Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 94

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden ficou em silêncio.

Ao redor, os corpos de inúmeras feras—algumas rasgadas, outras esmagadas, todas mortas—e mesmo na morte, o sangue ainda fluía, grosso e pesado, como se se recusasse a desistir.

Ele permanecia ali, com seus cabelos negros e sedosos ondulando com a brisa fraca, os olhos vermelhos brilhando suavemente na sombra das árvores. Em sua mão, ainda reluzia a Reditha, com aquele tom vermelho profundo, mas agora encharcada de sangue, sangue que manchava sua lâmina delicada com riscas de violência.

E sobre seu ombro estava uma coruja preta com olhos vermelhos, observando em silêncio calado.

Preto e vermelho.

Esse parecia ser o tema de hoje, aparentemente.

Mas a visão, o visual daquela cena, era algo quase mítico. Algo saído de uma lenda.

Kaden olhou para os corpos e se lembrou de uma das condições para ter sucesso nesta missão de evolução: beber o sangue de todas as criaturas que matou.

Só de pensar nisso, a cabeça dele girava, o estômago revirava de nojo.

E como se tivesse lido seus pensamentos, Reditha pulsou, seu corpo inteiro brilhando em um vermelho mais intenso, como uma forma de protesto.

Kaden sorriu, divertido.

"Não é contra você, Reditha. Mas sério, como é que você gosta disso?" ele murmurou, balançando levemente a cabeça. "Isso é nojento."

Mas então… uma ideia travou na mente dele.

'Ela é como um vampiro…'

Era uma comparação ridícula, mas estranhamente precisa. Ainda assim, ele balançou a cabeça novamente e voltou seu foco para a tarefa à sua frente.

Beber aquele sangue.

Já sabendo que teria que fazer isso eventualmente, ele suspirou e resolveu logo, de uma vez por todas.

Com um movimento de sua vontade, Kaden usou seu controle de sangue para reunir todo o sangue das feras que havia morto. Ele fundiu tudo em uma grande esfera flutuante. Era uma mistura de várias cores, texturas e consistências.

Era horroroso.

Uma aberração de sangue, em camadas de tons que não deveriam existir juntos. Só de olhar já dava vontade de revirar o estômago.

Ele a comprimiu. Forçou-a a um tamanho semelhante ao de uma moeda.

Ainda assim, nojento.

Kaden fez careta.

"…Pequena Rory," ele chamou suavemente.

"Sim, Mestre!" ela respondeu instantaneamente, com voz brilhante, animada, sempre fiel.

Os olhos de Kaden nunca desvincularam da bola de sangue.

"Tenho uma força de vontade forte, não tenho?"

"A mais forte, Mestre! A melhor de todas!" Rory cantou, sem o menor traço de dúvida.

"Então me diga… por que eu tenho vontade de vomitar ao invés de comer essa merda? Mesmo sabendo que devo?"

Desta vez, Little Rory não respondeu imediatamente. Ela inclinou a cabeça, pensando fundo.

Depois, com o espírito de uma treinadora de um anime esportivo ruim, ela bateu a asa no ar e gritou:

"Você consegue, Mestre!"

Os lábios de Kaden se contorceram.

"…Muito motivacional. Obrigado."

E sem mais delongas, ele jogou a sangue na boca. Direto. Sem provar. Sem demora. Só no estômago.

Ele respirou lentamente, depois sorriu.

"Sim… Eu estava exagerando, ok?" ele falou alto, já sentindo o olhar de Reditha em seu lado, de dentro da mente.

Ela pulsou novamente e, desta vez, a emoção ficou evidente.

Sua sobrancelha se franziu.

"…Drama queen? Você acabou de me chamar de drama queen, Reditha?"

Ela não respondeu.

Ele suspirou, mas o sorriso permaneceu nos lábios.

Então,

"Certo, foco," murmurou Kaden, examinando o ambiente ao redor. Não havia mais monstros à vista. Nenhum sequer um.

Ninguém mais ousava se aproximar, não depois da sede de sangue que ainda pairava na área. O cheiro de morte saturou o solo.

O que significava…

Ele tinha que encontrá-los.

E com seu atributo de Percepção? Fácil.

E foi aí que a ideia surgiu na cabeça dele. Uma coisa ridícula. Uma coisa ousada.

"Acredito que posso terminar essa missão em dois dias," disse em voz alta.

Little Rory virou para ele lentamente, lançando um olhar.

O tipo de olhar que dizia: Vai com calma, seu louco…

Os lábios de Kaden se mexeram de novo.

"Ok. Não dois. Mas, com certeza, três," ele afirmou, com firmeza desta vez.

E então—

DING!

[Sua missão foi atualizada.]

[Prazo: 3 dias.]

[Penalidade: Perda de todas as suas moedas de morte.]

Kaden olhou para a atualização e sorriu.

Perfeito.

Era exatamente o que ele queria, uma desculpa para ir até o limite, desafiar-se e colher a recompensa que vinha junto.

E assim,

BOOOOOM!!

Ele se moveu.

O ar se distorceu, o vento uivou, e redemoinhos de pressão surgiram enquanto seu movimento destruía a terra sob seus pés.

Ele era uma tempestade.

Árvores, rochas, até a grama—tudo em seu caminho foi derrubado.

Ele não se importava com o que fosse.

Se estivesse na sua frente, morria.

Porque algumas feras se escondiam em coisas comuns. E ele não ia correr riscos.

Ele tinha razão, também.

Várias vezes, feras escondidas tentaram emboscá-lo e todas foram cortadas sem cerimônia.

Qualquer fera que encontrasse, qualquer que fosse, morria com um flash da Reditha. Sem preparação. Sem pausa dramática. Sem luta.

Elas apenas morriam.

Porque como poderiam lutar?

Quando a própria Vontade tinha nomeado-o como Transcendente, e as feras que enfrentava eram apenas de rank elevado recém-despertado.

Elas não podiam.

Então, morriam.

Uma a uma, duas a duas, às vezes em enxames, todas caíam. E Kaden, sem falhar, bebia o sangue de cada uma.

E depois do centésimo…

Aconteceu algo estranho.

O sangue começou a ter um sabor… doce.

Até o cheiro mudou, não era mais podre, nem amargo. Era rico, potente, quase viciante.

Kaden percebeu. Achou estranho.

Mas não parou.

Continuou aniquilando.

Os corpos se amontoaram. Montanhas de carne e osso. A zona externa mergulhada em vermelho, encharcada de sangue. O aroma de morte ficou tão intenso que chegou a sufocar. A respiração tornou-se difícil. O ar parecia asfixiar.

Quando atingiu as duascentas, uma névoa carmesim começou a se formar.

Uma névoa tão densa que só podia nascer de uma morte não natural. E ela envolveu a floresta como um véu de loucura, sussurrando promessas de esquecimento para qualquer idiota que se aventurasse dentro.

E mesmo assim, Kaden permaneceu ali, intocado após concluir sua carnificina por toda a zona externa da floresta.

Sem sangue nele. Sem uma mancha sequer.

Até Reditha estava impecável e reluzente.

Como se tudo aquilo nunca tivesse acontecido.

E então, ele colocou sua máscara.

Sem dizer uma palavra, entrou direto na zona central.

E no instante em que cruzou o limiar,

"Manipulação de Sangue — Explosão em Corrente."

Ele sussurrou.

Instantaneamente, todo o sangue que havia derramado na zona externa…

BOOOOOOOOOOOOOOOM!

Explodiu.

Tudo.

Em um único instante, a zona externa da Floresta de Asterion deixou de existir.

Nada restou.

Apenas morte e sangue persistiram.

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