Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 105

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Daela estava ali, sem expressão, mas a dor que percorria seu corpo era algo que nenhum ser humano comum poderia sequer começar a compreender.

Sua mão direita tinha sido totalmente amputada e, claramente sem cuidado, ainda havia pedaços de carne pendurados na ferida, sangue seco crustando como uma pintura antiga e esquecida de agonia.

Sua perna esquerda também tinha sido cortada, começando logo abaixo do joelho, de forma brutal e impiedosa.

Seu corpo inteiro estava dilacerado, marcado por tantas feridas, tão profundas, que até um olhar comum podia ver seus ossos aparecendo através da carne destruída.

Era… horrendo.

Era uma visão capaz de partir uma alma, um tipo de tortura que destrói até as mentes mais fortes — mas Daela…

Daela não chorou. Não gemeu. Não implorou por misericórdia.

Permaneceu em silêncio o tempo todo, mesmo enquanto seu corpo era dilacerado em troca de informações — ou pior, por puro prazer. Mesmo sua expressão nunca mudou, nem uma vez.

E é por isso que,

"Eu realmente te odeio, Daela Warborn," uma voz de repente ecoou pela cela, fazendo Daela lentamente levantar os olhos e lançar um olhar para a porta de ferro.

Lá estava uma mulher com longos cabelos azuis e olhos que combinavam. Ela era alta, quase seis pés, com pernas longas e coxas fortes que chamariam qualquer olhar masculino, vestida com um vestido justo de azul profundo com padrões de lótus brancos que se ajustavam sedutoramente ao corpo dela.

Ela era Selene Cerveau, uma das agentes mais próximas de Brain.

Ela encarou Daela com desdém, com ódio, uma emoção que só existe quando a simples presença de alguém irrita profundamente.

E, para Selene, era bem simples o motivo da sua antipatia.

Era o olhar de Daela.

Ela observava seu estado mutilado — seu corpo destruído, seus membros faltando — e, mesmo assim, Daela olhava para ela como se ela não fosse nem um pouco importante, como se fosse…

Nada.

"Você acha que é melhor que eu, hein?" perguntou Selene, com a voz fria, enquanto entrou na cela, completamente imune ao calor infernal, graças à barreira invisível que a envolvia.

Uma barreira que Daela nunca pôde reproduzir, não quando estava acorrentada com correntes de restrição de mana tão apertadas e cruéis que fazeriam respirar como mastigar vidro.

Ao ouvir sua pergunta, Daela não respondeu, como sempre.

Selene não se surpreendeu. Daela não falou uma única palavra desde sua captura. Nem durante a tortura. Nem na interrogatória. Ela apenas encarava… com indiferença, ela, para o mundo.

Mas hoje… hoje Selene estava determinada a fazê-la falar… e já tinha uma ideia.

Ela se agachou ao lado dela, fixando o olhar diretamente nos olhos dela.

"Entrei na sua mente, Daela Warborn," disse Selene suavemente.

Daela não se mexeu.

"Eu esperava segredos. Talvez informações sobre os Warborn—masmorras, linhagens ocultas, até o motivo de alguém como você, com esse cérebro tão destruído, ainda conseguir se manter no nosso nível. Eu esperava tudo isso, mas…"

Selene sorriu. Não era um sorriso amigável, era perigoso.

"…mas eu só encontrei uma coisa. Ou melhor, uma pessoa. Uma pessoa tão profundamente inserida nos seus pensamentos que tudo o mais foi soterrado por ele."

Ela fez uma pausa, sua voz caindo para uma lâmina de faca afiada.

"Quer adivinhar quem era essa pessoa?"

E desta vez… Daela se contorceu.

Foi sutil. Quase imperceptível. Mas Selene viu e seu sorriso se alargou como uma ferida se abrindo num cadáver.

"Quem diria," ela sussurrou, "que a grande e infame Princesa da Apatia amaria tanto seu irmãozinho… tão obsessivamente… que quase parecia que não havia amor entre irmãos."

Seus olhos se estreitaram enquanto suas palavras ficavam mais venenosas, mais cirúrgicas, até que…

"Dá até pra imaginar o que o mundo pensaria disso tudo? Ou melhor ainda… e se eu fosse visitar o Kaden pessoalmente?" ela disse, inclinando a cabeça pensativa, fingindo considerar a ideia — sabendo muito bem da provocação que estava lançando ao fogo.

E então…

BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOMMMM!!!

Uma explosão ensurdecedora rasgou a cela enquanto Selene era jogada para trás, seu corpo batendo contra as barras de aço vermelho com uma força tamanha que sacudiram e tremeram como uma jaula segurando um monstro.

O cômodo inteiro de repente ficou impregnado de um vermelho pesado, opressivo—tão espesso que parecia quase sólido. Atrás de Daela, duas espadas gêmeas apareceram, tremulando freneticamente, vibrando como se lutassem para se manifestar na realidade, apesar das limitações que a prendiam.

Tosse. Tosse.

Selene tossiu violentamente, enquanto o ar ao seu redor se tornava carregado de uma intenção de morte tão densa que ela mal conseguia respirar. Ela ergueu a cabeça lentamente… e ao ver o rosto de Daela, seus olhos ainda sem expressão, seu corpo inteiro estremeceu de medo instintivo.

O rosto de Daela não mudou.

Mas por baixo daquela apatia fria… havia algo mais sombrio.

Havia uma profundidade naquela frieza. Uma pureza na intenção de matar. Uma fúria tão bruta, tão absoluta, que começou a se materializar—solidificando-se em algo real, algo que não deveria existir.

Mas antes que pudesse emergir completamente,

"Seu humano irritante," outra voz ressoou. Era mais grave, mais velha.

E carregada de tanta força que a intenção de matar que cercava o cômodo foi dispersada instantaneamente e com força.

Daela e Selene se viraram na direção do novo visitante.

Era uma besta de aço, mas não como as outras.

Seu corpo ainda era feito de aço, fogo e carne… mas esse aço não era cinza opaco. Era de um azul profundo e majestoso, com chamas que combinavam. Seus olhos ardiam com sabedoria ancestral, piscando como dois infernos azuis que se recusavam a se apagar.

Ele era alto, entre sete e oito pés, vestindo calças pretas e uma camisa que, de alguma forma, não queimava apesar das chamas furiosas que o consumiam por dentro.

Esse era Laye, o monstro de nível Grande Mestre que havia capturado Daela.

Ele olhou para ela, ainda exalando intenção de morte mesmo após a supressão, e depois para Selene, tossindo.

Ele balançou a cabeça com desdém.

"Eu te avisei para que você soubesse o seu lugar," disse frio. "Esse Warborn teria te matado ou, pelo menos, te ferido gravemente com sua intenção de matar, se eu não estivesse aqui."

Ele estreitou os olhos. "O que você fez?"

Selene apenas sorriu de canto.

Ela sabia. Os Warborn podem ser mais fortes que os Cerveau em força bruta… mas eram impulsivos. Emocionais. Previsíveis.

'São todos tolos… escravos de suas emoções,' pensou Selene com puro desprezo.

'Não representam ameaça alguma.'

Porque poder sem controle não é nada. Poder sem cálculo é apenas uma arma esperando para ser usada.

E era isso que eles pretenderiam fazer.

Eles precisavam dos Warborns sob seu jugo. Como escravos. Como ferramentas de guerra. Como armas de conquista.

E quanto mais olhava para Daela, mais tinha certeza…

Que era possível.

Agora que tinha descoberto o que a ativava, o resto se encaixaria naturalmente.

Selene levantou lentamente-se.

"Eu não a provocaria se não soubesse que você não me deixaria morrer," disse com calma arrogante, antes de se virar para Laye, sua voz carregada de ameaça.

"Aliás, você não gostaria de provocar a ira do meu Senhor."

E com isso, ela virou e saiu da cela.

Mas então—

"Eu vou te matar… vou matar todos vocês se tocarem nele…"

A voz de Daela.

Ela soou fria, clara, carregada com o frio da própria morte.

Selene apenas sorriu.

"Você tem uma voz linda, Daela Warborn. Mas agora eu me pergunto…"

Ela fez uma pausa, os olhos brilhando com uma curiosidade sádica.

"…como será a voz dele?"

E com isso, ela desapareceu pelos corredores subterrâneos, voltando para a superfície, sua mente acelerada com os segredos que iria relatar, com a arma que agora acreditava poder criar a partir da mente de Daela.

Mas no instante em que seus pés tocaram na superfície—

duas mãos agarraram seu rosto.

Ferozes. Implacáveis. Os dedos seguraram sua boca com tanta força que parecia que seu maxilar ia se partir.

Então…

Uma voz.

Uma voz tão imersa em raiva e sede de sangue que o próprio sangue de Selene pulhou descontroladamente, como se também quisesse escapar do corpo em medo.

Uma voz que não sussurrou,

mas pronunciou.

"Não queria ouvir minha voz?"

Uma voz impregnada de morte…

…em sua forma mais pura.

—Fim do Capítulo 105—

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