
Capítulo 124
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
"Neste momento, eu sou apenas um irmãozinho vingativo, minha querida", disse Kaden, com a voz baixa e fria enquanto olhava para Selene, que estava apavorada, querendo fugir, fugir, rastejar para longe dele como se sua vida dependesse disso—porque realmente dependia.
No instante em que ouviu essas palavras, algo dentro dela quebrou, uma mente fragmentada tentando reorganizar suas peças despedaçadas para fazer sentido de tudo aquilo.
Irmãozinho vingativo… Enviado da Morte… Filha do Sangue…
Não precisava ser especialmente inteligente para perceber agora.
"I-It was you… você é o Enviado da Morte… salvou Daela…?" perguntou, com a voz tremendo tanto que mal conseguiu formar uma frase completa sem se desfazer no meio, cada palavra caindo como vidro quebrado.
E então, tudo fez sentido.
Suas pupilas dilataram ao perceber… ela tinha sido enganada.
Não, todos eles tinham sido enganados.
Cada um deles tinha caído na manipulação, sido controlado, manipulados como marionetes sem sequer suspeitar, porque nenhuma delas jamais imaginou que quem estivesse por trás da identidade do Enviado da Morte… fosse um Guerreiro Nascido.
Um pirralho de quinze anos.
Uma criança.
Um maldito Guerreiro Nascido.
Um Guerreiro burro, grosso, direto, que valoriza a honra, que não pensa, que não tem cérebro.
Alguém ousou enganar o Cerveau?
Não.
Não.
Não.
Para ela, era mais do que mero jogo de mentiras — era humilhação encarnada, um insulto não só ao nome dela, mas a todo o legado deles, à própria essência da sua existência.
E, então, ela perdeu a compostura, avançando, arranhando, gritando como se sua loucura pudesse alterar a realidade agora gravada na sua alma, lutando contra Kaden como uma fera desfigurada, sem nada a perder.
Mas Kaden não se moveu.
Ele simplesmente ficou ali. Frio, imóvel, observando com aquela indiferença silenciosa que gritava mais alto que qualquer grito.
E naquele momento, ele aprendeu algo importante.
Estereótipos.
Só porque alguém vem de um grupo específico, não significa que seja sua personificação, e tratá-lo como se fosse só isso é uma aposta na ignorância.
E se você estiver errado?
Então, você paga o preço.
'Nunca generalize. Cada pessoa é um indivíduo. Pode carregar traços do seu grupo… mas também pode ter algo a mais, ou a menos. Observe. Aprenda. Diferencie…'
'Selene cometeu o erro de fazer suposições. Eu não vou.'
Kaden pensou, guardando essa verdade fundo na mente, como mais uma lâmina afiada no seu arsenal crescente.
Porque aprender com os próprios erros é bom.
Mas aprender com a dor dos outros… isso é melhor ainda.
E com esse pensamento final, decidiu que era hora de acabar com isso.
Ele levantou a mão direita e Reditha apareceu na mesma velocidade de um pulso, seu corpo reluzente pulsando suavemente com uma luz vermelha escura, que fez Selene congelar no meio da luta.
Seus olhos fixaram na lâmina.
E ela riu.
Vazia. Quebrada. Amarga.
"Hahaha… vou morrer nas mãos de um Guerreiro Nascido?" murmurou, com a voz vazia, como se sua mente tivesse saído do corpo e a tivesse deixado para trás.
Ela continuou rindo, com insanidade transbordando de cada frase.
Mas…
"Bem, sim, com certeza", respondeu Kaden casualmente, inclinando a cabeça com um sutil sorriso, "Mas primeiro, tenho que fazer você sentir o que fez com minha irmã, não é?"
Ele se inclinou levemente, a voz quase brincalhona,
"Deixe-me lembrar… foi o braço direito e a perna esquerda dela? Ou a mão esquerda e a perna direita?"
Selene estremecer de repente, violenta, enquanto sua pele parecia ser atravessada por uma faca congelada por causa da voz dele.
Ela não conseguiu falar. Não precisava.
Kaden deu de ombros, indiferente.
"Se você não responder…"
Ele sorriu de canto, de forma malévola.
"Então, vou apenas cortar todas."
"NÃO WA—!!"
"Não dá, minha querida", interrompeu Kaden sem misericórdia.
Então, suavemente,
"Reditha. Desanime sua lâmina ao máximo. Quero que ela sinta. Devagar. Cruelmente."
Reditha entoou um som de satisfação.
Ao seu lado, Rory assistia com olhos arregalados e brilhantes—olhos sem medo, apenas admiração.
'Quero ser como o Mestre…', pensou ela, sua mente inocente distorcida pelo puro espanto que sentia, achando que torturar era o auge do estilo.
Que influência horrível Kaden tinha.
Que bicho perigoso ela estava se tornando.
E então, Kaden se moveu.
Uma por uma.
Ele cortou os membros dela lentamente, com método e sem misericórdia.
O som de carne rasgada e fatias semi-tDNAnicas ecoou repetidamente, misturando-se aos gritos incessantes de Selene, que pareciam abalar até as paredes do porão à prova de som.
Se Rea estivesse aqui, ela se afogaria no medo cru que emanava de Selene. Um medo paralisante e que destruía a mente, do menino que estava à sua frente.
Um demônio.
Era isso que ele era.
Isso era tudo que ela conseguia entender.
Essa criança não era humana.
Não podia ser.
E logo, tudo terminou.
Selene jazia no chão, sem braços e pernas, com o tórax fraco, rosto pálido, coberto de suor, sangue e lágrimas.
Ela não morreu.
Mas não estava longe disso.
Kaden manteve ela viva com algumas gotas de uma poção especial, suficiente só para sustentá-la.
"Ah… di… демônio… demon… demon…" sussurrou, com os olhos nublados, a boca espumando, a mente completamente destruída.
Ela repetia isso sem parar, como se fosse a única palavra que ainda tinha na memória.
Kaden se agachou ao lado dela.
"Sou um demônio? Então, serei o demônio para você, Cerveau", murmurou frio, colocando a mão sobre sua cabeça trêmula.
"Agora, minha querida… me diga algo útil."
E então,
"Olhos da Mente."
Ele ativou seu talento.
Instantaneamente, veio a um outro espaço. Era um vazio azul em frangalhos, onde telas de memórias piscavam como inúmeras televisões ligadas ao mesmo tempo.
Cada memória piscava, dançava, exibindo uma coisa e logo mudando para outra.
Mas as fissuras no espaço… estavam por toda parte.
A mente de Selene estava desmoronando.
Kaden estreitou os olhos e elevou ao máximo sua percepção, focando em cada memória, filtrando e peneirando.
E então, franziu a testa.
Pois, em todas as memórias… nenhuma tinha o envolvimento de Brain Cerveau.
Nenhuma.
Mesmo ela tendo claramente mencionado que conversava com ele, que tinha sido guiada por ele, obedecido a ele.
Mas as memórias tinham sumido.
'Ele está apagando a própria presença até na mente de seus próprios seguidores…'
'Ele não confia em ninguém. Nem mesmo neles.'
Kaden rangeu os dentes.
Mas não parou.
Ao contrário, aprofundou mais, aprendendo a estrutura da família Cerveau, suas divisões de poder, aliados, inimigos e suas filosofias perigosas e manipuladoras.
Viu as trocas de mensagens dela com Laye, especialmente a conversa sobre Goremaw… e sobre o lugar chamado Deserto dos Perdidos.
"Masmorras lendárias e míticas… terras de herança deixadas por seres antigos. Bestas e humanos, igualmente", murmurou Kaden, assistindo à conversa entre Selene e Laye.
"Locais onde se podem encontrar Origens, afinidades raras, tesouros impossíveis…"
"Se Goremaw conseguir, vai ser um desastre", disse, com a testa mais franzida.
Deserto dos Perdidos.
Gravou o nome na memória.
E, ao aprofundar a investigação, descobriu informações sobre criaturas estranhas, com sangue único, perfeitas para fazer rúnicas.
E havia uma em particular, uma besta com uma afinidade que fez seu sorriso lentamente reaparecer.
"Minha sorte é definitivamente divina."