
Capítulo 150
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Corrupção…
Na verdade, Kaden nunca tinha realmente pensado nisso. Afinal, ainda era muito jovem… inexperiente neste mundo.
Porque pensar que morte, ou até prisão, seria o pior que poderia acontecer neste ou nestes dois mundos… bem, isso era uma visão tola.
Mas podemos realmente culpá-lo? Não exatamente. Ele ainda estava aprendendo, dia após dia.
E neste momento, além do medo de ser preso sem a doce libertação da morte, vinha a terrível ideia de que seu próprio ser poderia ser corrompido.
Ele respirou profundamente, enquanto a verdade da situação finalmente se asentava em sua mente e coração. E, honestamente? Ele estava desesperado.
Ele quase escapou das garras de uma besta do tipo Lendária que queria aprisioná-lo, mergulhando neste calabouço… e agora descobria que este lugar poderia ser pior? Que, se fosse capturado, ele nem morreria—seria corrompido?
E, além de tudo isso… seu oponente era um Mestre de topo?
"Heheh…"
"Hehehehahahahah!"
Kaden explodiu numa risada—irritada, incrédula e cheia de frustração. Uma risada entrelaçada com frustração e um medo profundo, reverberando até os ossos.
Mas ele se forçou a não mergulhar fundo demais nesse poço, mantendo o foco em Asael, que sorria para ele de modo quase doce.
"Ah! Não se preocupe comigo, de verdade. Pode continuar seu colapso emocional. Eu sei exatamente como você se sente… já estive aí, entendeu?" Seu tom era leve, quase brincalhão, bem contrastando com a tensão sufocante neste calabouço mergulhado em morte.
Kaden não tinha disposição para esse tipo de brincadeira; sua vida estava em risco.
"Me mate," ele disse de forma fria, fazendo a expressão de Asael vacilar enquanto sua cabeça inclinava em sinal de confusão genuína.
"Desculpe… Acho que ouvi errado. Pode repetir?"
"Eu quero que me mate." Sua voz era gelada, vazia.
"Não se preocupe, isso não vai mudar nada. Você consegue perceber meu nível? Sou apenas um rank intermediário sendo jogado num calabouço de nível Mestre." A expressão de Kaden não tinha calor nem esperança.
"Deixar-me aqui só vai atrasar você e levá-lo à sua própria ruína. Então, vamos poupar o sofrimento de ambos e acabar comigo. Combinado?"
"Prometo que não vou te processar por isso."
Ele não podia se matar. Se o fizesse, realmente morreria. A morte já o tinha alertado sobre isso.
Sua própria morte nunca poderia ser por sua própria mão. Tinha que acontecer pelas mãos de outros.
Melhor morrer assim do que correr o risco de ser corrompido e transformado em marionete.
De jeito nenhum—absolutamente de jeito nenhum—ele conseguiria derrotar um Mestre de topo com um Domínio — aquele aqui — sendo apenas um Rank intermediário.
Isso era pura bobagem.
Porém, Asael não parecia compartilhar de sua visão.
"Matar? Você é o pessimismo em pessoa. Antes de chegarmos a isso, que tal sentar e pensar numa maneira de sair daqui vivo primeiro?" Asael sorriu de novo, inclinando a cabeça.
"Parece uma ideia melhor do que correr em direção à morte, não acha, meu amigo?"
Kaden bufou. "Acho que você pulou a parte em que eu te disse o meu nível. Você acha que eu consigo passar por esse calabouço?"
Asael deu de ombros com desprezo. "Primeira vez a gente nunca esquece. Além disso, você não está sozinho—tem aqui na sua frente o maior Mestre de nível Mestre que Fokay já conheceu!"
Ele abriu os braços, olhos fechados, esperando como se estivesse sendo reverenciado.
Tudo que recebeu foi um olhar morto.
Ele abriu um olho, viu a expressão de Kaden e os lábios se contorceram num sorriso.
"Amigo… você não parece acreditar em mim."
"Não mesmo."
"Isso dói, amigo. Você devia confiar um pouco mais no seu amigo."
"Desde quando somos amigos, mesmo? Não me lembro de ter um amigo como você."
"Amigo, somos amigos desde que te salvei das garras dos mortos-vivos—que, aliás, teriam adorado te receber na única família deles. Ah… claro, sendo como eles. Eles são um pouco racistas, sabe."
A calma de Kaden se prolongou, seu olhar fixo em Asael, que apenas sorriu mais amplamente, claramente curtindo a sensação de ter “vencido” uma troca insignificante.
"Você—!"
BOOOM!
Uma explosão ensurdecedora ecoou pela caverna, sacudindo tudo violentamente. Pedras afiadas caíram do teto e das paredes, e por um momento quase parecia que o local todo iria desabar e sepultá-los na terra impregnada de morte.
Kaden cambaleou com a sacudida e caiu de rosto no chão frio.
Ele amaldiçoou baixinho, a dor pulsante do braço amputado distraindo-o.
"Q-que está acontecendo?" ele exigiu, olhando para Asael, que parecia demasiado calmo.
"Ah, isso? Só o de costume. Você vai se acostumar. Os mortos-vivos piram ao anoitecer, destruindo e corrompendo tudo que estiver ao alcance deles—incluindo eles mesmos, por motivos que só eles conhecem."
A voz de Asael era casual como sempre. "Quando caí aqui pela primeira vez, era noite… foi uma experiência e tanto."
Ele riu, como se lembrando de uma memória boa. "Sugiro que encare isso como um rito de passagem, mas… faremos isso amanhã, tudo bem?" Notou como o estado de Kaden estava terrível neste momento.
Deixando sua cadeira sombria, começou a caminhar em direção à saída da caverna.
"Para onde vai?" Kaden perguntou.
"Para onde, você acha? Disse que eles destroem e corrompem tudo que encontram. Isso inclui minha pequena caverna. Tenho que protegê-la e eliminar qualquer coisa por perto, pra que eles não lembrem de onde estou amanhã, quando voltarem com a parcela mínima de inteligência que restar."
E assim, ele desapareceu.
Logo depois, o som do combate ressoou — impactos profundos, rugidos de loucura e terror absoluto ecoando pela caverna. Kaden podia imaginar claramente o caos lá fora.
A luta era tão brutal que a própria caverna parecia se contorcer e desabar, sua estabilidade escorrendo aos poucos.
No meio de toda essa confusão, Kaden ficou lá… inútil. Fraco.
'Ah… desde quando?'
Quando foi a última vez que ele se sentiu tão impotente?
Se bem que, se lembrasse direito, foi naquele calabouço contra Nocthar. Ele também tinha sido inútil naquela hora.
E agora, tudo se repetia… tudo por causa de não poder mais morrer?
Que piada.
Os dentes de Kaden rangiam.
"Se a morte não é uma opção… que seja assim." Sua voz era baixa, mas ardia com fúria.
"Vou sobreviver a este calabouço e voltar… não importa o quê."
Seus olhos vermelhos brilhavam com uma ferocidade quase de loucura. Ele não aceitaria ser corrompido, muito menos apodrecer aqui.
Ele fechou o punho com força, a determinação ardendo em seus olhos.
E naquele momento—
[DING! Você recebeu uma missão.]
[Missão: Sobrevivência.]
—Fim do capítulo 150—