Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 99

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Meris se viu em um ambiente totalmente diferente.

Não havia nada ao seu redor, apenas uma grande cortina de neve e uma neblina de gelo à sua frente, escondendo tudo.

Por toda parte, ela via apenas… neblina.

"Você está bem na porta da Zona Proibida, senhorita Meris", disse Ravin ao aparecer e ficar ao seu lado, à sua direita, enquanto Lari permanecia silenciosa à sua esquerda.

Meris, sem virar a cabeça para Ravin, respondeu:

"Onde fica a entrada? Só estou vendo essa negridão chata."

"Essa é a entrada. Assim que você der um passo à frente, será transportada para um espaço completamente diferente, na zona externa da Zona Proibida."

"Então existe a possibilidade de sermos separados, por isso, acho melhor segurarmos as mãos para ficarmos juntas e evitarmos complicações desnecessárias", concluiu Ravin, sorrindo suavemente, e estendendo a mão em direção a ela.

Meris olhou para a mão dele, e por um breve momento, sua expressão calma e polida desapareceu, substituída por um rosto vazio, frio e com a intenção clara de matar.

Porém, isso desapareceu tão rápido quanto apareceu, pois Lari surgiu e agarrou a mão de Ravin, oferecendo sua outra mão a Meris.

"Minha dama…" disse Lari, com os olhos fixos em Meris, de modo cúmplice.

Meris apenas sorriu. Recolocou sua máscara de calma, pegou a mão de Lari sem sequer olhar para Ravin novamente.

"Quer dizer como isso, Ravin?" ela questionou.

Ravin assenziu com um sorriso tenso, enquanto seu pensamento já amaldiçoava Lari mil vezes por ter intervindo.

'Maldita vadia. Não consegue agir como a empregada imunda que é e cuidar da própria vida?' Ravin pensou radicalmente, já planejando quando e como a mataria mais tarde.

Esses pensamentos passaram rapidamente por sua mente, e ele acreditava que tinha conseguido manter a expressão neutra… e tinha.

Porém, na frente de Lari, que aprendeu desde a infância como detectar qualquer mínima faísca de hostilidade contra sua senhora, o breve tremor de raiva fria em seus olhos não passou despercebido.

Mesmo assim, ela permaneceu calada. Confiava em Meris.

Então, sem mais delongas, eles avançaram, e o espaço ao redor deles se torceu — de uma maneira quase nojenta, quase doentia — como se estivesse se dobrando sobre si mesmo antes de engolir o trio inteiro.

Tump.

Eles aterrissaram dentro de um reino de…

"Nossa… que lindo", disse Meris instintivamente, as palavras escapando antes que pudesse pensar.

Parece algo tirado de contos de fadas sussurrados por deuses morrendo.

Estavam cercados por árvores profundas e imponentes, mas diferente de uma floresta comum, essas árvores eram cristalizadas, como gelo, com casca transparente que revelava raízes azuis que pulsavam dentro delas.

As folhas pareciam delicados flocos de neve, cada um único, congelados e flutuando como se suspensos no tempo.

Ela continuava observando, lentamente virando a cabeça, e viu que quase tudo aqui era prateado… a grama, as rochas, até o ar tremia com uma presença prateada tênue, vagando lentamente como poeira preguiçosa, brilhando suavemente em todas as direções.

Acima deles, pendia uma lua metade prateada, luminosa com uma energia quieta, mística e celestial, fornecendo luz suficiente para enxergar, mas não para confortar.

Uma lua claramente que não pertencia ao Império.

Meris e Lari aproveitaram para apreciar a região, deixando os olhos mergulharem naquela cena, com uma admiração típica de crianças, um sentimento de maravilha que nasce do espanto, não da lógica.

Enquanto isso, Ravin não olhava para as árvores, nem para a lua, nem para o reino.

Ele planejava. Pensava nas várias maneiras de finalmente colocar Meris sob seu controle — e então, de repente, uma lembrança veio à mente. Um lugar.

O ponto mais bonito e relaxante da zona externa.

"Senhorita Meris, deixe-me guiá-la… Tenho um lugar maravilhoso em mente que tenho certeza que você vai amar", disse Ravin, interrompendo o momento entre Meris e Lari.

Ela não olhou para ele, mas a palavra "maravilhoso" chamou sua atenção, e isso foi suficiente.

Ela aceitou simplesmente.

E assim, eles partiram.

No caminho, encontraram pequenas criaturas de gelo delicadas, muito fofas para parecerem ameaça, e alguns lobos azuis que Ravin matou facilmente, fazendo uma pequena demonstração.

Quanto mais avançavam, maior se tornava o perigo, e Meris percebeu rapidamente que aquela zona externa não seria fácil, nenhum pouco tranquilo, sem esforço ou violência.

Por fim, chegaram.

Uma pequena corrente de água de gelo e água se estendia à sua frente, e até Meris precisou parar por um instante.

A água azul fluía suavemente sobre uma superfície lisa e congelada, enquanto uma cascata de gelo caía do topo de uma estrutura elegante que parecia,

Um beast?

Uma estátua?

Um gato selvagem?

Essa foi a única coisa que veio à cabeça ao olhar para ela. Ela não sabia por quê.

Mas seu interesse não estava na forma, e sim no fenômeno.

Na maneira como o gelo de cima se transformava em água um segundo antes de tocar o rio abaixo… quão suave, perfeito, impossível de entender era aquela transição.

Ela observava, tentando compreender, já pensando qual técnica poderia reproduzir algo tão fluido.

Então, é claro, veio a interrupção.

"Este é meu lugar favorito. Gostou?" perguntou Ravin, agora mais suave.

Meris assentiu.

"Gosto", ela respondeu com a voz sem expressão.

"Mas há mais uma coisa que preciso também", ela acrescentou, virando a cabeça, com os olhos agora fixos nele.

"Preciso de um bom parceiro de treino para o que vou fazer aqui…"

Ela sorriu.

Aquele sorriso estranho.

"…topa ser meu parceiro de treino?"

As palavras ecoaram na cabeça de Ravin, e algo despertou entre as pernas dele.

Sorriu de canto.

"Vou treiná-la bem, senhorita Meris", disse ele, e o desejo em sua voz, mesmo que tímido, deixou bem claro o que queria dizer.

E aquele desejo…

'Bem… está confirmado. Ele vai morrer', pensou Lari friamente.

De volta à Floresta de Asterion,

Kaden lutava bravamente contra a pantera sombria.

De repente, deu um passo à frente, torcendo o corpo de forma anormal para a direita, evitando as garras afiadas da criatura por pouco.

Sem se afastar do lugar, levantou a mão, onde instantaneamente surgiu a Reditha, e desferiu um golpe direto nas garras da pantera.

Tink—!

O som ecoou como o choque de duas armas de aço.

Kaden recuou com calma enquanto a pantera desaparecia novamente nas sombras, sumindo completamente, antes de reaparecer em outro lugar como um espectro.

Ele olhou para ela em silêncio.

Já se passavam cerca de doze minutos de luta. Restavam só uns quinze.

Mas, por mais golpes que trocassem, Kaden não conseguia matar a criatura.

Ela era rápida demais. Evasiva demais. Escorregadia demais.

Ele sentia, podia desviar de seus golpes, mas assim que tentava contra-atacar, a besta se fundia nas sombras novamente.

'Preciso de uma maneira de machucar a sombra', pensou Kaden.

O Alma da Espada ajudaria, mas não o suficiente. Não aqui. Contra uma criatura de rank Mestre, a habilidade ainda não era forte o suficiente.

Ele continuava pensando, calculando, redirecionando ataques, suportando ferimentos. Nem todos os golpes eram bloqueados, alguns conseguiam passar.

Mais cinco minutos se passaram até que Kaden finalmente decidisse seu próximo movimento.

E então,

A pantera de sombra perfurou o coração de Kaden com as garras.

Sangue jorrou violentamente por sua boca, brilhante e espesso.

Mas ele sorriu.

"Até a próxima…"

[Você está morto.]

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