
Capítulo 147
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
O corpo de Kaden congelou de choque, incapaz de acreditar no que estava acontecendo com ele por um instante.
Foi tão repentino que sua mente lutou para acompanhar—mas aquela confusão não durou muito. Sua vontade entrou em ação, seus olhos se arregalaram ao perceber claramente o perigo.
Mas, quando conseguiu, quase metade do seu corpo já estava envolto em casulos de fios. Alguns segundos depois, ele estava à beira de ficar completamente preso.
Seus instintos entraram em modo de ataque total. Reditha apareceu repentinamente, sua lâmina brilhando com um vermelho intenso e furioso que refletia sua raiva.
Mas antes que pudesse mover-se, fios dispararam à velocidade impossível, prendendo-a firmemente.
Ela foi imobilizada num instante, sua espada tremendo inutilmente dentro do invólucro de casulo.
Kaden cerrando os dentes ao ver aquilo. Sem hesitar, uma onda de sangue explodiu ao seu redor, grudando na sua pele como uma camada viva de armadura carmesim.
Apenas sua cabeça ficou descoberta antes de explodir.
Ele ativou o sangue numa rajada violenta, liberando uma avalanche de explosões que rasgaram toda a floresta escura, uma densa nuvem de fumaça sangrenta se levantando do local da explosão.
Garganta—garganta—
Kaden tossiu sangue, fragmentos de seus órgãos escorrendo pesadamente sobre o solo encharcado de morte.
Seu corpo estava queimado, suas roupas mal resistindo ao corpo, o cheiro de carne queimada tomando conta do ar. Sangue escorria por sua pele—rosto, peito, braços—como se tivesse acabado de tomar banho nele.
Dor atravessava suas veias enquanto ele sentia a tontura tomar conta.
Mas não havia tempo para analisar os danos.
Ele se virou e viu a aranha intacta. Apenas seus fios haviam sido destruídos, e até esses já estavam se reformando numa velocidade absurda.
Kaden amaldiçoou baixinho.
Sem pensar duas vezes, chamou Reditha de volta e começou a correr.
A aranha avançou atrás dele, com suas patas enormes atravessando milhares de metros em passos que pareciam monstruosamente errados. Seus fios brancos chicoteavam em direção a ele, tentando enredá-lo durante a fuga.
Kaden elevou sua percepção ao máximo, weaving e ducking entre os ataques. Seus ferimentos estavam se fechando lentamente com a cura anterior de Reditha, o sangramento parou, mas ele ainda não estava em sua melhor forma.
Sua legs estavam queimadas, cada passo era uma tortura. E, com sua percepção no limite para evitar o ataque constante, a perseguição era um verdadeiro inferno.
'Droga… droga… droga…' Sua mente lançava maldições enquanto saltava sobre um fio varrendo o caminho, só para outro disparar em direção ao seu torso.
Ele balançou Reditha, a lâmina reluziu.
TINK—!
Ferro contra ferro—ou assim parecia. Mas Reditha não era uma espada comum, e no segundo golpe o fio cedeu.
No entanto, o atraso daquele momento lhe custou caro. A aranha estava bem ali.
Kaden firmou a postura e ativou o Eco Carmesim.
Um arco vermelho curvado cortou o ar, atingindo a aranha. Uma de suas oito patas se levantou para bloquear, absorvendo o impacto com apenas uma leve amassadura.
Mal conseguia acreditar nisso.
Reunindo outro pool de sangue, detonou-o entre eles para ganhar distância. Depois, invocou a Chama de Sangue, tentando incendiar a própria essência vital da criatura.
Porém, no instante em que a habilidade entrou em ação, a aranha recuou, evadindo com uma facilidade inquietante—como se percebesse uma ameaça mortal na chama.
Seus fios chicotearam à frente, envolvendo as chamas carmesim com uma precisão estranha, como se quisessem estudá-la.
A pele de Kaden formigou.
'Quão inteligente ela é? Que tipo de animal é esse?'
[1] - A aranha é filhote de uma criatura lendária — Necroveaver. Uma aranha com inteligência assustadora e manipulação de fios além de qualquer outra,] a voz séria de Morte ecoou na mente dele.
Porém, Kaden mal prestou atenção. Continuou correndo, sem rumo, desesperado, ciente de que aquilo não poderia continuar.
Ele precisava encontrar uma saída.
Por enquanto…ele corria.
Empurrou sua manipulação de velocidade ao máximo, fazendo sua resistência despencar ainda mais rápido. Sua silhueta começou a ficar turva, mas os olhos da aranha o acompanhavam sem esforço algum.
Ele investiu mana na cura e na reforça de seu corpo, tornando-o mais resistente, mas isso drenou seu núcleo numa taxa perigosa.
'Uma saída… preciso de uma saída…' Ele cerrando os dentes, desviando de outro fio.
Uma criatura lendária, de nível Mestre…
Deveria ser o dia mais feliz da sua vida.
Ao invés disso, ela não queria matá-lo—queria capturá-lo.
O pensamento deixou um gosto amargo na boca.
Horas se passaram enquanto ele destroçava a floresta, evitando não só a aranha, mas outras bestas aleatórias que saíam das sombras, cada uma dificultando sua fuga.
Às vezes, para evitar a aranha, ele a levava para outros animais ao redor, fazendo com que perdesse velocidade, mas era pouco eficaz.
Tudo estava morto com apenas um golpe de suas patas ou fios terríveis.
Era horrível.
Até agora, seu corpo o traía—músculos recusando comandos, visão turva, suas próprias pernas sussurrando traição na língua do colapso.
A mana em seu Núcleo de Origem quase se esgotara. Seus lábios estavam rachados e secos, suor e sangue escorrendo pelo rosto e corpo, sua respiração ofegante.
Sua visão girava, seus passos perdiam velocidade e estabilidade.
Ele estava desacelerando.
E a aranha estava se aproximando.
Não—corrigindo—já havia o alcançado.
'Ah… ah… droga…'
'Tenho que fugir… não posso ser capturado…'
Captura significava não a morte… e quando não há morte, significa tortura eterna.
E isso não era seu objetivo.
Seu objetivo era morrer, ficar mais forte e não ser capturado para virar objeto decorativo de uma besta qualquer.
Kaden estava frustrado, mas, mais do que tudo…ele tinha raiva, raiva por sua fraqueza repentina.
Estava sendo esmagado de todos os lados. A besta era mais forte, mais rápida e mergulhada na astúcia. Além da própria inteligência que demonstrava na perseguição, muitas vezes quase o capturando com armadilhas que lançava na floresta, e sua manipulação de fios engenhosa que podia se transformar em qualquer coisa.
Kaden nunca tinha enfrentado uma criatura lendária antes, mas agora entendia. Elas eram absolutamente ilógicas.
Ele também era portador de uma origem lendária, sim—mas apenas de nível intermediário. E era humano.
E os humanos eram inerentemente fracos diante de bestas. Essa era a natureza.
'…e seus fios… fios do cacete…'
Quase impossíveis de cortar. Reditha mal conseguia, e após horas correndo, suas reservas de sangue estavam esgotadas.
Ele estava no seu pior momento. E naquele instante, Kaden percebeu quão patético era—enfrentar um inimigo que nem mesmo podia querer matar, e onde a morte nem sequer era possível.
Patético. Risível.
'…nojento…' Sua própria risada vazia ecoou na mente.
Foi então que um fio, frio como seda de jazigo, se enrolou ao redor do seu braço direito e puxou, jogando-o de costas com uma pancada que sacudiu até os ossos, o ar sendo arrancado dos pulmões numa respiração violenta.
Kaden continuou rindo, mas sua vontade de viver não desapareceu, ela se intensificou ainda mais.
Ele segurou Reditha e cortou seu próprio ombro.
A lâmina cortou limpo.
"ARGHHHHHHHH!!!" O grito saiu da garganta dele, seus olhos vermelhos de dor e fúria, dentes rangendo até provar sangue.
Ele guardou o braço cortado na caixa de espaço e, com o último de sua mana, avançou, desviando por um fio a centímetros de distância.
Ele correu de novo. Bem, isso é tudo que ele fazia desde o começo.
Sua mente estava nublada, seu corpo pesado, sua perda de sangue era um ferimento fatal. Reditha não tinha mais mana para curar.
'…é isso—!' Seus pensamentos travaram quando sua percepção captou algo à sua frente.
Um chamado familiar…
Um calabouço.
Com sua última força, Kaden saiu correndo na direção dele, sem hesitar.
Momentos depois, ele parou diante de um enorme vórtice de mana negra pura, sua aura de morte e profanidade erguendo pelos no seu corpo.
Sem dúvida, sua raridade era pelo menos de nível Grande Mestre.
Uma sentença de morte.
Mas a morte era exatamente o que ele queria agora.
Sem hesitar, seu corpo quebrado se lançou para dentro do vórtice, deixando a aranha que se aproximava para trás.
Seus pensamentos ecoaram na mente:
'Ótimo… que me mate…'