Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 114

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Passaram-se dias.

Kaden e Daela ainda estavam naquela caverna, querendo garantir que nenhuma fera os estivesse seguindo, além de esperar a completa recuperação de Daela.

Kaden possuía apenas poções de regeneração de nível raro em seu estoque, e aquilo não era suficiente para regenerar os membros de Daela.

Assim, a única solução era voltar para casa e perguntar aos seus pais ou simplesmente procurar outra alternativa.

Espero que eles tenham em casa.

Passaram esses dias conversando sobre as primeiras experiências de Daela com a Fokay.

Na maior parte, era Kaden falando, mas mesmo assim já era uma conquista ela estar falando.

Porém, o que mais surpreendeu Kaden — ou talvez nem tanto — foi que Daela não nasceu no Império Celestial como o irmão Dain.

Na verdade, ela nem nasceu em terra firme.

Ela nasceu no meio do mar, numa ilha desconhecida pela maioria.

Uma ilha onde todos eram marinheiros.

Sailors com poderes incríveis sobre água, tempestades, relâmpagos.

Eles eram extremamente poderosos, mas também muito reclusos.

A Ilha dos Marinheiros.

Esse era o nome dela.

E levou quase um ano até que ela finalmente saísse daquela ilha.

Mas a situação era ainda pior, pois a área onde ela apareceu pertencia ao Reino dos Elfos — um grupo de seres de cabeças alongadas, arrogantes e muito isolados.

Para efeito de comparação, a primeira área de nascimento de Daela foi um verdadeiro pesadelo. E até hoje ela permanecia próxima dessas zonas, já que o Império Celestial ficava demasiado longe do Reino dos Elfos.

O Império Celestial e até mesmo a Igreja da Tristeza ficavam ao norte de Fokay, mas o Reino dos Elfos estava ao leste — e com a extensão de Fokay…

As distâncias eram enormes.

E, além disso, Daela gostava assim. Não havia humanos para incomodar, apenas elfos arrogantes que ela eliminava sempre que encontrava algum, além de criaturas selvagens.

Não era necessário pensar mais sobre isso.

Depois, chegou a vez de Kaden contar sua história em Fokay.

Seus lábios se torciam pesadamente, pensando se devia contar que tinha enfrentado um dragão antes de ser morto por seu bufar, e ainda uma Santa poderosa, que não parava de chorar, até descobrir que era um monstro eldritch horrendo, coberto de tentáculos no lugar do rosto.

Sem falar que ele nasceu em um território núcleo do Império Celestial, onde conheceu a princesa deles e acabou virando inimigo dela.

Por mais que pensasse nisso várias vezes… tinha certeza de que a Vontade queria sua morte, porque não há como uma pessoa ser azarada desse jeito.

Mas, no que dizia respeito a isso, ele preferiu não falar nada. Em vez disso, apenas contou que nasceu na Floresta de Asterion, antes de ir para Asterion, a capital do império.

Simples assim.

E Daela acreditou nele. Afinal, para ela, seu irmãozinho não tinha como mentir.

Ele era sincero.

E, finalmente, hoje, os dois irmãos estavam prontos para partir e retornar para casa.

"Você está pronto?" perguntou Kaden, enquanto Daela estava em suas costas.

Daela simplesmente assentiu. "Sim."

Kaden começou a caminhar.

Poderia ter corrido, mas com Daela nas costas, preferiu não. Então, apenas acelerou um pouco.

Mas, de novo, Kaden queria aprimorar sua manipulação de atributos.

E sentia que aquela situação talvez não fosse tão ruim, então decidiu tentar algo no caminho.

Seu atributo de inteligência talvez fosse seu mais misterioso. Ele sentia seus efeitos, mas nunca conseguiu usá-lo ativamente como fazia com outros atributos.

'Por que não tentar agora?' pensou Kaden.

Decidiu usar ativamente seu atributo de inteligência, mas nada aconteceu.

Continuou andando, sua mente distante. Daela percebeu e não falou nada — ao invés disso, suas duas espadas saíram, cortando as feras próximas enquanto ela dava o tempo para o irmão pensar no que estivesse pensando.

E, de fato, Kaden precisava disso, porque, após mais de uma hora de caminhada, encontrou uma maneira de usar seu atributo de inteligência.

Em vez de simplesmente ativá-lo, Kaden pensou — ou melhor, desejou — que seu atributo de inteligência fosse utilizado sobre a Espinha da Alma.

Ele foi específico em seus desejos.

E, ah…

Deu resultados incríveis.

Instantaneamente, parecia que toda a estrutura interna do talento Espinha da Alma se revelava diante dele. Como o talento funcionava, como suas diferentes habilidades podiam ser usadas de forma mais eficiente, e até… como desbloqueá-las ou evoluí-las para algo melhor.

Foi sensacional.

Não foi fácil, seu cérebro ficava sobrecarregado com tanta informação de uma vez, mas o mais importante…

Ele conseguiu entender o que fazer para aprimorar seu domínio sobre a Espinha da Alma, e se pudesse fazer isso com um talento…

Certamente conseguiria com habilidades e técnicas.

Ele ficou tão empolgado que momentaneamente perdeu o foco, saindo daquele estado de iluminação menor, como ele mesmo chamava.

'Preciso treinar mais minha inteligência,' pensou, sem ficar desanimado.

"Você já terminou de pensar?" perguntou Daela de trás.

Kaden assentiu com um sorriso.

"Sim, terminei. Obrigado por cuidar das feras," disse ele.

Daela apenas deu uma cabeça, sem responder.

Continuaram caminhando em silêncio, já a poucos minutos de alcançar finalmente Waverith, antes de—

"ARGHHHH AJUDA!!!!"

"AJUDEM-NOS!!!!!"

A voz de uma garota e de um garoto ecoou pelas densas plantas ao redor, fazendo Kaden parar instintivamente.

Seus lábios se contorceram.

"Isto… isso me lembra alguma coisa," disse, lembrando-se imediatamente daquela menina-serpente que salvou quando tinha dez anos.

'Ela ainda está viva…? Será que ela está mais forte agora?' Kaden não pôde deixar de pensar por um momento, antes de balançar a cabeça e caminhar na direção das vozes.

"Você vai ajudar eles? Por quê? Deixe-os morrerem." disse Daela friamente, de trás.

Kaden apenas deu de ombros.

"Só estou curioso para saber quem são. E as vozes soaram jovens. Quanto a salvar? Vou ajudar se achar que eles merecem," respondeu ao chegar no local.

Lá, de frente para dois pequenos goblins verdes, estavam duas jovens.

Uma menina, com não mais de oito anos, cabelos negros e olhos dourados, e um jovem, aparentemente de quinze anos, com cabelos vermelhos e olhos vermelhos também.

O garoto estava caído no chão, com as mãos apertando a cabeça, tremendo de medo. Mas a menininha estava na sua frente, segurando um galho de madeira e tremendo igual folhas ao vento.

Era uma cena até cômica.

Porém, Kaden não percebeu tudo isso de imediato, pois já tinha observado esses dois antes.

Eles eram os mesmos que havia visto dentro de Waverith enquanto se aproximava do portão.

Aqueles com quem quis conversar, mas optou por não falar.

E, ao olhá-los agora, bem na sua direção…

Kaden não pôde deixar de pensar se aquilo era questão de destino ou mera coincidência.

Na verdade…

…Também me pergunto isso?

—Fim do Capítulo 114—

Comentários