Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 98

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

"Posso saber o caminho, por favor?" A voz de Meris ressoou suavemente contra as paredes azuis, marcadas por gotas d'água.

Suas palavras eram gentis. Polidas, até.

E foi exatamente isso que chocou Lionnel.

Como uma Elamin podia falar daquele jeito?

Você pode perguntar por quê, mas não é óbvio?

Meris nasceu na maior família de manipulação elemental dos dois mundos.

Seja fogo, gelo, vento, relâmpago, terra, magma—todos os elementais—ela dominava tudo com um refinamento que nunca tinha sido visto antes.

Ela foi criada em um ambiente que sussurrava constantemente a mesma coisa: "Nós somos o auge. Todas as outras famílias elementais estão abaixo de nós."

Uma mentalidade tóxica, sim. Mas o que mais você esperaria de um clã que governava seu domínio com supremacia incontestável?

Poder, quando deixado sem desafio, sempre gera arrogância.

Você começa a acreditar na sua própria propaganda. Você esquece a realidade.

Mas Meris nunca fez isso.

Ela não era alguém que olhava de cima para os outros por causa do status ou linhagem. Ela não se importava com isso.

Ela estava aqui apenas para encontrar um caminho para a Zona Proibida e completar sua missão.

Ela esperava algo interessante, algo desafiador, mas, na verdade, tudo que encontrava era gente com medo demais de sua origem para até se divertir.

'Suspiro... Vamos acabar logo com isso. Estou com saudades do Kaden… Será que ele está fazendo alguma coisa agora?' Meris pensou interiormente, seu coração vagando em direção ao homem que mais amava.

E, instintivamente, seus lábios se curvaram numa sorriso suave e caloroso. Um sorriso cheio de afeição e saudade, do qual ela nem percebeu que se formara.

Mas que grande erro foi esse.

Porque, enquanto sua mente pairava, seu olhar distraído caiu exatamente sobre o jovem ao lado de Lionnel.

Filho único de Lionnel. Seu herdeiro.

Ravin Blueheart.

E, ao ver Meris sorrir, achando que esse sorriso era para ele, seu coração pulou uma batida.

'Ela… ela sorriu para mim?' Ravin piscou, surpreso. E, ao confirmar que, sim, ela realmente estava sorrindo na direção dele, algo sombrio e sujo despertou dentro dele.

'Eu sabia. Herdeiro de uma grande família ou não, ela é como todas as outras vadias vestidas de empregada nesta casa.' Ravin pensou friamente, já planejando como fazer com que Meris estivesse abaixo dele... literalmente.

Lionnel finalmente saiu do estado de choque, seus olhos se fixaram novamente em Meris. Ainda não podia acreditar, mas sabia que não podia deixar aquela hesitação persistir.

"Senhorita Elamin, temos uma passagem secreta que leva à Zona Proibida," disse Lionnel, com tom cuidadoso. "Podemos guiá-la até lá. Mas..." ele fez uma pausa e então acrescentou,

"Vamos parar na entrada. A partir dali, você terá que seguir sozinha."

Meris inclinou levemente a cabeça, curiosidade brilhou em seus olhos.

"É tão perigoso assim?" ela perguntou.

Lionnel deu um sorriso irônico. "Senhorita Elamin... é uma zona proibida. Você já viu algo proibido que não fosse perigoso?"

Meris sorriu de relance. "Verdade," respondeu simplesmente.

Mas por dentro, seus pensamentos corriam rápido. Por que O Desejo a enviara aqui só para criar uma técnica? Toda essa situação parecia feita para testar suas habilidades de combate.

Pausa.

Seus pensamentos pararam ao refletir. Quanto mais pensava nisso, mais fazia sentido.

Porque lutar significava dominar suas habilidades. E quanto mais você lutava, mais as aprimorava. Com experiência suficiente, podia traçar seu próprio caminho, criar sua própria técnica. Especialmente em um espaço alinhado com seu elemento.

Algo mudou dentro de Meris.

Sua mente se esclareceu como água gelada cortando a neblina.

Ela entendeu agora. Entendeu por que O Desejo a enviou até ali.

Mas mesmo assim… por que uma zona proibida? Existem inúmeros lugares no mundo cheios de energia de gelo. Por que esse?

Ela não sabia.

E, exatamente quando ia aprofundar seus pensamentos, uma voz cortou seus pensamentos.

Uma voz jovem, confiante.

"Se estiver preocupada, posso acompanhá-la, senhorita Meris," disse Ravin, com sorriso tranquilo e tom agradável. Seu rosto, do tipo bonito que faz empregadas corarem, brilhava com uma graça silenciosa.

Justamente aquilo que as empregadas ao redor da sala faziam. Elas coravam, ria, e olhavam para ele como se fosse um príncipe de algum romance de banca barata.

Lionnel olhou para o filho de relance, mas não disse nada.

Ele conhecia seu menino. E confiava que ele não faria besteira… pelo menos, não algo que não pudesse controlar.

Meris não respondeu imediatamente. Olhou para Ravin, pensamentos indecifráveis passando por seus olhos.

Então, finalmente, um pequeno e firme sorriso surgiu nos lábios dela.

"Obrigado. Ficaria muito grata com isso," ela disse, com voz polida, comedida.

O sorriso de Ravin se aprofundou. Ele lhe fez uma reverência graciosa.

Com tudo providenciado, Meris foi levada até um quarto de hóspedes para descansar, enquanto os Blueheart se preparavam para partir.

Batida.

Meris caiu na cama, braços abertos, olhos fixando o teto azul de forma vazia.

Seus lábios se contorceram.

Furiosa.

Estava cansada daquele azul todo ao redor dela.

"Minha senhora, por que aceitou a oferta do jovem mestre para acompanhá-la?" perguntou Lari, com curiosidade na voz.

Meris apenas sorriu.

"Eu me questiono…?" ela respondeu baixinho, os olhos já se fechando.

Lari não insistiu.

Ela conhecia sua senhora o suficiente para saber quando não perguntar.

Mas tinha certeza de uma coisa,

aquele jovem não tinha ideia do que tinha acabado de entrar.

Meris agora estava diante de um portal de teleportação azul retorcido—aquele que a levaria para a Zona Proibida.

Ao seu lado estavam Lionnel, Ravin, algumas empregadas e vários conjuradores de runas, responsáveis por manter a estabilidade do portal.

Enquanto Meris observava a energia em espiral, um pensamento surgiu.

"Sou a primeira Elamin a vir aqui?" ela perguntou de repente, surpreendendo Lionnel.

Ele não esperava a pergunta.

"Não, senhorita Elamin… muitas outras já passaram por aqui. Mas…" ele hesitou, visivelmente confuso. "Só sabemos disso de boca a boca. Não sabemos quem eram nem por que vieram. Mas minhas especulações é que provavelmente seja pela mesma razão que você."

Ele era honesto. Não sabia por que nenhum patriarca registrava os nomes ou histórias das Elamin que tinham vindo antes.

E sempre que perguntava ao pai sobre isso quando criança, o homem permanecia mudo.

Mas havia uma coisa que seu pai tinha dito. Uma advertência que ele nunca esqueceu.

'Nunca provoque uma Elamin. E nunca entre na zona central da Geleira da Lua.'

As palavras ecoaram em sua cabeça enquanto seus olhos se voltavam involuntariamente para o filho.

Ele olhou para Ravin por um momento, depois virou-se.

'Ele não é tolo. Não vai condenar todos nós.' Pensou Lionnel, decidido a não dizer nada, preferindo confiar nele.

Enquanto isso, Meris ainda estava perdida em pensamentos.

Tantos Elamin já vieram aqui… mas nada foi deixado para trás. Nenhum rastro. Nenhum legado. Apenas silêncio.

'Estranho. Muito, muito estranho…' ela pensou.

"Senhorita Elamin, tudo está pronto," disse Lionnel, quebrando seu transe.

Recolhendo-se, Meris acenou com a cabeça silenciosamente e avançou para o portal, desaparecendo num instante.

Ravin a seguiu de perto, com aquele mesmo sorriso ainda no rosto—the sorriso de quem achava que tinha acabado de pegar sua presa.

Mas, na verdade…

Será que tinha?

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