
Capítulo 97
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden agora estava dentro de uma caverna, com as costas encostadas na parede fria e dura. O espaço era pequeno, úmido, e o oxigênio lá dentro era tão baixo que uma pessoa normal perderia o fôlego em menos de um minuto.
Mas Kaden nem percebeu.
Ele estava olhando para o novo título que tinha acabado de obter.
'Emissário da Morte, huh…' pensou interiormente—mas mesmo com todos os títulos que acumulou até agora, ele não sentia nada.
Somente Filho do Sangue, ou talvez Transcendente, tinha algum significado para ele. Os outros? Não valiam nada.
Ele não via sentido neles, ou a razão de a Vontade distribuí-los em primeiro lugar.
Mas também sabia de uma coisa certa: a Vontade nunca fazia nada sem propósito. Se lhe deu um título, era porque tinha um significado.
Algo importante.
'Apenas ainda não sei qual… e mesmo quando perguntei aos meus pais, eles não me disseram.' acrescentou Kaden, sua mente se dissolvendo nos pensamentos sobre sua família.
Ele tinha passado tanto tempo aqui, e nem fazia ideia de como eles estavam lá fora.
Estariam bem?
A Cerveau tinha feito algum movimento?
Algo novo estava acontecendo?
Múltiplas perguntas pulsavam em sua mente, e essa não era a primeira vez. Mas Kaden tinha aprendido a suprimir essas preocupações e focar somente na missão aqui em Fokay.
Só que agora, com o fim tão próximo, com o retorno a Darklore ao alcance, ele não conseguiu mais reprimir esses pensamentos.
Ou melhor… não queria.
Havia também outro motivo.
A Percepção de Kaden já havia ultrapassado o limite. Seus instintos e sua consciência não eram apenas mais aguçados do que a maioria. Estavam em um nível totalmente diferente.
Mesmo entre lutadores de nível Intermediário, sua percepção seria algo apenas alguns poucos poderiam igualar.
E combinada com sua habilidade extrema, sua percepção não era apenas aprimorada, era diferente.
Então, sempre que pensava na família, uma sensação suave, mas inconfundível de pavor surgia dentro dele.
E, como alguém que confiava mais que tudo em seus instintos, Kaden sabia que algo estava errado.
'Tenho que terminar essa missão rápido. Essa sensação ruim… vem piorando desde ontem. Está ficando mais clara. Algo está acontecendo.' pensou Kaden, seus olhos vermelho-carmesim brilhando com uma luz intensa e determinada.
Ele olhou para cima, seu olhar fixo na pequena fresta no teto da caverna, de onde entrava a luz da lua. A lua minguante pairava silenciosa no céu. Ele fez as contas na cabeça e percebeu que tinha cerca de duas horas até o fim da noite, quando o sol do Império surgiria, marcando um novo dia.
Apenas duas horas.
Mas mesmo assim, Kaden teve um pensamento ousado.
Ele tinha estimado anteriormente que levaria três dias inteiros para atravessar a floresta.
Mas na verdade…
'Ainda estava me subestimando.' pensou ele com uma expressão sombria.
Três dias?
Até dois já era demais.
Um dia era mais que suficiente.
Portanto, dentro da sua mente, Kaden tomou a decisão: terminaria a missão nas duas horas restantes e voltaria imediatamente para Darklore.
Ele se levantou lentamente, tirou a sujeira das roupas e começou a andar com calma e determinação, preparado para retomar sua matança silenciosa.
E assim fez.
A Reditha ficava mais aguçada a cada inimigo abatido, mais precisa a cada movimento, seu controle afiando-se como uma arma forjada no caos. Como se agora pudesse ajustar a nitidez de sua lâmina ao capricho—de uma linha de seda cortante a uma faca de cozinha opaca.
Mas não era só a lâmina dela—o controle sobre sangue tinha ficado excepcional. Melhor até que o de Kaden. Porque Reditha era mais conectada ao sangue do que ele jamais fora.
Então, naquele momento, os monstros não enfrentavam um predador, mas dois. Dois monstros, não caçando carne, mas sedentos unicamente por sangue.
E essa era a vantagem dos Guerreiro da Guerra.
Eles nunca lutavam sozinhos.
Nunca.
Sempre lutavam com suas armas, em uníssono. Essa ligação os tornava ainda mais assustadores.
E Kaden mostrava exatamente o porquê.
Não importava onde ele estivesse, a morte e o sangue pareciam grudados a ele como um amante, com Reditha seguindo ao lado, na cadência de sua violência, matando sem misericórdia.
Ela agora se movia sozinha, cortando inimigos com seu corpo e manipulação de sangue—even sem o comando de Kaden. Ela dançava no meio do massacre. E Kaden, do outro lado, matava apenas com seu corpo.
O tempo passava assim. O ritmo aumentava. O sangue se aprofundava.
E logo restavam apenas trinta minutos das duas horas que ele se dera.
Agora, Kaden permanecia parado, uma expressão grave no rosto, inclinando levemente a cabeça.
Ele tinha eliminado todas as feras da zona central, silenciosamente, sem alertar uma única alma.
E agora, só restava uma fera.
Como sabia disso?
Instinto. Era suficiente.
Mas esse não era o ponto.
O ponto era—
ele reconhecia a fera.
Era a mesma pantera sombria que tinha enfrentado antes de ser morto pelo slime majestoso.
"Você… nos encontramos novamente." disse Kaden, encarando a criatura.
A fera apenas o olhou de volta, silenciosa e sem compreender.
Claro que ela não se lembrava.
Kaden tinha revertido o tempo antes mesmo de encontrá-la.
Ele não esqueceu dela.
Mas a fera sim.
E isso estava tudo bem. Era apenas um monstro. Mas e se… e se fosse um humano? Alguém que ele tinha se aproximado?
Alguém com quem ele tinha rido, lutado ao lado, tocado, e depois teve que reverter o tempo antes de conhecê-lo, por algum motivo?
Ele teria coragem de reconstruir tudo do zero?
Será que conseguiria?
Porque criar conexões profundas... nunca é garantido. Às vezes, é apenas um capricho do destino, um momento compartilhado, uma conexão frágil de circunstâncias que une as pessoas.
Então, o que ele faria nesse caso?
Kaden não sabia.
E não queria saber.
Agora.
'Vamos lá, Kaden. Concentração.' acrescentou ele mentalmente.
Então, ao perder a chance de agir com estilo na frente de uma criatura que deveria ter conhecido ele, decidiu simplesmente acabar com aquilo.
Mesmo que a criatura à sua frente fosse de nível Mestre.
Dois níveis inteiros acima dele.
Mas Kaden não hesitou.
Ele estava confiante.
Então, sem hesitar…
"Vamos terminar isso, que acha?"
…
Enquanto isso, na parte mais ao norte de Fokay, dentro de uma casa de pedra azul que parecia gelo, mas não era exatamente, em uma sala de reunião silenciosa, Meris permanecia calmamente sentada em uma cadeira decorada de safira azul.
Lari estava logo atrás dela, silenciosa e de olhos atentos, ambas observando um homem de meia-idade com uma marca de gota de água na testa, cabelo preto e olhos azuis penetrantes.
O homem parecia calmo por fora.
Mas por dentro, ele estava em pânico.
'O herdeiro de Elamin?’
Ele não podia acreditar. Para uma família de manipuladores de gelo como a deles, a família Elamin sempre foi a que ambos invejavam… e temiam.
E agora o herdeiro deles estava ali.
Isso só podia significar coisa ruim.
Ao lado dele, estava um jovem com traços semelhantes, olhos fixos em Meris com um brilho estranho, indecifrável.
"Senhorita Elamin, poderia nos explicar o motivo da sua visita?" perguntou Lionnel Blueheart, com voz educada, respeitosa… e levemente trêmula.
Meris não respondeu imediatamente.
Sua expressão permaneceu neutra. Fria. Sem emoção.
Ela vasculhou lentamente a sala, seus olhos cortando cada presença. E quando fixou o olhar novamente em Lionnel,
"Soube que sua família conhece um caminho até a Zona Proibida, a Geleira da Lua," disse Meris.
Depois, com um sorriso suave e educado que carregava uma frieza por baixo da superfície,
"Posso saber esse caminho… por favor?"