Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 104

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

[Missão: Salvar sua irmã.]

[Dificuldade: Difícil.]

[Descrição: Sua irmã está presa no subsolo do Castelo de Aço. Salve-a e escape desta situação juntos, com segurança.]

[Recompensas: Variam de acordo com o desempenho]

[Penalidade: Morte de Daela.]

Kaden olhou para a missão, mas seus olhos se fixaram especialmente na penalidade.

Ele podia imaginar que não era o sistema que o punia, mas sim as consequências de sua própria incapacidade de salvar sua irmã.

E isso era algo que Kaden jamais aceitaria.

'Morte de Daela...?' pensou Kaden, uma risada sombria surgindo em sua garganta.

Isso jamais aconteceria nesta vida.

Porque, enquanto estivesse aqui, ele voltaria no tempo milhões de vezes, se isso significasse salvar sua irmã ou qualquer membro da sua família.

'Ah... vamos acabar com isso rápido,' pensou Kaden interiormente.

Ele focou na tarefa à sua frente: infiltrar-se no Castelo de Aço, mais precisamente no subsolo, e então salvar sua irmã.

Havia dois grandes problemas que Kaden enfrentava nesta missão.

Primeiro, ele não sabia como passar pelos dois guardas na porteira e entrar no território de Goremaw sem ser notado. E mesmo que, por um milagre, conseguisse isso, ainda não tinha ideia de onde exatamente ficava a prisão subterrânea.

Ele não conhecia a porta. Não sabia o caminho. Não sabia de nada.

Ele operava completamente... às cegas.

Mas ele não se deixou desanimar, nem um pouco.

'Se um jogo só não é suficiente para entender todas as mecânicas, então jogar vários outros certamente será,' pensou Kaden em silêncio, sua expressão agora firme e resoluta.

Depois de tomar sua decisão, ele agiu.

Mas só porque podia voltar no tempo, não significava que ia gastar suas moedas de morte à toa, então decidiu agir... de forma inteligente. Ou talvez, vamos dizer, engenhosa.

Seus atributos eram incríveis, versáteis até. Ele só precisava de imaginação para usá-los, assim como com suas habilidades – principalmente Soulbrand e Synthesis.

Ele lembrou da descrição de Synthesis, de como poderia combinar e transformar qualquer coisa.

'E por qualquer coisa...' começou a pensar Kaden, mas não terminou a frase.

Ao invés disso, um sorriso largo e selvagem se abriu em seu rosto.

Enquanto caminhava em direção ao castelo, havia marcado muitas feras com seu Soulbrand, principalmente só para treiná-lo pelo caminho.

E agora, todas essas feras que havia marcado...

'Consigo sentir a localização delas…' pensou, fechando os olhos e ampliando sua percepção ao máximo.

Ele podia senti-las. E, como se o destino tivesse decidido favorecer seu dia, duas delas estavam bem próximas... muito próximas.

Ele sorriu de leve, então desapareceu em uma sombra de velocidade terrível, silenciosa, indo direto em direção às duas feras. Em menos tempo do que leva para uma xícara de chá esfriar, Kaden voltou à sua posição original—duas feras seguradas nas mãos.

As feras pareciam coelhos, mas seus pelos eram tão escuros que pareciam absorver a luz ao redor, e seus olhos vermelhos transbordavam maldade sem filtro algum.

Eram do tamanho de uma criança de colo, mas eram... gordos. Sim, essa era a palavra.

Seus dentes eram irregulares e afiados. Com um só mordida, um humano não despertado perderia todo o braço. Mesmo um humano treinado normal sofreria um ferimento permanente sem uma poção de alta qualidade.

Kaden os observava atentamente, e os coelhos reviraram os olhos, cheios de hostilidade.

Eles teriam gritado se pudessem... mas Kaden já os silenciou usando um artefato especial que comprara há muito tempo — um item que arrancava completamente a voz de suas vítimas.

Um Voz Ignorada, um artefato de raro-grau que lhe custou caro. Parecia uma boca costurada, fechada com fios de tom vermelho escuro.

Um design bem único, para dizer o mínimo.

E Kaden não se arrependeu de comprá-lo.

'Só o instrumento perfeito para tortu—não, quero dizer, questionar alguém indisciplinado,' pensou Kaden antes de focar novamente nas duas coelhinhas negras.

'Synthesis.'

Ele ativou a habilidade, com a intenção clara — fundir os dois em uma criatura instável.

Sim, ele instruiu especificamente a Synthesis para tornar a fusão instável.

E a habilidade obedeceu.

Poucos minutos depois, não restava sinal das duas coelhas, apenas uma monstruosidade vermelha, gigante, quase com seis pés de altura, com fileiras e mais fileiras de dentes irregulares e olhos que brilhavam com uma loucura tão intensa que pareciam distorcer o ar ao redor.

Kaden já havia desaparecido antes da transformação estar completa. Assim, quando a coelha vermelha finalmente emergiu e começou a caçar presas… ela encontrou dois guardas de aço e carne, com aparência deliciosa.

Ela não hesitou.

Num instante, lançou-se contra eles, com seus pés enormes esmagando o chão com uma força que fazia a terra ranger violentamente. Um estrondo alto ecoou no ar, fazendo as máquinas de aço virarem as cabeças bruscamente em direção à criatura.

Suas expressões torceram-se de surpresa momentânea, suas mentes incapazes de entender o que se passava. Mas logo, abandonaram toda a lógica e se entregaram ao instinto gravado nelas desde o nascimento…

Matar.

Mas antes que pudessem dar um passo…

BOOOOOOOMMMM!

A coelha vermelha explodiu em uma chuva grotesca de carne, sangue, intestinos e órgãos pulsantes. Parecia uma chuva de restos de monstros.

Era uma visão nojenta—carne e entrañas ainda se retorcendo no chão, como se vivas, revolvendo-se em poças de sangue preto e verde.

Um cheiro profundo e pestilento se espalhou imediatamente, uma mistura horrível de carne apodrecida, fezes, enxofre e aquele cheiro insuportável que invade seu nariz quando peixe velho fica exposto ao sol por dias.

Era tão fétido.

Tão podre, na verdade, que os guardas nem perceberam a sombra que passou silenciosamente ao seu lado.

E assim,

Kaden…

…entrou no território.

Enquanto isso, enquanto Kaden arriscava tudo para passar pelos portões,

Nas profundezas da Cidade de Prata, em uma cela apertada feita inteiramente de aço em chamas, uma jovem mulher estava sentada no chão, com as costas contra uma parede que cuspiava calor.

Sua expressão era vazia, sem emoções, enquanto ela encarava as grades incandescentes à sua frente.

A cela mal tinha espaço para duas pessoas adultas. O chão, feito de aço rubro, irradiava calor tão intenso que poderia queimar a carne de uma pessoa comum em segundos, e as paredes não ficavam atrás.

O ar era quase impossível de respirar. Uma inalação já seria suficiente para abrasar seus pulmões. Era sufocante.

E ainda assim, no meio de tudo isso, Daela permanecia imóvel, seu rosto completamente vazio dentro desse pequenino inferno.

Seu rosto era intacto, mas seu corpo…

Ah, Senhor…

Era uma visão que, se Kaden a visse…

Então tenho certeza de que nem a morte seria suficiente para quem fosse responsável por mutilar Daela Warborn.

—Fim do Capítulo 104—

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