
Capítulo 128
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Fokay – Glaciar da Lua
Dois meses haviam se passado, e hoje marcaria o fim da busca de Meris pela evolução.
Ela estava de pé diante de um jovem — amarrado por cordas azuis bem apertadas na árvore de cristal que ficava no centro da terra proibida, seu corpo tremendo como se o frio tivesse levado até a luz de sua alma.
Sua pele era de um azul pálido, mas era óbvio que não era sua cor natural; parecia mais que todo seu interior tinha sido congelado, tão profundamente e completamente que as veias de gelo agora eram visíveis de fora, como galhos amaldiçoados de uma árvore tocada pelo inverno.
Exalava lentamente, em baforadas brancas e serradas, cada expiração soltando uma névoa fria que dançava no ar, mostrando que ainda estava vivo… por pouco.
O jovem não era outro senão Ravin Blueheart, herdeiro da família Blueheart, e o mesmo tolo que uma vez ousou falar em colocar Meris abaixo dele.
Uma ideia ousada, de verdade.
Porque Meris — não importa o quão animada, travessa ou leviana ela fosse — não era uma boba.
Ela nasceu para beleza e poder, de uma linhagem que exigia perfeição, e já se acostumou aos olhares dos homens que encaravam-na não com admiração, mas com possessividade, como se ela fosse um troféu que um dia poderiam exibir, prova de seu valor, validação de seu orgulho, um prêmio para ostentar, mas não uma pessoa para amar.
Era nojento, de verdade, ser tratada como um objeto coberto por pele.
E talvez por isso ela tivesse se sentido tão atraída por Kaden assim que o conheceu.
Porque Kaden… ele não se importava.
Ele não ligava para sua beleza, suas curvas, seu legado ou até sua existência.
Ora, ele mal olhava para ela.
E isso machucou Meris mais do que qualquer coisa — tanto que seu coração não parou de bater naquele dia, rápido e forte demais, tão alto que parecia que ia explodir, só porque havia um homem que não a via como algo para conquistar, usar ou domar.
Você já ouviu falar em como chamar a atenção de uma mulher, não é?
Simples: apenas seja diferente.
Diga algo que ela nunca ouviu. Faça algo que ela nunca viu. Seja audacioso, sim — mas não idiota — controlado, inteligente, calculado.
Para Kaden, nada disso era necessário.
Tudo o que ele precisava fazer era demonstrar indiferença para uma garota que já se acostumara à adoração, e assim, ele conseguiu.
Desde aquele dia, para Meris, Kaden virou o máximo de tudo.
O homem dela.
E por ele, ela faria qualquer coisa.
Mesmo que isso significasse transformar-se na criatura mais sem coração de ambos os mundos.
Mas esse não era o assunto agora, era?
O assunto era o destino de Ravin — e, sejamos honestos, seu destino era óbvio.
Morte.
Mas a verdadeira questão era: que tipo de morte?
A mais horrenda que Meris poderia oferecer atualmente.
Uma morte por congelamento lento, de dentro para fora.
Blood. Órgãos. Intestinos. Células. Cérebro. Músculos. Tudo congelado pouco a pouco, até que até a alma não pudesse mais gritar.
"V-você vai se arrepender… meu-pai vai acabar com você," Ravin tossiu fraquejando, com os dentes batendo, olhos fixos em Meris e Lari atrás dela, com tanto ódio que parecia que poderia perfurar pele… bem, se é que o ódio tivesse peso.
Mas ódio sozinho não podia matar. Nem mesmo o dele.
"Matar-me?" Meris perguntou lentamente, agachando-se até ficar a poucos centímetros da face dele, tão pálida e congelada, seus olhos prateados fixos nos dele.
"Matar-me? Eu? Meris Elamin?" ela repetiu, a voz calma e fria, quase divertida, antes de seus lábios se curvarem em um sorriso vazio e sem vida.
"Que tola… parece que você esquece quem eu sou só porque não finjo ser diferente."
"Sou a Herdeira de Elamin, das Quebradas pelos Elementos."
"Acha que sua família insignificante consegue me matar? Que papo furado."
Ela o encarou com desgosto, puro e refinado, antes de sacudir a cabeça.
Um desperdício de ar.
Levou a palma da mão lentamente, e o gelo começou a se formar logo acima dela. Logo, pétalas leves e delicadas começaram a surgir no ar, formando um desenho intricado e deslumbrante até que uma lótus azul apareceu, flutuando como uma relíquia sagrada.
Uma lótus de gelo.
Ela moveu a mão, devagar, mas com intenção, e a lótus avançou como uma morte silenciosa.
"Na sua próxima vida, aprenda a abaixar o olhar quando olhar para a mulher de outro homem, tá?" Meris sussurrou, justo quando a lótus entrou no peito de Ravin, deslizando com precisão fantasmagórica.
Os olhos dele se arregalaram de pânico e agonia, mas nenhum grito saiu.
As cordas vocais dele tinham congelado.
Segundos depois, todo o corpo dele seguiu — órgãos, cérebro, sangue, alma.
Ravin Blueheart morreu em silêncio.
Pateticamente.
No momento em que morreu—
{Você completou sua busca por evolução.}
A voz do Espírito ecoou em seus ouvidos.
Meris não sorriu.
Ela virou-se em direção ao núcleo do Glaciar da Lua, sentindo algo chamando por ela.
Algo profundo.
Algo antigo.
Algo… importante.
E esse sentimento não começou agora. Começou no instante exato em que ela conseguiu criar a base de sua técnica.
Ela hesitou, considerando o risco, mas, por fim,
"Vamos voltar e preparar mais. De qualquer forma, vou reaparecer aqui de novo, então não precisa se preocupar," ela disse, por último.
"Como desejar, minha senhora," respondeu Lari, e com isso, Meris desapareceu de Fokay.
Lari ficou por um momento, olhando uma última vez para o cadáver de Ravin, congelado em um silêncio grotesco.
Ela balançou a cabeça.
"Não sei se o jovem mestre Kaden é sortudo ou azarado neste momento…" ela murmurou suavemente antes de desaparecer também.
…
Meris não foi a única a completar sua busca de evolução.
Em uma parte escondida do Cemitério dos Monstros, Inara repousava na terra fria, olhando para o céu negro e sem estrelas acima.
Sua busca tinha sido um inferno.
Todos os túmulos aqui eram de monstros, criaturas que seu mestre uma vez controlou.
E, como parte de sua evolução, sua tarefa era clara.
Reviver três monstros à sua escolha, a qualquer custo.
Reviver monstros…
Até hoje, parecia loucura.
Ela tentou inúmeros métodos, como rituais, feitiços, e tudo mais, mas nada funcionou.
Até que ela se lembrou.
Ela podia criar monstros do zero, usando seu próprio sangue.
Não seria mais difícil do que reviver criaturas já existentes?
Então tentou de novo.
Ela não usou seu sangue para criar algo novo — mas para reconstruir o que um dia foi.
Células. Órgãos. Ossos. Tecidos.
Pedaço por pedaço.
Mas, para isso, ela tinha que entendê-los.
Conhecê-los.
Significava que tinha que ler.
E ela odiava ler.
Mas forçou-se a continuar, devorando página após página do compêndio de monstros de seu mestre — memorizando traços, tendências, comportamentos, fraquezas.
Dois meses se passaram.
E, no final, ela conseguiu.
Reviveu os monstros.
Um lobo de duas cabeças cantando com relâmpagos.
Uma ave esquelética com chamas azuis nas órbitas dos olhos.
E uma pequena cobra verde, enrolada e mortal.
{Você completou sua busca por evolução.}
{Os monstros agora são seus.}
Declarou o Espírito.
E, sem perder mais um segundo, Inara voltou para Darklore.
Não como a pequena e fraca princesa serpente que era antes.
Mas como a Herdeira da Mãe dos Monstros.
—Fim do Capítulo 128—