
Capítulo 148
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden realmente não tinha outra opção a não ser entrar na misteriosa masmorra.
Era arriscar tudo, apostar que o que quer que estivesse lá dentro—morreria para que ele pudesse voltar no tempo e ficar mais forte… ou deixar-se capturar por uma aranha por um tempo incerto.
Não havia necessidade de pensar mais além.
Ele preferia apostar em algo incerto do que seguir um caminho garantido, totalmente contra ele.
Assim, decidiu aproveitar a oportunidade e mergulhou fundo na masmorra. No instante em que entrou, seus sentidos se distorceram violentamente, o mundo ao seu redor se desfez e se refez, recriado em um lugar completamente diferente.
Splat.
Kaden caiu no chão… se é que podia chamar aquilo de chão.
Ele forçou os olhos a se abrirem com pura vontade, a visão tremendo, e viu o que estava sob ele… ossos, sangue… morte.
Não havia terra, nem pedra, nem terreno familiar—apenas uma camada infinita de ossos apodrecendo fundidos a sangue coagulado, uma mistura profana que exalava um odor tão fétido que queimava sua garganta. Mesmo Kaden, que não era estranho à morte, sentiu a boca secar e o peito se apertar.
Era demais.
A cada respiração, era um esforço, o ar tão carregado de putrefação que parecia raspar os pulmões até deixá-los em carne viva.
Gargalhada—Gargalhada—
Sangue negro espirrou de seus lábios, escorrendo grosso e quente por seu queixo. Seus olhos se arregalaram diante da cena.
"O…o que é isso…?" ele sussurrou, a voz se desfazendo enquanto sua visão começava a escurecer.
Ele já tinha perdido sangue demais, e o que quer que estivesse na atmosfera ali dentro estava devorando seu corpo por dentro.
Mas um sorriso fraco surgiu em seus lábios. Finalmente… talvez, finalmente, era o fim.
Ele relaxou. Deixou de lutar para permanecer acordado, seu corpo se desmoronando no chão repleto de cadáveres, ossos brilhando com preto e carmesim, esperando a morte levá-lo.
Se não fosse por um homem que apareceu ao seu lado momentos depois.
O olhar do estranho percorreu Kaden, então vasculhou o ambiente ao redor, esperando ver… algo mais.
"Nada", murmurou o homem, clicando a língua com leve irritação antes de seu rosto desaparecer na escuridão, como se estivesse acostumado com a decepção.
Seus olhos retornaram a Kaden, e sem precisar conferir mais nada, ele sabia—esse humano estaria morto em instantes.
Um sorriso lento e divertido se curvou em seus lábios.
"Que homem de sorte, ser encontrado por mim e não por esses mortos-vivos," disse, antes de agarrar Kaden com facilidade e desaparecer nas sombras.
Menos de minutos depois, dezenas de mortos-vivos chegaram exatamente naquele local, suas órbitas vazias varrendo a área em busca de algo—ainda que nenhum sinal de presa fosse encontrado.
Eles sentiram que tinham caçado há pouco tempo, mas agora não havia nada. Sem pista alguma, começaram a se dispersar, perdidos novamente, até que o encontrassem… ou melhor, eles mesmos.
…
Kaden esperava que abrisse os olhos para o vazio negro sem fim da Morte, pronto para ressuscitar.
Mas, ao invés disso, seu estômago caiu quando acordou… vivo.
"Para onde…?" ele murmurou, desorientado, enquanto se esforçava para se levantar de um leito improvisado de ossos—cada ponta pontiaguda, desconfortável e frio. Mas isso não era sua preocupação no momento.
Seu olhar percorreu o ambiente. Era uma caverna, áspera e irregular, as paredes pontiagudas cobertas por espículos negros e o teto alinhado com os mesmos. Uma única mesa rudimentar ficava em um canto, espalhada de letras ilegíveis de onde estava. O piso de pedra tinha manchas de sangue tão profundas que pareciam parte da própria rocha.
O ar era pesado. Opressivo.
Kaden tentou se afastar da cama, mas colapsou para o lado direito, esquecendo completamente que já não tinha o braço direito para se segurar.
"Argh—!" Sua carne parcialmente cicatrizada bateu forte contra a estrutura óssea, um fragmento afiado perfurando o machucado aberto. Uma dor ardente rasgou através dele.
"Oho. Você precisa tomar cuidado, rapaz. Seu estado é… algo fora do comum," disse uma voz de leve, momentos antes de seu dono entrar na sala.
O homem foi até ele e, num movimento fluido, arrancou o fragmento ósseo de seu ferimento.
"ARGHH—!" O grito de Kaden foi gutural, seus dentes cerrando-se até provar sangue, seu corpo tremendo sob a onda de dor recém-chegada.
Ele forçou a cabeça para cima e olhou nos olhos do estranho—aqueles olhos afiados e atentos brilhando de interesse sob um rosto pálido, rodeado por cabelos negros que absorviam a luz. O homem era magro, vestindo uma armadura preta rasgada, tão fina que parecia prestes a se partir, a escuridão dela quebrada apenas por um colar branco vívido na garganta.
Kaden encarou-o por um momento antes de conseguir perguntar: "Q-qui… quem é você…?"
O homem inclinou a cabeça, fingindo confusão.
"Quem sou eu? Não está óbvio?" disse, seu sorriso se alargando. "Sou seu salvador. Mas não se preocupe, salvei você porque sou uma boa pessoa, ok? Não vou te pedir nada." Ele acenou com a cabeça, satisfeito com suas próprias palavras.
Kaden apenas olhou, olhos vermelhos como sangue, cansados e exasperados.
Ele planejava morrer. Agora, esse homem tinha salvado sua vida.
Quem diabos pediu por isso?
Kaden exalou pesadamente, cada osso do seu corpo doía.
O homem o observou com interesse, o sorriso se expandindo ainda mais. "Interessante… você não parece muito empolgado por estar vivo."
"Ah é? Bravo, Sherlock. E mais?" a voz de Kaden era seca, carregada de sarcasmo.
"Sherlock? Bravo? Novas palavras de fora?" perguntou o homem, aproximando-se e segurando a mão restante de Kaden.
"Rapaz, você veio na hora certa. Eu estava morrendo de tédio só com esses mortos-vivos por companhia. Que tal ensinar umas palavras novas de fora, e em troca, eu te ensino a sobreviver?"
"O… que você quer dizer?" perguntou Kaden, franzindo as sobrancelhas. "Desde quando você está aqui?"
O sorriso do homem se afinou.
"Eu? Hah… perdi a noção do tempo. Mas posso te dizer que estou aqui há muito mais tempo do que estive fora desta masmorra." Ele fez uma pausa.
"Ah, você ainda não sabe de nada, né? O espírito não te avisou?"
Ele se inclinou, seu olhar fixo em Kaden.
"Pois bem… eu vou te contar então."
"Seja bem-vindo," disse suavemente, "à Masmorra da Morte Arruinada."
Sua expressão se curvou de forma irrealista, um sorriso sinistro.
"Uma masmorra onde a única saída… é dar paz a todos os mortos-vivos que habitam essas paredes."
O ventre de Kaden se apertou.
"E antes que você pergunte… deixa eu te explicar como fazer eles encontrarem paz."
"É bem simples, na verdade…"
Aquele sorriso torto se alargou, tornando-se algo predatório.
"…é preciso matar uma criatura no nível de Grande Mestre de pico."