
Capítulo 126
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Depois de matar Selene, Kaden não parou por aí.
Ele pegou todos os pertences dela e os colocou bem perto do território da Família Venil.
Uma família sob a bandeira do Cerveau, no mesmo nível que a atual família Thornspire.
Não eram particularmente fortes, mas também não eram fracos.
A razão pela qual Kaden escolheu essa família foi simples — eles mantinham uma relação bastante delicada com o Cerveau, e tudo isso tinha origem em Nuke — aquele bastardo sorridente e hipócrita.
Aquele cara, querendo treinar suas habilidades baseadas na mente, convidou o herdeiro da Família Venil como hóspede — cordialmente, educadamente — só para usá-lo como cobaia.
O pobre rapaz acabou ficando em coma cerebral, porque Nuke ainda não era bom o suficiente com suas habilidades.
O Venil exigiu justiça.
E tudo que o Cerveau deu foi uma poção de cura e uma despedida educada, como se todo o incidente tivesse sido quase sem importância para eles.
Era como se eles não se importassem nem mesmo em fingir valorizar a vida ou o orgulho de seus vassalos, e esse mesmo incidente fez com que todos os membros mais importantes do Venil desprezassem o Cerveau até a alma.
Porém, eles não eram as cegas.
Sabiam que eram fracos demais para retaliar, então cerraram os dentes e continuaram a servir com sorrisos educados, que prometiam a ruína no momento em que uma oportunidade surgisse.
O Cerveau também sabia disso.
Mas não ligavam, pois tinham olhos por toda parte.
Achavam que não seriam pegos de surpresa.
Mais uma vez… acreditaram nisso.
Kaden usou essa insatisfação latente a seu favor.
Ele não colocou diretamente os pertences de Selene dentro da propriedade Venil, isso seria muito óbvio, muito descuidado.
Em vez disso, colocou-os numa distância suficiente — suficiente para não implicar diretamente, mas perto o bastante para, se alguém rastreasse a direção de onde o perpetrador veio, apontaria discretamente em uma única direção… a Família Venil.
Um movimento bem sutil.
Feito isso, fez Rory destruir os pertences de Selene usando seus poderes de ilusão, deixando-a parecida com uma dessas criaturas exóticas do tipo cão branco que o território Venil costuma dominar,
Animal do tipo cão com pelagem branca e olhos vermelhos.
Assim que tudo esteve resolvido, Kaden voltou para casa tão tranquilamente como se tivesse acabado de fazer uma caminhada pacífica pelo jardim.
…
De volta ao seu quarto, Kaden estava deitado na cama, de olhos fechados.
Rory estava aninhada ao seu lado esquerdo, comendo feliz umas criaturas semelhantes a vermes que Kaden havia trazido.
Reditha repousava ao seu lado direito, agora recusando-se a sair de perto dele, sempre querendo estar próxima como se competisse com Rory.
Uma espada fofa, de fato.
'Tenho que saturar minha origem. Também preciso ir para o leste e obter o poder da morte.'
'Sem falar em superar meus limites de atributos e dominar minhas habilidades de forma mais aprofundada.'
Seus pensamentos estavam entrando em espiral novamente.
'Ah… eu queria fazer uma pausa e me concentrar em aprender ferraria e runas com calma, mas que droga.'
Não podia ter certeza de como as coisas se desenrolariam.
Não sabia se Goremaw conseguiria limpar aquela maldita masmorra lendária.
Porque se conseguisse… as coisas só ficariam mais difíceis.
'O Cerveau ficará mais abalado com a morte de uma figura tão central… e minha família vai gerar caos por toda parte, dificultando ainda mais que eles pensem claramente.'
Mas nem mesmo isso seria suficiente.
Não contra manipuladores como o Brain, nem contra uma família como o Cerveau que valoriza reputação mais do que sangue.
Então, Kaden faria o que fez na sua última vida.
Arruinar a reputação deles.
E como?
Claro…boatos.
Boatos eram realmente diabólicos.
Se tentassem se defender, as pessoas sussurrariam: por que eles estão defendendo tanto? Talvez seja verdade.
Se permanecessem em silêncio, então as pessoas concordariam: viu? Eles não negaram. Deve ser verdade.
Não importava o que fizessem, seriam julgados.
E com o número de inimigos que já tinham… Kaden só precisava plantar a semente.
Os outros a cultivariam para ele.
Essa tática não funcionaria contra os Warborn.
Porque todo mundo já sabia quem eram os Warborn.
Idiotas. Sem cérebro. Honrosos. Amantes de guerra.
Uma clã que não dava a mínima para reputação.
Como espalhar um boato sobre pessoas que nem se importam com o que os outros pensam?
Kaden deu uma risadinha suave.
'Acho… que há uma certa força nisso também.'
Mas, no final, todo o pensamento sobre forjar, moldar e runas teria que esperar.
O primeiro passo era garantir a segurança da sua família e saturar sua origem.
Depois, ele voltaria para Fokay, começaria sua busca pela evolução, e finalmente dedicaria tempo para aprender essas profissões.
Decidido sobre seu rumo, Kaden fechou suavemente os olhos — finalmente se permitindo descansar desde que voltou de Fokay.
E enquanto mergulhava no reino dos sonhos, um sorriso zombeteiro surgiu em seus lábios.
'Aposto que aquela princesa ainda está naquela floresta, esperando eu voltar pra tentar me capturar ou até me matar…'
'Hehehe… espere por mim aí, voz dourada.'
…
O dia amanheceu.
Família Caelion.
Dentro de uma sala em ruínas, com janelas quebradas, paredes rachadas e a estrutura da cama corroída pela ferrugem, um jovem de cabelo vermelho e olhos avermelhados encarava seu reflexo em um espelho quebrado.
A imagem refletida estava distorcida, o vidro rachado dividia sua face. Mas dá para perceber claramente que era…
Zaki.
De pé na sala, tão generosamente designada a ele por sua família querida e amorosa.
Porém, Zaki, já acostumado, quase não ligava mais.
Depois de tudo que aconteceu com Kaden, Zaki tomou uma decisão.
Ele iria assumir o controle de sua própria vida.
Sério. Motivado. Determinado.
Decidiu seguir o conselho de Kaden, aquele que Kaden lhe deu casualmente no caminho de volta para Waverith.
A ideia de estabelecer metas pequenas, de alcançá-las, de manter a disciplina, independentemente do sentimento ou humor.
Disciplina.
Esse era o termo.
E era exatamente isso que ele precisava.
Porque, como Kaden lhe disse: se você promete fazer algo, e realmente faz, mesmo que não esteja afim…
…não deveria se sentir orgulhoso de si mesmo?
Pelo menos um pouco?
Porque você manteve sua palavra.
Porque não traíu a si mesmo.
E aos poucos, ganhará autoconfiança.
Essa era toda a essência.
Então agora, toda manhã, Zaki fazia uma promessa para si mesmo.
De olhar no espelho e dizer as palavras.
"Sou confiante."
Simples.
Firme.
Mesmo que parte dele duvidasse, não importava.
Ele diria de novo. E de novo. E de novo.
Até realmente acreditar nisso.
E quando enfim acreditasse…
A sua Origem responderia.
Pois a crença, para alguém como ele, era poder.
E assim ele continuou, sem parar, sem hesitar.
Disciplinado.
Depois de tudo, como Kaden tinha dito…
Um objetivo sem disciplina não passa de fantasia.