Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 116

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Fokay – Igreja do Sofrimento

"AAAAAAAAAAH!!!!"

"POR FAVOR! NÃO!!!"

Pedidos de ajuda—de desespero, de agonia, de terror—ecoavam pela câmara escura com uma intensidade insuportável, que até mesmo as paredes pareciam tremer, como se também não aguentassem suportar tanta dor.

Eles gritavam. Choravam. Imploravam. Maldiziam. Ameaçavam. Ofereciam tudo, qualquer coisa, só para acabar com o tormento.

Mas para quem eles estavam suplicando?

Ela não hesitou.

Uma mulher bonita sentava-se calmamente numa cadeira de madeira diante deles. Seus cabelos brancos fluíam por suas costas como luz do luar esculpida na neve, e seus olhos carmesim—brilhando como rubis preciosos—observavam sem emoção.

Seu hábito cinza da igreja estava impecável, ajustado firmemente ao corpo de maneira que era até sensual demais para o que se esperaria dentro de uma igreja.

Rea Thornspire. Nossa querida noiva.

Ela estava ali, entediada, indiferente às figuras ensanguentadas e quebradas que estavam acorrentadas diante dela, seus corpos mergulhados em suor e vergonha, tremendo sob sua presença.

Ela não piscou.

Ela não se sobressaltou.

Simplesmente suspirou interiormente.

'Quantas horas já se passaram mesmo?' ela se perguntou, mais irritada com o tempo do que com o sofrimento ao seu redor, sua mente já se desviando para o próximo passo de seu plano, ansiosa para retornar ao seu quarto e seguir em frente.

Ela não se importava mais.

Nem com a dor deles.

Nem com seus gritos.

Nem com as crianças, as mulheres ou os homens trêmulos que ela atormentava todos os dias.

Por quê, você pergunta?

Não foi o que eu já disse?

Seres humanos são criaturas estranhas, assustadoras. Seu potencial é ilimitado, mas é a mente que assusta mais de todas. Porque, com tempo suficiente, exposição suficiente, ela se acostuma a qualquer coisa.

Até mesmo isso.

Até mesmo os gritos.

Até mesmo a tortura.

Então, o que você espera de uma garota que precisa despertar todos os dias e partir pessoas usando o medo contra elas, levando-as ao limite várias vezes, por horas a fio?

Claro que ela se adaptou.

Não porque ela desejasse particularmente. Não porque isso lhe agradava. Mas porque, se não o fizesse… se permitisse sentir mesmo uma fração do que eles sentiam, ela se afogaria nisso. Se afogaria na tristeza. Na culpa. Na fraqueza.

Então, ela tomou uma decisão.

Ela desligou tudo.

E assim, Rea Thornspire virou uma máquina. Eficiente. Precisa. Fria.

E ela se destacou nisso.

De tamanha forma que seu status na igreja mudou. As pessoas começaram a olhar para ela com respeito… e outras com algo muito mais. Porque, numa igreja fundada no sofrimento, no medo, no desespero—qual seria o poder maior do que aquele que poderia manipular tudo isso sem pestanejar?

Rea não apenas sobreviveu.

Ela se destacou.

No começo, foi difícil. Ela não estava acostumada com os holofotes. Sua família caiu em desgraça, descartada como lixo, então toda atenção a deixava nervosa. Ela tentou evitar isso.

Mas, com o tempo…

Ela se ajustou.

Ela se adaptou.

E, ao perceber que a influência dentro da igreja vinha da percepção… quando compreendeu que a reputação era uma forma própria de moeda…

Tudo mudou.

Rea começou a jogar o jogo.

Ela ria com suas irmãs— risos carregados de tristeza. Ela sussurrava medo em seus ouvidos—de leve, brincalhona—mostrando o poder suficiente para mantê-las interessadas, ligadas, querendo mais.

E logo, ela acumulou seguidores.

Uma base de fãs.

E com seguidores veio… dinheiro.

Ela começou a desviar doações dos ingênuos. Manipulava suas admiradoras com sutileza e charme, transformando sua devoção em riqueza.

E, assim, ela deixou de ser pobre.

Mas…

'Quero mais,' ela pensou enquanto seu dedo tremia—mal perceptível, mas suficiente para enviar uma faísca de dor ao rapaz acorrentado à sua frente, que gemeu de agonia enquanto lágrimas e meleca escorriam livremente pelo rosto.

Ela não olhou para ele.

Não lhe dedicou nem um segundo de atenção.

Sua mente já estava em outro lugar, calculando como subir ainda mais, como enraizar-se mais fundo neste santuário sagrado de sofrimento e tornar-se algo muito maior.

Eventualmente, seu turno acabou. Ela se levantou, saiu da sala e voltou às suas aposentos particulares—agora maiores, decorados com luxos adquiridos por sua nova posição.

Graças à devoção cega.

Ela se despediu, mergulhou em um banho quente, trocou por roupas macias de seda e deitou-se na cama com um suspiro de cansaço e ambição silenciosa.

"Parece que não tenho escolha," ela murmurou para si mesma, olhando para o teto cinza acima dela.

"Preciso me aproximar da Mãe Esmere."

A líder da Igreja. A guardiã do próximo nível de poder. Se Rea queria subir ainda mais, precisaria conquistar a confiança… o carinho… o favoritismo de Esmere.

'Primeiro, vou observá-la. Entender. Ler ela. Cada peculiaridade, cada fraqueza.'

Só ao conhecê-la poderia Rea reivindicá-la.

Ela fechou os olhos com um suspiro suave.

"Ah… mais um sonho com aquela deusa chorosa," ela sussurrou, um sorriso cansado surgindo nos lábios pouco antes do sono dominar.

E sim.

Ela sonhava com ela novamente.

Mas desta vez…

Uma lágrima negra escorreu pela bochecha de Rea.

Geleira da Lua

Longe daquele lugar de gritos e correntes, Meris sentou-se de pernas cruzadas sobre uma rocha cristalina de luz congelada. Quieta como uma estátua. Meditando há dias.

Ela não havia se mexido. Não falado. Não comido.

Estava se tornando uma com o frio, sincronizando sua respiração com a geada, e já, uma visão começava a surgir em sua mente—uma técnica, uma arma de gelo e elegância, letal e bela.

Quando abriu os olhos, eles brilharam como espelhos divinos—prateados, polidos ao perfeição, refletindo o mundo com uma clareza implacável.

Seu cabelo roxo cintilava com cristais de geada, fios beijados pela luz da lua e pelo brilho da neve, conferindo-lhe uma beleza etérea e distante.

Antes dela, estava Lari, sua fiel criada.

"Minha senhora. Já terminou?" ela perguntou suavemente.

Meris sorriu.

"Claro, Lari! Você sabe que sou uma gênio," ela disse, rindo sem vergonha. "E encontrei a técnica perfeita."

Seus olhos brilhavam de orgulho, como se desafiando Lari a perguntar.

Os lábios de Lari mexeram-se levemente.

"E qual seria essa técnica?"

Meris radiou de orgulho.

"Vou criar uma Lotus de Gelo… que congela meu oponente de dentro para fora."

Ela esperou a admiração. Os elogios.

Mas tudo o que recebeu foi um olhar vazio.

"…Você só copiou a técnica da Lotus Vermelha do jovem mestre Kaden e a adaptou à sua afinidade, minha senhora?"

Meris tossiu.

"Coincidência. É só uma coincidência," ela murmurou rapidamente.

"E, aliás, Kaden é meu homem. Posso copiá-lo. Ele ficaria orgulhoso de mim."

Lari inclinou um pouco a cabeça.

"Desde quando o jovem mestre Kaden é seu homem?"

"…Tenho certeza que você não está sofrendo de envenenamento por ilusão?" ela perguntou, com a voz carregada de fingida preocupação.

O sorriso de Meris ficou rígido.

Ela não respondeu.

Ao invés disso, mudou de assunto e disse friamente: "Agora tenho o princípio fundamental. Só preciso de algumas batalhas para refiná-lo."

E então, casualmente—de modo excessivamente casual—

"Vamos procurar aquele bastardinho lascivo."

Lari levantou uma sobrancelha. "E o que vai fazer com ele?"

"Não está óbvio?"

Meris sorriu.

Mas não foi um sorriso doce.

Foi vazio.

Seus olhos prateados, tão sem vida e frios quanto um mar sem sol, brilhavam com o vazio.

"Vou usá-lo como cobaia. Preciso observar como o interior de uma pessoa fica congelado. Em tempo real."

Lari assentiu lentamente, sem se impressionar.

'Minha dama,' pensou ela. 'Apaixonada e doce por Kaden… mas para o resto do mundo?'

Ela não terminou o pensamento.

Ela não precisava.

Porque ela sabia a verdade.

Se ela quisesse…

Meris poderia ser a criatura mais implacável que o mundo já conheceu.

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