
Capítulo 115
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden não conseguiu deixar de se questionar se aquilo tinha sido mesmo uma coincidência.
Como alguém que tinha bastante interesse em fé e religião lá na Terra, ele já tinha ouvido falar sobre o conceito de destino e fado…
Aquele ditado de que tudo o que acontecia com você era predestinado a acontecer, e que nada do que você fizesse poderia mudar aquele desfecho.
Ou seja, se você nasceu para morrer numa data e hora específicas… então, sem dúvida, irá morrer, e nada que você fizer irá impedir isso.
'Sinceramente, se fosse assim, é bastante triste.' pensou interiormente Kaden.
Ele não acreditava muito em destino, e mesmo que existisse…
'Neste mundo sobrenatural, se há seres capazes de controlar o destino, então não é impossível escapar dele e mudá-lo à sua maneira.' acrescentou, por fim, enquanto olhava para a menina trêmula tentando intimidar os goblins com sua galho de madeira balançando.
Seu olhar se voltou para o menino no chão, que nem tentou se defender e, ao contrário, continuava apertando a cabeça com as duas mãos tão firmemente que parecia querer explodir a cabeça.
Ele murmurava dezenas de palavras inaudíveis, repetidamente.
Porém, com o nível de percepção de Kaden, ele as ouvia nitidamente e... ah…
"N-Não me machuque... por favor, não me machuque... Eu vou ser um bom menino... Eu não vou mais olhar nos seus olhos... por favor… por favor… não me bata…"
O garoto de cabelo vermelho não parava de repetir essas palavras em um ciclo interminável.
Ao vê-lo, Kaden já conseguia imaginar algo.
'Uma criança vítima de bullying.' concluiu.
Era bastante óbvio pra ele, já que se via nele mesmo e reconhecia esse jeito de agir diante do perigo.
Elas sempre se ajoelham e entram em um estado de súplica. Pois é assim que foram treinadas a agir.
Para pedir perdão, pedir misericórdia. Só… implorar.
E ali estava, implorando contra bestas que nem sequer conseguem entender o que dizem, enquanto uma garotinha de roupas rasgadas, com cerca de oito anos, ficava na frente dele tentando protegê-lo.
"Que patheticidade." disse Daela, olhando para o garoto de cabelo vermelho com absoluto desprezo. Como se ele fosse a própria sujeira incarnada.
Kaden sorriu com ironia diante de suas palavras.
Ele não podia discordar dela, mas também não podia concordar totalmente—principalmente ao lembrar de sua vida passada.
Mas isso não significava que ele apoiava esse tipo de postura.
"Salva a menina e deixa o garoto lá para morrer." disse Daela, sem um pingo de piedade.
Isso é coisa de guerreiro de verdade.
Eles desprezam tudo que é fraco e covarde.
Kaden balançou a cabeça suavemente enquanto se escondia atrás de uma árvore espessa, reduzindo sua presença.
"Então, irmã, você está sendo muito dura?"
"Vamos ver. A menininha não consegue fazer nada contra esses goblins. Então, ela será ou capturada ou ferida por eles."
"E fico imaginando... o que o garoto fará? Vai continuar se acovardando ou vai reunir coragem para salvar quem tentou protegê-lo, mesmo tremendo de medo?"
"Vamos ver." disse Kaden, com um sorriso discreto.
"E se ele não levantar?" perguntou Daela.
Então, Kaden sorriu com frieza.
"Então, salvamos a menina e deixamos ele morrer."
Se ele mal consegue tentar ajudar quem tentou protegê-lo… o que ele realmente vale?
É melhor deixá-lo morrer, para que possa descansar em paz.
Daela não respondeu às suas palavras e, em vez disso, virou-se para observar a cena trágica.
…
"Zaki! Zaki! Levanta!" disse a pequena Eimi, enquanto tremia na frente dos dois goblins.
Ela tentou chamar Zaki, o menino de cabelo vermelho ainda congelado no lugar, mas nada aconteceu.
Ela rangeu os dentes e segurou o galho de madeira com mais força.
"Não se aproxime! Eu vou te matar se fizer isso!" ela gritou, tentando assustar os goblins, mas era uma atitude inútil.
Os goblins talvez não tenham inteligência, mas tinham instintos—e naquele momento esses instintos gritavam que esses dois eram presas fáceis.
E assim, eles não correram. Ao contrário, avançaram passo a passo, devagar.
Seus rosto verdes, feios e sujos, sorriam largamente, com as línguas de fora, como bestas sem mente.
Não olhavam para Eimi como algo para comer—mas como algo para reproduzir-se.
E Eimi percebeu isso ao notar como seus pênis erectos saíam das saias feitas de folhas.
Era tão nojento que ela teve que recuar, chorando de medo e repulsa.
E naquele instante, os goblins perderam a paciência e logo avançaram em direção a ela.
"AIIII!!!" gritou Eimi instintivamente.
Mas foi inútil. Em menos de cinco segundos, ela foi agarrada por eles.
"Não! Não! Não! NÃO!!!" ela gritou, lutando para se libertar enquanto os goblins rasgavam suas roupas.
Um medo puro e sem filtros tomou conta de seu rosto. Seu coração batia forte enquanto ela se perguntava o que aconteceria se fosse violentada.
Lágrimas começaram a rolar de seus olhos dourados, enquanto ela olhava para Zaki, então—
"ZAKI! CORRE!!!" ela gritou com toda força, suas lágrimas ainda caindo.
Zaki tremeu enquanto sua voz chegava até ele. Lentamente, com medo, ele levantou a cabeça para ver uma cena aterrorizante.
Eimi, segurada por dois goblins, que lambeavam cada parte do corpo dela com olhares lascivos, enquanto riam maniacamente e rasgavam suas roupas restantes.
BATRUM—
O coração de Zaki pulou uma batida.
"O-Que...?" ele lutava para pensar, o fôlego ficando difícil. Começou a tossir, sua cabeça girando.
O coração de Eimi afundou ainda mais ao ver seu estado.
"ZAKI, CORRE por favor! Eu fico bem! Eles não vão me matar! CORRE e volte para os guardas me salvar!" ela repetia, desesperada.
Mas essas palavras nem chegaram ao entendimento de Zaki.
'De novo…?'
'Vou perder alguém que me importa de novo?'
Os pensamentos de Zaki giraram, enquanto ele se lembrava do momento da morte da mãe naquele casarão luxuoso, porém um pesadelo. Lembrou-se dos olhares zombadores dos meios-irmãos e da desdém do pai ao olhá-lo.
Recordou-se de perguntar por quê… por que ele… por que a mãe… O que eles fizeram de errado?
Eram apenas vivendo suas vidas normalmente… por que envolveram eles naquela luta por poder e riqueza… só por quê?
A resposta que recebeu ainda o assombra até hoje.
"p-Porque… sou fraco?" murmurou Zaki, lentamente levantando a cabeça, com os olhos vazios.
Sua mente tinha se apagado por causa do medo.
"Fraco? Fraco…? Fraco…" ele repetia, cada vez mais alto—até que, sem perceber, deu um passo em direção aos goblins.
Os olhos de Eimi se arregalaram de choque.
"NÃO VEM, ZAKI!! POR FAVOR!!" gritou ela, querendo que seu único amigo—aquele que sempre lhe trazia comida—escapasse vivo.
Mas Zaki não ouviu. Na verdade, ele não ouvia nada, nem sabia direito o que fazia.
E talvez por isso ele tenha se atrevido a caminhar em direção aos goblins, pronto para salvar a única pessoa que importava para ele, e quem sempre cuidou dele.
Ele deu mais um passo e…
"Chega." ecoou uma voz, fazendo os goblins pararem na sua ação, ao virarem a cabeça para uma direção.
Lá estava Kaden, com Daela nas costas, olhando para eles.
Ao ver duas pares de olhos vermelhos, assassinos, fixos neles, os goblins tremeram de medo e tentaram fugir rapidamente.
Eimi caiu no chão enquanto fugiam apavorados.
Kaden nem mesmo olhou para eles—e nem precisava, pois Reditha apareceu e eliminou os dois goblins com um golpe preciso.
Ele deu um passo em direção à menina, tentando se aproximar, mas parou.
Eimi já estava de pé, correndo desesperadamente na direção de Zaki.
"Zaki! Zaki! Você está bem?" ela perguntou, com preocupação nos olhos, olhando para Zaki, que, mesmo agora, tentava dar um passo para salvá-la—sem saber que o perigo já havia passado.
Eimi o abraçou forte, e só então ele parou.
"E-Eimi…?" murmurou Zaki, antes—
Sonoro impacto.
Ele caiu no chão, levando Eimi junto.
Mas ela não se importou. Continuou o apertando, como se estivesse lhe transmitindo seu calor.
"Estamos seguros… estamos seguros…" ela sussurrou repetidamente em seus ouvidos.
Kaden e Daela assistiram à cena em silêncio.
Então, Kaden sorriu.
"Bom… ele ainda não está perdido, né?"