Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 103

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden caminhava pelas ruas de Waverith, vestindo um longo casaco que cobria seu rosto. Ele se dirigia até o grande portão da cidade, pronto para adentrar na natureza selvagem.

Ele deveria estar com pressa, a mente acelerada pela necessidade de encontrar sua irmã, mas não estava.

Sim, sentia todas as emoções que isso trazia... medo, urgência, desespero… mas, neste momento, mais do que tudo, precisava acalmar a cabeça.

Então, Kaden decidiu caminhar.

E, com sua percepção aguçada, começou a perceber coisas—coisas que ele normalmente ignoraria em uma situação comum.

Percebeu como todas as casas de Waverith eram construídas com formas semelhantes: corpos retangulares com telhados triangulares, a única diferença entre elas sendo as cores pintadas nas paredes.

Algumas eram vibrantes. Outras sutis. Algumas eram uma mistura caótica de cores. E outras tinham a tonalidade pesada e sem vida do cinza.

Observando-as, Kaden já podia imaginar o temperamento de seus moradores. As mais vivas deviam pertencer aos barulhentos, aos passionais. As cinzentas, àqueles que já não se importavam há muito tempo.

Ele notou também as pessoas, ocupadas com suas vidas.

Alguns corriam pela rua, claramente atrasados, tentando alcançar uma carruagem.

Outros caminhavam lentamente, sem pressa, não por terem esse luxo, mas simplesmente porque não se importavam o suficiente para correr.

Ele escutou o ritmo de suas próprias botas, tocando o chão, e como isso soava… diferente do restante.

Observou a maneira como as pessoas se moviam… como se vestiam.

Presta atenção aos comerciantes alinhados ao lado das estradas, gritando para anunciar suas mercadorias, sorrisos brilhando no rosto—mas ticando, sutilmente, toda vez que um cliente passava sem comprar.

Ele percebeu a própria atmosfera.

Não era caótica.

Nem calma.

Era… solene.

Não por causa de algum evento ou tragédia, mas simplesmente pelo ato de viver.

Todo mundo exibia uma expressão como se fosse lutar contra monstros terríveis… e talvez fosse mesmo...

…cada um com sua própria definição de monstros.

Mas, em meio a toda essa resignação silenciosa, Kaden notou os diferentes—themes vibrantes, almas alegres que ainda brilhavam em meio ao cinza.

E uma cena em particular fez parar.

Uma garota jovem, mal tinha oito anos, de pé descalça ao lado da estrada. Ela vestia roupas amarelas rasgadas, sujas, grudadas na pele—claramente, fazia tempo que ela não trocava de roupa.

Seu cabelo preto, que talvez fosse bonito há muito tempo, estava embaraçado e carregado de sujeira. Seu rosto delicado e pequeno tinha manchas de terra e poeira, quase escondendo o brilho que devia ser sua essência.

Ela parecia lamentável.

Mas seus olhos… seu sorriso…

Ah.

Era cegante.

Era caloroso, puro, radiante—tão cheio de alegria e contentamento que Kaden não pôde deixar de parar, o coração acelerando.

Ela conversava com um menino, não mais que quinze anos, cujo cabelo vermelho reluzia suavemente ao sol como fogo celestial. No entanto, sua expressão estava carregada de medo, preocupação, uma luta interior que não tinha uma causa clara.

As roupas dele eram caras—um seda vermelha fina, bordada com fio dourado, elegante e nobre. Kaden não precisou olhar duas vezes para perceber que o menino vinha de uma família rica.

E, ainda assim, ali estavam:

Uma menina pobre, alegre, e um garoto rico, tremendo de medo.

Kaden observava o contraste, a ironia, e sentiu algo se mover no peito. Uma voz dentro dele dizia para ir falar com eles. Para perguntar. Para entender.

Mas ele não foi.

“Já perdi tempo demais… Vamos nessa”, decidiu Kaden.

Ele queria esvaziar a mente.

Mas agora, depois de caminhar pelo mundo com olhos renovados, só tinha mais perguntas.

Sussurrou um suspiro suave e diminuiu sua percepção.

Então, com uma explosão de velocidade, Moveu-se.

O mundo ao seu redor ficou borrado.

Logo, ele estava fora de Waverith, no meio do nada. Areia marrom se estendia até onde a vista alcançava sob o sol forte de Darklore, formando uma paisagem áspera, mas ainda assim, impressionante.

Ele puxou um mapa do anel de espaço que usava e estudou calmamente, olhos vasculhando a rota a seguir. Quando conseguiu o que precisava, guardou o mapa de volta e—

BOOOM!

Uma explosão de força emanou do chão sob seus pés enquanto Kaden avançava a uma velocidade ofuscante. Os ecos de seus passos fizeram a terra tremer a cada passada, como se resistisse à força de seu movimento. Uma nuvem gigantesca de poeira se levantou atrás dele, elevando-se ao céu e ocultando a terra que deixava para trás.

E, ainda assim, enquanto corria, algo começou a mudar.

Seus passos começaram a não fazer som.

Depois, sua silhueta começou a se borrar, até que ficou impossível distinguir seus traços ou até mesmo seu corpo completo.

Tornou-se nada mais do que um espectro cruzando o mundo em velocidade.

Por horas, correu. Por florestas, rios, montanhas.

Alguns animais tentaram atravessar seu caminho, mas morreram antes mesmo de perceberem.

Até que, enfim…

Ele chegou.

Ficou atrás de uma árvore espessa, cuja casca era uma mistura estranha de aço e madeira, e olhou para o que havia à sua frente.

Exatamente como Sabine tinha descrito.

Um castelo enorme cercado por montanhas íngremes. Tudo, castelo e picos, feito de uma combinação de aço e fogo, bruto e selvagem, mas indiscutivelmente belo.

O ar pesava do cheiro de metal derretido, como aço em fogo—um leve martelado ecoava ao longe, como uma canção de ferreiro interminável.

E diante do portão principal, havia um portão gigante feito de uma liga vermelha desconhecida que reluzia de forma estranha sob a luz. Dois seres enormes guardavam a entrada.

Kaden estreitou os olhos.

'Bestas de aço.'

Humanoides, mas feitos de carne e ferro, corpos brilhando por dentro com fogo, olhos vazios de pensamentos.

Kaden observou calmamente.

Sua expressão permaneceu impassível, mas sua mente trabalhava, calculando.

Não podia atacar de frente. Isso era óbvio.

Estava ali para salvar sua irmã—não para se lançar contra uma fera de rank de Grande Mestre e morrer antes mesmo de descobrir onde ela estava.

Não. Ele precisava ser sutil.

Precisava agir como um assassino.

E, que sorte, que acabara de aprender a fazer isso com suas batalhas recentes.

DING!

{Você recebeu uma missão.}

Kaden sorriu, mas o sorriso não atingiu seus olhos.

Uma nova caça… tinha começado.

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