Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 106

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Vamos voltar no tempo por um instante.


Kaden entrou no domínio de Goremaw sem ser notado, aproveitando a distração causada pela fusão instável.

Mas agora que estava lá dentro, não bastava apenas garantir que não fosse descoberto; ele precisava encontrar rapidamente onde Daela estava aprisionada.

Não foi fácil, pois no momento em que entrou, Kaden só via fogo e bestas de aço por toda parte.

Escondido atrás da sombra da muralha maciça próxima à entrada, observou as construções do território e, para surpresa dele, todas eram feitas de fogo e aço, porém suas cores variavam: azul, laranja, preto… até branco puro.

As formas eram extremamente variadas, parecia que um artista insano havia enlouquecido, soltando toda a criatividade e criando apenas loucura ao acaso.

Kaden suspirou e fechou os olhos, ativando sua percepção ao máximo mais uma vez.

E mais uma vez, começou a sentir e enxergar uma infinidade de coisas.

Percebeu como o ar dentro do domínio estava saturado com o aroma metálico, afiado, de aço fundido e chamas ardendo, como nuvens de fumaça grossas saindo de quase todas as construções ao redor.

Construções que, agora podia afirmar com certeza, eram forjas.

Era algo surpreendente — chocante, até — testemunhar uma cena dessas no coração de um território de bestas.

Mas o que realmente o deixava inquieto era como tudo parecia tão estruturado, tão civilizado, mesmo sabendo que a maioria das bestas ainda não tinha desenvolvido inteligência.

Afinal, as bestas só despertam completamente sua mente, seu intelecto e sua consciência no nível de Grande Mestre.

'Como diabos tudo isso é possível?'

Kaden não pôde deixar de se perguntar, ao perceber as ruas de aço bem pavimentadas, a disposição ordenada, os ecos tênues de lógica que se refletiam na organização do lugar, lembrando lugares como Waverith.

Era uma boa questão.

Mas talvez uma pergunta ainda melhor fosse:

Por que isso não seria possível?

Afinal… por que não?

Porém, essa dúvida nunca passou pela cabeça de Kaden, e, na verdade… ele simplesmente não se importava naquele momento.

Ele observava a cidade, sim — mas, ao mesmo tempo, escaneava um caminho, uma forma de se mover sem ser detectado, e procurar pela prisão de Daela.

Seria mais fácil se ele tivesse algum artefato que pudesse alterar seu corpo ou conceder invisibilidade, mas não tinha nenhuma ferramenta assim. O que mais chegava perto era uma máscara, e ela não seria de muita utilidade aqui.

Então, Kaden decidiu confiar no que tinha: seus atributos.

Mais precisamente, o atributo de Constituição.

Ele já tinha usado essa estatística antes para alterar seu corpo e imitar a aparência de corpos no bosque de Asterion, mas duvidava que esse truque fosse suficiente agora.

Então, avançou mais ainda.

'Podem não ter inteligência… mas seus instintos são aguçados. E os instintos são fáceis de enganar.'

'Só que preciso enganá-los de um jeito que eles fiquem confusos por pouco tempo, o suficiente para eu infiltrá-lo, sem atrair atenção ou suspeitas.'

Sua mente acelerava agora, mais rápido do que a maioria poderia acompanhar, e graças à sua alta estatística de Inteligência, uma solução veio naturalmente.

Ele lentamente levantou a cabeça, olhando para o céu, para o sol brilhando intensamente acima, e para o calor que distorcia o ar sobre o terreno de aço.

E ele sorriu.

A Constituição é uma estatística incrível. Assim como todas as outras, se souber usá-la corretamente, pode fazer coisas que a maioria chamaria de milagres.

E neste momento, Kaden iria usar sua própria pele… como um espelho.

Assim, com a pele tornada reflexiva, refletindo e dispersando a luz como um vidro polido, ele saiu ao sol.

E o sol refletiu de volta, desviando-se de sua pele como a luz que bate em um espelho. Além disso, usou seu alto controle sobre a velocidade para manipular o ar ao seu redor, moldando-o para distorcer ainda mais a visão, e, com o calor brilhando por toda a cidade de fogo e aço…

Kaden tornou-se invisível.

Mas isso não era suficiente.

Ele precisava de mais.

Então, além de tudo, mascarou seu odor, substituindo sua presença humana por algo que essas bestas não achariam estranho ou alarmante.

O cheiro de queimação.

Usando seu atributo de Velocidade, manipulou as moléculas ao redor do corpo para girarem tão rápido que a energia cinética se transformou em calor, e esse calor liberou um aroma tênue, familiar, de algo em chamas.

E assim…

Kaden desapareceu.

E, finalmente, começou sua busca.

Movia-se rapidamente, silenciosamente, apenas pelos caminhos mais desocupados, evitando forjas lotadas, afastando-se de áreas onde bestas de nível Mestre ou Grande Mestre poderiam patrulhar.

Sua percepção se estendia ao redor dele como uma rede viva, seus sentidos ampliados a tal ponto que até o leve e sutil crepitar das brasas dentro de forjas próximas podia ouvir.

Meia hora se passou.

E Kaden se aproximou do Castelo de Aço, mas sem chegar muito perto.

O Castelo de Aço… realmente fez jus ao nome. Era forjado de uma combinação de aços de cores diferentes, misturados e ligados de modo que cada parte refletia um espectro distinto de luz.

Sua forma era estranha, até assustadora. Não parecia com nenhum castelo que Kaden já tinha visto ou imaginado.

Era como…

Um bigorna.

Sim… uma gigantesca e majestosa bigorna de aço, brilhando sob o sol escaldante de Darklore. Cada aresta cintilava com o calor colorido, e ela se erguia ao longe como um monumento à guerra e à criação ao mesmo tempo.

Kaden fixou o olhar, com admiração lentamente tomando conta do rosto.

Ele não esperava por isso. Jamais teria imaginado.

Foi então que realmente começou a questionar—

'Será que a mente de uma besta consegue sequer imaginar algo assim?'

'Elas… são realmente tão inteligentes?' ele se perguntou, mas rapidamente balançou a cabeça para ignorar o pensamento e focar na missão.

Percebeu o castelo — ou melhor, a bigorna — com sua percepção ao limite absoluto… e começou a captar rastros.

Rastros de perigo.

Mas também, rastros de familiaridade.

De calor.

De algo… bom.

Da Daela.

Ela estava perto ou dentro.

Então…

'O que fazer?' questionou-se Kaden, mas riu quase que instantaneamente.

'Que pergunta tola…'

E, de fato, era.

Pois, mesmo que significasse morrer, mesmo que fosse suicídio, o mais importante era saber onde Daela estava.

Então, mesmo que morresse, não importaria.

'Então, vamos lá—!'

De repente, ele parou.

Seus olhos travaram em um lado do castelo — na parte negra.

Lá, com sua percepção… ele viu.

Uma porta, tão bem escondida que parecia apenas mais uma parte da bigorna de aço.

E, a partir dessa porta, ouviu uma explosão.

Sem hesitar, sem pensar duas vezes, Kaden se lançou em direção a ela. Ele chegou lá num instante.

E, no momento em que chegou, percebeu que a porta nem sequer estava totalmente fechada e, por naquele vão…

Ouviu a voz de Daela, fria e cortante, ameaçando alguém.

Depois, ouviu outra voz.

Era uma voz feminina, cheia de orgulho, arrogância a ponto de ser nojenta de ouvir.

“…Mas agora me pergunto… como será a voz dele?”

A expressão de Kaden virou gelo.

Logo depois, ouviu passos.

Ele imediatamente recuou, se escondeu nas sombras.

E, no momento em que aquela mulher apareceu—

Kaden se moveu.

Antes que um pensamento se formasse, antes que ela pudesse emitir uma única palavra, sua mão atravessou a boca dela com força, com um estalar.

E sua voz, baixa e sombria, cheia de pura raiva…

"Você não queria ouvir minha voz?"

Kaden sussurrou perto do ouvido dela, como um Enviado da Morte vindo buscar sua alma.

—Fim do Capítulo 106—

Comentários