Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 107

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

O corpo de Selene foi tomado por um medo instintivo no instante em que Kaden segurou sua boca.

Um medo cuja origem ela nem mesmo conhecia, que surgiu lá do fundo de seu ser.

Seus olhos tremeram, se mexeram rapidamente, tentando entender o que estava acontecendo.

E foi então que ela ouviu a voz… a voz dele… uma voz que fazia o próprio sangue dentro dela se revoltar em puro pavor.

— Você não queria ouvir minha voz? — disse Kaden, com o tom tão frio e mortal quanto uma lâmina de aço.

Aquelas palavras fizeram Selene ligar os pontos imediatamente e, num quick de compreensão, ela se acalmou.

Seu corpo parou de tremer. Ela deixou de resistir.

Kaden percebeu a mudança de atitude de imediato, e sua percepção se intensificou numa alarmante sensação de perigo absoluto.

Instintivamente, pensou em recuar um passo, mas permaneceu firme, recusando-se a ceder ao impulso de sobrevivência.

'De verdade… vocês Warborns são tão previsíveis.'

A voz de Selene ecoou repentinamente dentro de sua cabeça, algo que deveria ter levantado um alerta, mas não fez.

Porque o que realmente o preocupava era o que Selene acabara de dizer.

'Tão previsíveis… Vocês são como uma horda de formigas. Quando um deles cai numa armadilha, todos correm como feras instintivas e enlouquecidas para salvar seus parentes.'

'Digna de admiração e sacrifício, diria alguns. Mas para mim? Apenas um bando de tolos que usam a morte como distintivo de honra.'

Suas palavras continuaram a reverberar na mente de Kaden, cada uma delas carregada de veneno, de desprezo, como se a própria existência dos Warborns fosse uma mancha, uma vergonha.

E, para pessoas como ela… fazia sentido.

Porque elas não suportavam imaginar o que poderiam ter se tornado… se tivessem a força bruta dos Warborns aliada à sua inteligência.

Seriam monstros de verdade, algo que nenhuma família dentro ou fora da Fortaleza de Waverith ousaria enfrentar.

Mas não tinham essa força.

Então, buscavam conquistá-la.

Kaden escutou as palavras de Selene com calma fria.

Já sabia que ela tinha antecipado sua chegada ou a de qualquer outro Warborn e se preparado adequadamente.

Nada que o surpreendesse.

Sua família era previsível. E ele tinha consciência disso.

Era uma fraqueza. Mas poderia ser explorada de maneira brilhante.

Porque ninguém esperava nada de um Warborn… exceto força bruta.

Ele sorriu, frio e cortante.

— O que você planejava? Chamar um grande mestre para matar um ser de nível intermediário? — perguntou Kaden, com a mão ainda sobre a boca dela, os dedos lentamente cerrando, produzindo um som de estalo enquanto o maxilar de Selene começava a ranger sob a pressão.

— MMMMJHHHHHH!!

— QUE BOSTA! — veio um som abafado no ar, enquanto Selene gritava dentro da cabeça dele, ao mesmo tempo em que lançava um ataque mental.

Mas Kaden não vacilou. Nem um tantinho sequer.

Com sua Vontade… um ataque mental tão simples quanto cuspir numa fortaleza.

Porém… houve um som. Mudo, sim. Mas um som.

E esse tipo de som…

Um grande mestre não deixaria passar despercebido.

Instantaneamente, Laye apareceu diante da porta, seus olhos de chama azul tremeluzente fixos em Kaden com curiosidade penetrante.

— Um Warborn que não atacou de frente, mas entrou sorrateiramente… — murmurou Laye, em voz baixa— antes que, de repente, a temperatura ao redor deles subisse exponencialmente, sua aura despencando enquanto seu olhar ficava gélido.

— Que vergonha para o seu nome, Warborn. Essa não é a qualidade de guerreiro que reconhecemos como rival, vocês, as Bestas de Aço Gloriosas. — Disse com total desprezo.

Mas a forma de desprezo de Kaden era ainda maior.

Sua mão apertou com mais força, os ossos estalando com mais intensidade enquanto a mandíbula de Selene se deslocava, sob sua força.

— CALE A BOCA, sua besta de merda. Reconhecer? Que papo mais idiota — disparou Kaden, com raiva.

— Você acha que precisamos da validação de uma besta grandmaster que captura uma menina nível mestre só pra usar de ponte? — questionou ele, com os olhos vermelhos brilhando agora, cheios de nojo, raiva e o começo do ódio.

Porque essa era a pessoa que tinha capturado sua irmã.

E ele nem queria imaginar o que tinham feito com ela.

Mas não importava. Agora, ele sabia onde ela estava. E quem estava envolvido.

Então…

— Vocês são apenas marionetes desses filhos da puta. Dignos de serem chamados de ‘bestas’. Mesmo depois de adquirirem inteligência, continuam burros o suficiente para serem manipulados por vadias como——

BLOOOM!!!!

A cabeça de metade de Kaden explodiu, espalhando sangue e cérebro por toda a passagem, respingando em Selene, que já estava tomando uma poção de cura.

Barulho de impacto.

O corpo de Kaden caiu ao chão.

— Você… dev—! — Selene tentou falar, mas parou assim que viu a expressão de ira no rosto de Laye.

Raiva pura.

Ela rangeu a língua irritada.

'Besta sem vergonha, ainda se achando inteligente. Patética.'

O pensamento de Selene transbordava desprezo enquanto ela olhava para o que sobrara do rosto de Kaden.

E aquilo que ela viu fez o seu corpo tremer.

Os olhos vermelhos de Kaden continuavam fixos nela, brilhando com uma intensidade silenciosa que exalava algo profano.

Então, lentamente… um sorriso surgiu no canto de seus lábios restantes.

Um sorriso digno de um rei demônio do círculo mais baixo do inferno.

Selene reagiu instintivamente, chutando o rosto de Kaden com força máxima, maior do que ela achava que poderia exercer com seu nível de mestre, e—

[Você está morto.]

— Parece que minha habilidade de encarar a morte melhorou — murmurou Kaden, com secura, sem nenhum humor na voz.

Ele fechou os olhos calmamente, mergulhado na escuridão sem fim.

Todos os detalhes vieram à mente: a Cidade de Aço, a família Cerveau, a besta de nível grandmaster.

— Não consigo vencer um grandmaster — declarou Kaden, sério.

Por mais que tivesse moedas de morte, não conseguia preencher essa lacuna.

O nível de Grandmaster não era como os outros.

De Acordado a Mestre, você ganhava uma habilidade por nível—às vezes especial, às vezes não. Mas no nível de Grandmaster…

Você conquistava um Domínio. Um ligado à sua própria Origem.

E isso—

'Não é algo com que eu possa lidar agora. Ainda não. Acabei de entrar no nível intermediário.'

E ao lembrar do que a Morte disse sobre a ordem de nascimento… sim.

Melhor esquecer a ideia de vencer.

Após dezenas de mortes, talvez, só talvez, ele conseguisse sobreviver a um encontro com Laye—mas…

'Preciso salvar Daela.'

Então, a única opção real era salvá-la antes que o Comandante ou até mesmo Selene pudessem reagir ou estar lá para puxar ela de lá.

Kaden recordou a explosão que ouviu junto com a chegada da presença aterradora do grandmaster.

Então…

— A explosão foi a causa… e a causa da explosão foi… — ele nem precisou terminar.

Obviamente, era aquela mulher do Cerveau.

— Ou eu chego antes dela… ou a silencio antes que algo aconteça e tiro Daela de lá.

Porém, depois do que experimentou na Floresta do Sol Eterno, Kaden sabia que era melhor ser cauteloso.

Deve haver runas de rastreamento, seja na própria Daela ou na mulher.

Matar ela poderia alertar os demais.

Enquanto esses pensamentos whirlgavam na cabeça dele, Kaden não pôde deixar de desejar uma maldição.

— Está ficando complicado demais.

— Certo… primeira tentativa: chego antes deles e salvo Daela. Se não der, me adaptarei. — decidiu, finalmente.

Então—

[Você morreu.]

[Em que momento deseja retornar?]

Se ele quisesse voltar antes… talvez…

— No instante em que cheguei na porta do território das Bestas de Aço — disse Kaden com firmeza, antes de acrescentar com determinação:

— Quero um fragmento do Tipo Origem.

[DING! Confirmado.]

[Você foi morto por Laye, comandante de Goremaw, o Forjado de Ferro.]

[Você obteve um fragmento do Tipo Origem.]

[Origem: Corpo de Chama Azul]

[Tipo: Corpo]

[Rank: Raro]

Ao olhar para o painel, Kaden não conseguiu esconder um sorriso de canto de boca.

[Deseja integrá-lo?]

— Interessante… — pensou.

Comentários