
Capítulo 95
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden entrou silenciosamente na zona central da Floresta de Asterion com passos calmos e firmes.
Ele agia como se não tivesse acabado de transformar toda uma zona em um matadouro encharcado de morte e sangue. Como se nada daquilo tivesse sido feito por alguém que ainda está no nível Desperto.
Ele não reconhecia isso.
Ele sequer prestava atenção nisso.
Tudo que importava para ele agora… era eliminar todas as criaturas da zona central e transformar todo aquele lugar em um território impregnado do mesmo destino… morte e sangue.
Nem menos, nem mais.
Mas, ainda assim,
'Será que poderia ter feito algo melhor?' pensou silenciosamente Kaden enquanto caminhava, até mesmo vagando, pela zona central.
Seus passos pareciam preguiçosos, sem rumo, quase casuais, mas sua percepção estava em alerta máximo, e ele sabia exatamente para onde estava indo.
'Nada vem à minha cabeça…' respondeu a si mesmo a sua dúvida.
Ele se questionou se havia algo que pudesse ter feito de forma diferente. Mas, após revisar cada movimento, cada passo, cada golpe na sua cabeça… não conseguiu encontrar nenhuma falha.
Tudo parecia perfeito.
E aí que estava o problema.
O fato de parecer perfeito significava que algo tinha dado errado.
Seja na sua maneira de pensar ou em algo que ainda não conseguia enxergar.
Porque perfeição não existe. Nem mesmo neste mundo de monstros e magia.
Para ele, perfeito significava sem falhas. Perfeito significava algo sem pontos fracos.
E Kaden não acreditava que essa coisa existisse em qualquer dos dois mundos.
Mas esse não era o ponto.
O ponto era que ele achava seu desempenho perfeito.
Isso… era perigoso.
Porque, uma vez que você acredita que algo é perfeito, você para de tentar melhorar.
E Kaden não podia permitir isso.
Se sua própria opinião não era confiável… ele buscaria uma outra.
"Pequena Rory, o que você acha da minha luta agora há pouco?" perguntou suavemente, enquanto distraidamente cortava o ar à sua direita, eliminando uma besta que tentava se aproximar sorrateiramente.
Ao seu questionamento, Rory inclinou a cabeça do jeito que era habitual.
Kaden lhe lançou um sorriso torto, já esperando uma resposta inútil, mas,
"Você foi bem, Mestre. Seus golpes foram precisos e não perdeu tempo com fraquinhas."
"Por isso, não posso julgar. Elas eram muito fracas."
"Se for para avaliar seu desempenho, reputo que seria melhor em uma situação em que você estivesse mesmo lutando de verdade. Assim, eu veria sua força de fato. Mostraria mais."
Rory falou com seriedade, como uma avó antiga que viveu centenas de anos.
Quanto mais Kaden refletia sobre suas palavras, mais percebido tinha… ela tinha razão.
Ele olhou para Rory, surpreso. "Então você não é tão boba assim…" murmurou quietamente, fazendo Reditha emitir um zumbido suave em vermelho.
"O que ela disse?" perguntou Rory, curiosa sobre a opinião de Reditha.
Kaden deu de ombros.
"Ela disse que você é burra e esquisita," disse casualmente, e instantaneamente Reditha rosou, seu brilho carmesim pulsando — parecia que ela estava… protestando?
Antes que Rory pudesse pensar demais,
"Nossa, Reditha? Tá pesado? Menina má. Mas eu te ouço."
Depois, voltou o rosto para Rory e acrescentou,
"Ela disse que você é feia. Mas sua sangue deve ser delicioso."
Ele balançou a cabeça.
"Deixe ela. Parece que a Reditha tá meio grossa hoje."
Falou com tom de desculpas, mas por dentro?
'Heheheh, nem sabia que isso podia ser tão divertido.'
Porque, sim, Reditha não tinha falado nenhuma dessas coisas.
Kaden inventou tudo. Mentiu descaradamente e colocou ela numa posição bastante desconfortável, sem nenhum sinal de vergonha.
Mas então, de repente, ele parou.
Finalmente tinha chegado à zona venenosa.
Aquele lugar onde uma vez enfrentou o Urso Dente de Medo.
Ele ampliou sua percepção e vasculhou ao redor. Sem nenhuma besta à vista.
Ficou satisfeito.
Entrou dentro, sentou-se bem no centro da névoa tóxica e fechou os olhos.
Ainda tinha três dias. E só algumas horas tinham passado desde o primeiro.
Então, Kaden quis testar algo, usando sua habilidade de Sensação de Mana, antes de começar sua carnificina quando a noite chegasse.
Sensação de Mana permitia detectar mana no ar e facilitar sua absorção e recuperação.
E aqui, neste lugar de névoa densa, estava saturado com um único tipo de mana:
Mana venenosa.
E Kaden pretendia ver se conseguia absorvê-la… e usá-la em combate.
Então, ele começou.
E então—visivelmente, a olho nu—a névoa tóxica começou a girar ao seu redor.
Depois, lentamente… ele começou a absorvê-la.
Desde o primeiro suspiro, não sentiu desconforto. Nem náusea. Nem dor.
'Deve ser minha habilidade de Resistência ao Veneno,' notou internamente e continuou a absorver.
Horas passaram.
O céu escureceu. A noite chegou.
Pouco a pouco, a mana dentro dele começou a se dividir em duas: uma neutra, outra venenosa.
E, quando as duas alcançaram o equilíbrio, balançando dentro dele, ele tentou avançar mais.
Mas foi aí que a dor o atingiu.
Não foi insuportável, mas ele parou, não por causa da dor em si, mas porque não tinha interesse em tornar toda sua mana venenosa.
Ele ficou ali, de pé.
Era o momento perfeito para caçar.
Dessa vez… todas as suas habilidades seriam acionadas junto com ele.
Não só Reditha.
Seus talentos de sangue. Seus novos atributos. A mana venenosa que acabara de absorver, além de seus atributos e habilidade única.
Ele precisava ser eficiente na matança hoje, e, por acaso, agora era noite.
Timing perfeito.
Então, ele se levantou e seguiu em frente.
Desta vez, Kaden tinha uma forma muito específica de matar em mente.
Chega de mortes exageradas como na zona externa.
Aqui, ele mataria silenciosamente.
De um jeito tão sutil… que ninguém perceberia até que fosse tarde demais.
Para isso, Kaden planejava usar seu Sangue Corrosivo, sua Marca da Alma… e a mana venenosa que carregava dentro de si.
Já tinha traçado seu plano.
E então, partiu.
Seus passos eram leves. Quase invisíveis.
Ele ativou sua percepção ao máximo, já focando no seu primeiro alvo.
Era uma aranha negra, de rosto humano. Uma raça especial cujos rostos pareciam assustadoramente humanos, como de um jovem, indicando que a aranha ainda era relativamente jovem.
Suas pernas eram longas, com as pontas afiadas como lâminas, e seu corpo todo era coberto por uma carapaça negra profunda.
Parecia difícil de matar.
Mas isso não importava.
Reditha era mais afiada.
Kaden apareceu ao lado dela em completo silêncio e, com um movimento lento, porém incrivelmente rápido, cravou Reditha direto no crânio da aranha.
Não foi só um golpe de ponta.
Foi um golpe de alma.
Agora que Kaden podia ferir a própria alma, aquele único movimento não apenas rasgou a mente da aranha, machucou a alma, como também corroeu sua cabeça e a envenenou com uma só e terrível, fluida ação.
O resultado… foi monstruoso.
A criatura tentou gritar, bradar de dor, se debateu, mas Kaden colocou a mão sobre sua boca nojenta, silenciando-a com uma força tranquila.
Só saiu um suspiro abafado.
Os olhos dela fixaram-se na única parte visível do rosto de seu assassino,
Olhos carmesim.
E, ao olhá-los profundamente…
Sentiu como se estivesse se afogando num mar encharcado de sangue.
Um oceano que a matava com indiferença absoluta.
Como se sua morte… fosse tão natural quanto as ondas que se quebram durante uma tempestade, engolindo qualquer criatura ingênua o suficiente para ser pega por elas.
Que pena.