Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 145

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Passaram-se horas, e Kaden ainda estava sentado em frente ao território dos bandidos, imóvel, sem se mover um centímetro.

Animais vieram—muitos—atraídos pelo cheiro persistente de sangue e fogo. Kaden os matou todos, coletando suasnúcleos de origem para saturar os seus próprios.

Né quando notou algo.

"Por que isso está tão lento?" murmurou para si mesmo enquanto absorvia outro núcleo de origem de nível intermediário, a mudança quase imperceptível. Não… para ser sincero, não sentia nenhuma mudança.

Mas estava mentindo para si mesmo.

Porque admitir isso significava enfrentar uma verdade angustiante.

[Você está caminhando rumo à transcendência. Seu núcleo de origem é especial. Você precisará de pelo menos núcleos de origem de nível mestre para saturá-lo. Caso contrário, usar núcleos intermediários levará uma eternidade.]

"Ah… para o caralho." Kaden passou a mão pelo rosto, exasperado.

Não pense que, só porque tinha derrotado Selene e enfrentado de frente Daela, ele poderia facilmente derrubar uma besta de nível mestre.

De jeito nenhum. Não é assim que as coisas funcionam.

Selene não era voltada para combate—seu poder estava na manipulação mental, fazendo outros obedecerem às suas ordens. A força de vontade de Kaden fazia dele o pior adversário possível para ela.

Daela era sua irmã. E, por mais que ela quisesse vencer, nunca ia realmente usar tudo contra seu irmãozinho fofo.

Até agora, ele não tinha enfrentado uma verdadeira mestre.

Uma luta onde a vida e a morte se entrelaçam como amantes há muito separados… que, conhecendo-as, talvez nem seja uma metáfora mesmo.

"Bestas de nível mestre… quantas preciso para saturar meu núcleo?"

[Depende. As bestas têm tipos. Quanto mais únicas, maior o valor de seus núcleos em múltiplos dos outros.]

[Mas, aproximadamente, você precisará de milhares de bestas de nível mestre.]

Silêncio.

Kaden não falou por um bom tempo. Ficou ali, com sua chama de sangue ainda rugindo atrás dele, pensando se estava ficando surdo.

"Posso ter escutado errado, Morte… repete isso?" sua voz tremeu um pouco.

[Milhares. Milhares de bestas de nível mestre.]

[Ou talvez umas cem e uma núcleos de grande mestre.]

Death acrescentou a segunda opção como se estivesse oferecendo misericórdia.

Kaden encarou o painel com completo desprezo.

"E onde diabos vou matar um grande mestre como intermediário?" cuspiu.

[Então… milhares.] O tom de Death era como um encolher de ombros. Como se dissesse 'Bem, azar o seu.'

Kaden ficou em silêncio. Preferiu pensar numa saída do que perder tempo com palavras.

'A não ser que eu tropece em um verdadeiro tesouro de núcleos de origem… ou que a deusa da sorte coloque um grande mestre morto na minha frente…'

'… aí a coisa fica complicada.'

Ele fechou os olhos, respirando fundo, tentando fazer o coração desacelerar enquanto buscava uma solução nesse caos.

'Passo a passo. Dividir em metas menores.'

Tarefas simples, mas que dão resultado.

'No final, chego lá… sem pressa, sem causar problemas desnecessários.'

Um ruído suave ao seu redor, acompanhado de passos, ecoou levemente.

Seu cavalo voltou.

Kaden sorriu levemente, levantou-se e montou nele com habilidade prática.

"Vamos lá," ordenou.

A fera obedeceu, galopando para o leste.


Fokay — Jogo Subterrâneo da Liberdade

Dentro de uma cela, Zaki jazia deitado na cama, seu corpo coberto de sangue e feridas.

A cela era grande e estranhamente luxuosa. Tudo o que alguém pudesse precisar estava lá.

Ele não estava sozinho. Outros quatro estavam com ele.

Os únicos sobreviventes do jogo anterior.

Um jogo que começou com mais de vinte participantes. Agora, só restavam cinco.

Zaki nem sabia como sobrevivera. Ainda não conseguia acreditar, especialmente depois de enfrentar aquele leão em chamas.

Foi rápido, preciso, implacável. As próprias chamas dele faziam dele algo que até a maioria das bestas intermediárias ou de rank despertado não conseguiria encarar.

Mas, de alguma forma, contra todas as probabilidades, eles conseguiram sobreviver por meia hora.

'Mas pra quê?'

Os olhos dele ficavam turvos de medo.

Ele veio até Fokay buscando força, força para voltar e se vingar.

Mas isso…

Isso era uma sentença de morte.

"V-viramos para fugir… nós… precisamos…"

A voz veio de um canto.

Os outros se viraram.

Um garoto pequeno, frágil, tremia descontroladamente. Seu cabelo laranja macio grudava na testa carregada de suor, seus olhos claros e dilatados de terror.

"Nós… temos que ir. Temos que recuperar nossa liberdade."

Veio uma risada, ecoando pela cela escura e sombria.

Um homem corpulento, de meia idade, com cabelo preto e olhos castanhos frios, olhou para o garoto com pena.

"Liberdade? Você acha que só esse lugar subterrâneo roubou isso de você?"

Ele riu novamente, balançando a cabeça levemente antes de continuar.

"Não existe liberdade nesse mundo. Nenhuma."

"Vamos supor que você escape daqui… e aí?"

"Tentar ficar mais forte para se proteger? Se esconder para evitar ser capturado de novo?"

"De qualquer forma, você vai acabar fazendo coisas que não quer. Onde está a liberdade nisso?"

Seu olhar passou pelos três que permaneciam em silêncio—Zaki, um garoto sombrio de cabelo escuro e olhos pretos pesados sob olheiras profundas, e uma garota de cabelo prateado e olhos verdes com traços elfos pontos.

"Você busca liberdade?" perguntou, numa voz baixa.

A questão cortou Zaki como uma lâmina.

Ele buscava liberdade? Claro que sim.

Ele não queria apodrecer ali, forçado a jogar jogos comandados por pessoas que agiam como se tivessem o direito de conceder 'liberdade' como prêmio.

Ele não queria isso. Começara a mudar o rumbo da sua vida… começara a se tornar digno, a poder proteger Eimi…

Como, então, aceitar ficar preso aqui para entreter estranhos com sua própria vida?

Ele não podia.

Precisava lutar contra isso.

Precisava sair.

Havia uma vingança a buscar, uma promessa a cumprir, alguém querido esperando por ele.

Ele não podia ficar ali.

Então…

'Fazer ou morrer.' A determinação de Zaki se fortaleceu.

"Sim…" abriu a boca e falou.

Os outros o olharam com diferentes expressões.

"Quero liberdade. Pode existir ou não… mas tanto faz. Vou criá-la. Porque quero sair daqui…"

Ele se levantou devagar, com o olhar varrendo os demais. Todos o encaravam com diferentes tipos de expressão.

"…E vocês?"

—Fim do Capítulo 145—

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