Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 129

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Propriedade Warborn

Dentro de seu quarto, Kaden permanecia em silêncio, como de costume, sentado na beirada da cama, com os dedos habilidosamente apoiados sob o queixo.

Ele olhava à sua frente com uma expressão pensativa e, para quem estivesse de fora, parecia que ele estava encarando o vazio.

Mas, é claro, não era isso. Ele estava tranquilamente checando seus status atuais após dois meses inteiros de eliminar Cerveau errantes e distribuir os pontos que conquistara com tudo isso.

[Status]

For: 201 → 301

Agi: 301 → 350

MP: 301 → 350

Int: 301 → 350

Vont: 236 → 340

Per: 201 → 301

[Pontos de Status Restantes: 0]

[ Moedas da Morte Restantes: 14.000]

Ele os observava silenciosamente e, sem precisar verbalizá-los, já podia sentir a energia bruta de poder em cada estatística—uma força pura e tangível que deformava seu corpo, seus sentidos, sua mente.

Ele já aprendera como manipular seus atributos para criar efeitos específicos ou explosões de força, e quanto mais altos eles ficavam, mais eficiente ele podia usá-los e refiná-los como ferramentas, moldando-os em novas técnicas que distorciam as regras sem quebrá-las.

E a coisa que mais o surpreendia?

Era sua estatística de inteligência.

Porque, com ela sozinha, Kaden podia perceber que estava a um suspiro de evoluir o Soulbrand para um nível completamente novo.

"Nada mal, nada mal," murmurou Kaden, fazendo Rory—que pousava ao seu lado—erguer sua cabecinha de corvo encantado e olhá-lo com curiosidade brilhante.

"O que não está ruim, mestre?" perguntou ela, batendo as asas e circulando preguiçosamente ao redor da cabeça dele como uma criança curiosa.

Já fazia tempo que Kaden se acostumara com essa Rory — a versão emotiva e intrometida, que nunca parava de falar uma vez que começava.

"Só algumas coisas," respondeu com simplicidade.

Mas isso não ia impedir Rory.

De jeito nenhum.

"Mestre! Quando vamos caçar aqueles caras de cabelo azul de novo? Foi tão divertido! Vamos fazer de novo, por favor!" ela chirria animada.

"Você viu quantas de minhas habilidades melhoraram, mestre?! Agora a Rory consegue fazer eles chorar de dor sem nem tocar neles!"

"Hehehehe!"

Rory continuava Tagarelando, orgulhosa, listando suas conquistas na arte da tortura como uma garotinha exibindo seus desenhos.

Que meninazinha malandra.

Kaden não pôde deixar de observá-la por um momento, balançando a cabeça lentamente.

"Você é tão fofa, mas é uma sanguessuga de coração, Rory... Quem foi que te ensinou isso?" perguntou, com uma expressão de dor genuína, como se não conseguisse aceitar que algo tão pequeno e adorável pudesse se alegrar em causar dor.

Rory parou ao ouvir suas palavras, piscando rapidamente, depois inclinou a cabecinha de corvo com um olhar que dizia: esse cara leva jeito sério?

Então, obediente, ergueu uma de suas asas e a apontou diretamente para Kaden.

Com a voz mais inocente que conseguiu:

"Foi você."

Kaden piscou.

De novo.

"…Agora estou sendo acusado por algo que nem fiz?" disse, olhando ao redor, "Reditha! Venha aqui e salve a reputação do seu mestre querido."

E, como se fosse convocada pela dedicação pura, Reditha apareceu no ar, circulando suavemente em sua direção com movimentos carinhosos, sua lâmina refletindo suavemente à luz do sol filtrada pela janela.

Kaden assentiu, aliviado.

"Sim, ela está mentindo, né? Eu sabia. Eu sabia. Não sei quem corrompeu a cabeça dela, mas eu vou dar um jeito nela."

Ele olhou para Reditha novamente, pensativo.

"Hm... Devo proibir ela de torturar as pessoas?"

O corpo de Rory demonstrou um pequeno sobressalto.

"Uma semana? Hmm, uma semana talvez não seja suficiente, você acha?"

"Vamos colocar um mês, então? Ainda não? Uau, Reditha, você é bem rigorosa."

"Um ano—"

"NÃOOOO!!" Rory gritou enquanto corria para cobrir a boca com as asas, em pânico, com medo do que ele pudesse dizer a seguir.

"Não foi você, mestre! Foi a Daela! Sim! A Daela me ensinou! Ela é muito má! Muito, muito má!" ela declarou, fazendo cabeças frenéticas que a faziam parecer uma galinha possuída.

Os olhos de Kaden se arregalaram.

Ele sorriu.

Um sorriso perigoso, malicioso, malévolo.

E o corpo de Rory travou imediatamente.

Porque, no instante em que aquele sorriso apareceu, ela soube.

Algo, alguém, estava atrás dela.

Ela virou lentamente a cabeça... e lá estava Daela.

De pé, silenciosa, vestindo seu uniforme de treino preto, corpo tonificado e firme, expressão sem emoção e fria—acompanhada por Eimi, que sorria para Rory como se tivesse acabado de ganhar na loteria.

"Que coisa horrível de dizer sobre minha senhora, Rory," disse Eimi docemente, a voz carregada de falsa gravidade, como se Rory tivesse acabado de confessar um crime nacional.

Ela olhou nos olhos de Kaden do outro lado da sala.

E sorriram um para o outro.

Não com os lábios.

Mas com os olhos.

Aquele olhar secreto e reluzente, que só co-conspiradores usam ao armarem uma cilada por diversão.

Rory quase desmaiou de puro pânico.

"MESTRE! OLHE PARA ELA, VAI ME MATAR!" ela gritou, correndo para se esconder atrás das costas de Kaden como uma soldada recuando atrás de uma parede, sem perceber que tudo isso era plano dele desde o começo.

Kaden sorriu de canto.

"Daela… Eu não sabia que você estava ensinando minha covarde de estimação a fazer essas coisas terríveis," disse, suspirando dramaticamente como um pai frustrado.

O olho de Daela piscou enquanto ela encarava Rory de novo, sua mente agora pensando seriamente em como desmembrar aquela corvo mentirosa e ainda assim fazer parecer um acidente.

'Como ela ousa manchar minha imagem na frente do meu irmãozinho?'

Eimi e Kaden já estavam rindo silenciosamente.

Mas Rory?

Rory já estava morrendo.

"Isso já não é mais brincadeira! Ela está mesmo planejando meu assassinato!!" ela chorou.

E eles riram.

Essa cena ficou por um tempo até que, por fim, Daela falou.

"Ouvi de pais que você vai viajar em breve… para saturar seu Núcleo de Origem," ela disse calmamente.

Kaden assentiu.

"Então vamos treinar," ela acrescentou, fazendo uma pausa.

"Mostre-me suas habilidades."

Ele sorriu.

"Conforme desejar."

Mais tarde, eles estavam de pé um de frente para o outro no campo de treinamento de Warborn.

Era exatamente o que você imaginaria de uma família como a deles—um campo ao ar livre, com sol de Darklore derramando luz como ouro derretido sobre pedra preta forjada pelos ferreiros de Warborn, cada lajota reforçada para suportar impacto monstruosos.

Até as paredes irradiavam força.

Kaden ficou de frente para Daela.

Do lado, Rory, Eimi, Sabine e os pais observavam atentos.

Garros e Serena, especialmente, estavam curiosos.

Eles queriam ver até onde seu mais novo filho tinha chegado.

Rory, acomodada com conforto no ombro de Garros, que sorria orgulhoso e ansioso.

"Se o Dain estivesse aqui, daríamos uma guerra de verdade em família," ele disse com saudade, acariciando suavemente a cabecinha de Rory.

Serena suspirou.

"Dain… aquele menino problema."

"E esse é seu herdeiro, aliás," acrescentou, lançando um olhar a Garros que torceu os lábios.

"Pois é… mas aquele bastardinho nunca fez nada à altura," murmurou Garros.

"Kaden fez mais como segundo filho do que ele alguma vez fez."

"Então por que não faz do Kaden seu herdeiro de uma vez?" Serena perguntou com um sorriso sutil.

Garros olhou para ela por um momento.

De repente riu.

"Você claramente consegue ver que o Kaden não tem interesse em governar. Ele provavelmente vai dizer algo como—'Vou procurar o Dain e trazê-lo de volta eu mesmo.'"

Ele fez uma pausa.

Depois olhou para Serena com um sorriso largo.

Ela retribuiu.

"Você está pensando o que eu estou pensando, minha querida?" perguntou Garros.

"Acho que sim, meu querido," respondeu Serena.

E então…

Riram juntos ao mesmo tempo.

Uma risada alta e assustadora que sacudiu o ar ao redor deles.

Pareciam tão felizes por ter encontrado alguém com quem compartilhar a responsabilidade.

Pais tão respeitáveis.

Mas logo, o riso desapareceu.

E o duelo começou.

—Fim do capítulo 129—

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