Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 146

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

A cela de repente ficou silenciosa.

O menino, tremendo, assumiu uma postura de galinha sem cabeça e balbuciou: “S-sim… Eu quero liberdade. Eu quero.” Ele acenou com a cabeça diversas vezes, concordando com Zaki sem a menor hesitação.

Não surpreende.

O homem carrancudo, com olheiras pesadas, apenas encarou Zaki com uma expressão entediada, como se tudo aquilo fosse apenas uma chatice. Ainda assim, decidiu responder:

"Criar liberdade…? Se fizer isso, me conte. Não me importo de participar da brincadeira." A voz dele era tão lenta que quase irritava ouvindo.

A garota elfa se enrijeceu ao sentir o peso do olhar dos homens sobre ela. Estava visivelmente tensa, mas firmou-se, cerrando os punhos com força, como se fosse entregar algo profundo e que tocasse a alma com todas as forças…

"Eu também!" exclamou ela de repente, após toda aquela preparação. Uma leve vermelhidão subiu às bochechas, mostrando o quão envergonhada ela estava.

Isso deixou apenas o homem corpulento de meia-idade, que olhou para Zaki e o restante como se estivesse encarando—

"Palermas. Vocês todos são idiotas." Ele interrompeu, decidindo que eles não valiam o seu tempo.

"Se vocês não querem liberdade… então quer dizer que está tudo bem ficar aqui?" perguntou Zaki, sem compreender o jeito que esse homem pensava.

O homem balançou a cabeça.

"Nunca falei isso. Eu disse que liberdade é só um mito. Ela não existe."

"Mas…" sua voz ficou baixa,

"Aceitar e escolher o tipo de parasita que você quer… isso talvez valha a pena." Terminou, olhando para o teto sombrio com uma sombra de melancolia.

Zaki e os outros escutaram, mas suas expressões estavam cheias de confusão.

Liberdade é um mito…?

Eles não entenderam.

E o homem de meia-idade não esperava que entendessem. Ele simplesmente ficou em silêncio novamente.

"…Vocês vão ficar conosco ou contra nós?" pressionou Zaki, esperando de todo o coração que esse homem não se tornasse um inimigo.

"Se está preocupado que eu vá denunciar vocês, não vou," disse ele, e voltou a ficar calado.

Zaki ficou cético, mas não tinha muita escolha a não ser confiar nele—enquanto permanecia atento.

Ele se virou para os outros três e forçou um sorriso constrangedor.

"Meu nome é Zaki. Prazer em conhecê-los."

Ele deu o primeiro passo. Tomou a iniciativa.

"Eu---eu sou Tristan," disse o menino tremendo.

"Saul," murmurou o homem carrancudo, com a cabeça enterrada nos braços, como se quisesse voltar a dormir.

"…Maryam." A voz da elfa foi baixa e tímida.

Depois, Zaki olhou para o homem de meia-idade.

"Azad…"

"Meu nome é Azad," repetiu ele, sorrindo suavemente.

Zaki assentiu.

"Vamos fazer o nosso melhor," disse, tentando motivá-los—mas as reações deles foram mornas, no melhor dos casos.

Nesse momento, seus pensamentos se desviaram para Kaden.

O que você faria se estivesse no meu lugar?

Ele não pôde deixar de se perguntar…

O que o Filho do Sangue faria aqui?

Passaram dias. Depois semanas.

Já fazia quase duas semanas desde que Kaden começou a viajar, e ele não imaginava que fosse tão difícil assim.

O sol, implacável, pairava sobre ele, cegando e queimando, fazendo-o sentir uma temperatura que ele nunca imaginou ser possível. Mesmo com sua resistência passiva ao fogo, não podia deixar de pensar como seria sentir tudo isso sem ela.

Na verdade, ele não queria saber.

Os dias foram tanto calmos quanto caóticos. Kaden encontrou inúmeras criaturas pelo caminho, matando-as com brutal eficiência.

Ele estava afincando seus instintos de combate e habilidades, aprimorando-os a cada luta—ao mesmo tempo em que refinava suas técnicas de sobrevivência. Dormir na floresta significava ameaças de todo tipo, e ele aprendeu a descansar com um olho aberto, sempre pronto para agir.

Não foi fácil. Mas depois de várias armadilhas de criaturas mais fracas enquanto dormia—e quase ser morto por acaso—ele se adaptou.

Ele não se importava de morrer em circunstâncias normais. Mas morrer para alguma besta fraca e comum? Isso ele odiava.

No entanto, isso tudo era menor do que uma coisa que realmente o consumia por dentro.

Durante todo esse tempo, ele não tinha encontrado nem uma criatura de nível mestre.

Só de pensar nisso, ficava louco. Sem ver uma sequer semana após semana?

"Desde quando minha sorte é tão ruim assim?" murmurou Kaden, questionando se a Senhora da Sorte o tinha abandonado.

No instante em que ele desejou encontrá-las, elas simplesmente desapareciam.

Ele suspirou pesadamente, então parou, fixando o olhar à sua frente. Seus lábios se contorceram.

"Mais uma floresta…" falou, já cansado de ver esse cenário.

Mas essa era diferente.

As árvores e o gramado eram negros, e um cheiro perturbador pairava no ar.

Um cheiro—antigo, pouco perceptível—que tocou o nariz de Kaden.

Era um aroma doce, mas amargo, de morte.

Finalmente.

Ele o tinha encontrado.

Essa floresta era o esconderijo da besta com afinidade de morte.

Kaden respirou fundo, acalmando seu coração.

'Não preciso me estressar. Meu objetivo é simples—ser morto pela besta de nível mestre e obter o poder da morte.'

'Se eu encontrar alguma besta de nível mestre, vou matá-la também para pegar seu núcleo.'

Um plano simples.

E o pior que poderia acontecer… era a morte.

'E a Morte é minha companheira,' pensou, agora completamente relaxado.

Ele entrou na floresta—e immediatamente sentiu uma mudança no ar.

O aroma ficou ainda mais forte, fétido e excessivamente doce, como se bilhões de cadáveres tivessem apodrecido ali ao longo de séculos, infiltrando-se na terra até o âmago.

Acima, o sol amarelo, familiar de Darklore, desaparecera, substituído por um orbe negro que lançava uma luz sombria e estranha sobre toda a floresta.

Algo nele reagiu ao ver aquilo. Aquilo… era errado.

'Será que fui precipitado vindo para cá?' questionou-se. Mas balançou a cabeça, ajustando sua postura, e continuou andando.

Empurrou sua percepção ao limite, querendo evitar surpresas.

Criaturas pequenas apareceu ao longo do caminho, cada uma com pelagem ou olhos negros, uma presença inquietante. Mas nenhuma ousou se aproximar. Dispersaram no instante em que sentiram a enorme diferença de poder.

Quase uma hora depois, guiado pelo seu mapa, Kaden parou de repente, franzindo a testa ao sentir algo errado.

Fios brancos tinham se enroscado ontem sem aviso, ligando-o completamente.

Sua expressão virou uma carranca ainda mais profunda. 'Não senti esses fios?'

Como?

O pensamento foi interrompido ao sentir uma presença poderosa lá em cima.

Ele ergueu a cabeça.

Uma aranha—grossa, de preto profundo, seu exoesqueleto reluzindo sob a luz escura. Seu corpo tinha cerca de cinco pés de comprimento, suas patas ultrapassavam vinte e uma, longas e afiadas o bastante para rasgar aço reforçado.

Ela se moveu com lenta precisão, tecendo fios ao seu redor num padrão hipnotizante.

A pressão que emitia era inegavelmente de nível mestre. Mas havia algo mais—algo mais sombrio—que acelerou o coração de Kaden ao cruzar o olhar com seus olhos negros e inteligentes.

Era assustador.

Então, ele percebeu o que estava atrás dela.

Dezenas—não, centenas—de casulos pálidos e pulsantes, cada um se mexendo levemente, como se algo vivo se agitasse lá dentro.

'Morte… o que é isso?'

A morte permaneceu em silêncio por um longo momento. Quando finalmente falou, sua voz foi baixa e tensa.

[Anfitrião… corra.]

Instantaneamente, fios surgiram ao seu redor como uma onda, envolvendo seu corpo numa concha sufocante.

Seus olhos se abriram em choque e medo.

Não pode ser…

—Fim do Capítulo 146—

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