
Capítulo 127
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Dois meses se passaram.
Esses dois meses foram agitados para Kaden.
Ele os passou eliminando à força cada membro da família Cerveau que ousasse estar fora do território deles.
No começo, era fácil — eles nem sabiam que estavam sendo alvo, pois a notícia da morte de Selene ainda não tinha chegado até eles.
Mas assim que souberam, tudo mudou.
A atmosfera dentro de Waverith ficou tensa, sufocante até, enquanto os Cerveau ficavam furiosos por alguém ter ousado matar seus integrantes sem hesitar, sem medo, sem se importar.
E, com a delicada pista que Kaden deixou, apontando diretamente para a família Venil, a relação já tensa entre eles finalmente entrou em colapso.
Os Venil sabiam que estavam sendo usados. Sabiam que alguém jogava um jogo muito maior do que eles e simplesmente usou sua insatisfação como combustível, mas, naquele momento, eles já não se importavam mais.
De repente, rebelaram-se, rompendo os laços com os Cerveau, rejeitando sua autoridade, seu domínio.
Era um movimento arriscado.
Não… era algo mortal.
Pois, menos de uma semana depois, os Venil foram exterminados.
Sem misericórdia.
O que sobrou foi um campo de batalha de corpos e ruínas, e quando as pessoas chegaram para investigar, tudo o que encontraram foi o resultado de uma “guerra interior”. Irmãos matando irmãs, pais massacrando filhos, caos e loucura rasgando tudo de dentro para fora.
Quem acreditou nisso?
Ninguém.
Todos sabiam.
Sabiam que os Cerveau os manipulavam por dentro, distorcendo suas mentes como brinquedos quebrados, usando sua própria lealdade e dor para se destruírem.
Mas, mesmo sabendo disso, ninguém fez nada.
Porque ninguém queria ser o próximo.
Assim, os poderosos mentiam abertamente para a população comum, alimentando-os com histórias, enquanto o povo concordava com medo, fingindo acreditar.
E desde aquele dia, ficou mais difícil para Kaden eliminar os Cerveau errantes. Todos haviam retornado ao seu território, alguns até usando artefatos rúnicos que dificultavam serem alvos.
Porém, para Kaden, isso não importava.
Porque ele já tinha alcançado seu objetivo.
Ele queria garantir que os Warborns fossem a última coisa na cabeça dos Cerveau.
E neste momento…?
Os brutais Warborns nem eram uma nota de rodapé.
O foco deles agora estava inteiramente em uma coisa.
— Conte-me. Quem é o Enviado da Morte? — perguntou Brain, com a voz fria, sem emoção, mas afiada o suficiente para cortar aço, enquanto se sentava na sala de reuniões dos Cerveau.
A sala de reuniões estava imersa numa calma clínica. Branco e azul, serenidade e controle, tudo projetado para refletir a mente e sua lógica.
Pendurado acima deles, uma luminária em forma de cérebro humano, pulsando com uma suave chama azul, lançando luz espectral sobre o ambiente.
O chão era uma cortina branca, impecável, sem marcas. A mesa, enorme e impecável, parecia um altar cirúrgico, e no centro dela, gravada com precisão perturbadora, estava a insígnia dos Cerveau — um cérebro azul vibrante, pulsando levemente com runas.
No extremo da mesa, Brain Cerveau, sua presença dominava o espaço como um Deus que governava pelo silêncio.
À sua frente, sentavam-se outros seis. Três homens. Três mulheres.
O Conselho Sináptico.
As Seis Loberas de Poder.
Kaden nunca havia visto esse encontro, mas, se estivesse ali, os reconheceriam imediatamente, pois esses seis não eram apenas elites — eram a mente e a vontade dos Cerveau em si.
Brain questionou novamente, e desta vez, um homem na casa dos trinta respondeu. Com cabelos e olhos azuis característicos, óculos com armação branca repousando ordenadamente no nariz, seu terno branco entrelaçado com finos fios de azul que brilhavam como veias.
Usava luvas brancas perfeitas e se comportava como um nobre estudioso que há muito transcendeu o campo de batalha.
Era Neron Cerveau, O Lobo Frontal, também conhecido como O Estrategista.
— Não deveria perguntar à nossa querida Vaela? — disse Neron, com uma voz tão fria quanto a de Brain, enquanto seu olhar se voltava para a mulher do outro lado da mesa.
Ela era bonita e enigmática. Seus cabelos azuis caíam perfeitos, mas seus olhos eram algo completamente diferente — brilhando suavemente, como se refletissem um universo que não pertencia ao presente.
Vaela Cerveau, O Lobo Occipital, também conhecida como A Visionária.
Ela não disse nada. Não piscou. Não se moveu. Simplesmente olhou fixamente à frente, como se essa reunião não a concernisse.
E ninguém se surpreendeu.
Todos aqui conheciam sua natureza.
Mas Brain ainda se voltou para ela.
— Vaela — disse, com voz plana. — O que você vê?
Por um momento, silêncio.
Depois ela virou seus olhos brilhantes para ele e respondeu, simplesmente:
— Morte.
O ambiente congelou.
Não de medo.
Mas de familiaridade.
— Ah, céus, isso de novo? Chega dessa risadinha enigmática — uma voz alta e emotiva interrompeu, com tom irritado.
Todos se voltaram para a fonte — Ziriel Cerveau, com um vestido vibrante e colorido, cabelos azuis flamejantes, emoções à mostra, livres e selvagens.
Ela era O Sistema Límbico, também conhecida como A Controladora das Emoções.
Era o caos encarnado.
Totalmente oposta a Vaela, de todas as formas.
Ninguém se incomodou em reagir ao seu ataque de raiva. Era da sua natureza.
Mas até Brain começava a ficar cansado.
— Seja mais precisa — ordenou com firmeza.
Vaela não hesitou.
— Não consigo ver nada. Sempre que tento, tudo que vejo é morte. Uma maré de morte. Sem fim. —ela fez uma pausa—
— Preciso de uma âncora. Algo real. Uma parte dele que me ajude a localizá-lo claramente, sem todas essas mortes como cortina.
— Seria sangue suficiente? — Neron perguntou, com os dedos entrelaçados, refletindo a chama de cima com as luvas.
— Sim.
— Então, vamos dar a ele o que deseja — disse Neron, sorrindo friamente. — Parece que ele está nos mirando de qualquer jeito.
— Vamos atraí-lo oferecendo mais presas. Mas desta vez, vamos garantir que ele sangre.
Neron se virou à direita, onde um homem em silêncio permanecia, sentado.
Cabelos longos e azuis presos em um rabo de cavalo, camisa branca simples, olhos sem emoções.
Lucan Cerveau, O Cerebelo, também conhecido como O Executor.
— Você irá segui-lo nas sombras. Não o mate — apenas deixe-o sangrar. Mas, para manter a aparência...
O sorriso de Neron se aprofundou.
— …finja que pretendemos interrogá-lo. Faça ele achar que o capturaremos, e então—quando resistir—vamos coletar seu sangue para Vaela.
Lucan assentiu.
Sem palavras.
Sem hesitação.
Apenas obediência.
À esquerda, outro homem ficou em silêncio, observando tudo ao seu redor.
Era mais velho, muito mais velho — cabelos azuis entrelaçados com branco, olhos como oceanos profundos que já viram demais.
Calix Cerveau, A Lóbula Temporal, também conhecido como O Arquivista.
Avô de Selene.
Permaneceu em silêncio, ouvindo.
— Mas isso ainda não será suficiente — continuou Neron —
— Precisamos convocar uma reunião. Reunir todos os Patriarcas de famílias vassalas sob nosso comando e controlá-los mentalmente.
— Vocês viram o que aconteceu com os Venil. Calix precisou editar manualmente algumas memórias deles para levá-los a se matarem. Foi um gasto inútil de esforço.
— Então, vamos controlar os líderes diretamente para impedir qualquer rebelião iminente de suas famílias.
— Não queremos surpresas mais.»
— Apoio essa ideia — disse Ziriel, levantando a mão.
Um a um, todos concordaram.
Depois, voltaram o olhar para quem realmente importava.
Pois, se todos aceitassem, menos o cérebro… não faria diferença.
Mas, para sorte deles…
— Eu aceito — disse Brain, e com essas duas palavras…
Os Cerveau se moveram.