eu tenho a habilidade perfeita pra isso."
Uma faísca de chama sangrenta com pequenas estrelas azuis surgiu na palma de Kaden.
Asael sorriu levemente. "Você realmente tem habilidades assustadoras, Kaden. Primeiro, a que te permite fundir com objetos. Depois, o controle de sangue. E agora essa chama… até eu acho que ela poderia me apagar completamente se eu tocasse nela… bem, se você fosse forte o suficiente, quero dizer."
"Agora estou curioso sobre sua Origem e seu nível," acrescentou.
Kaden deu de ombros. "Nada de mais, na verdade. Apenas uma Origem de arma lendária. Eu adoraria te apresentar minha adorável espada de sangue, mas primeiro…" ele olhou para baixo.
"Vamos queimar isso."
A faísca de fogo desceu, tocando a água negra e, como óleo encontrando fogo no abraço de um amante, a água explodiu em um tapete de chamas vermelhas, com estrelas azul celeste piscando na sua superfície.
Era hipnotizante, quase lindo. Os dois poderiam ficar ali, contemplando… mas em poucos momentos, as chamas consumiram cada gota de água.
Quando a última brasa se apagou, o chão se revelou.
Era um piso branco impressionante, quase artificial, cheio de runas.
Não uma, mas dezenas — na verdade, centenas — cobrindo o chão, formando uma teia de preto profundo, com um brilho levemente avermelhado. Só de olhar, a pele do dorso se arrepiava de medo.
Asael e Kaden se voltaram um para o outro, ambos sorrindo de forma torta.
"Bem…"
"E agora?"