Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 88

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Inara se manteve firme, fazendo o possível para segurar sua mente de completamente desabarem, agarrando-se ao seu mantra.

Quanto à sua alma fragmentada? Ela nem tentou fazer algo a respeito, porque, na verdade, ela não podia.

A alma era algo que poucos tiveram coragem de explorar. Que diabo, ela duvidava que até sua mãe entendesse tudo nela.

Então tudo o que ela podia fazer era apertar os dentes com força e suportar a dor que rasgava sua essência.

Era tormento.

Era o inferno.

Era… loucura.

A dor durou horas. Horas de insanidade pura e, nesse período, sem que Inara soubesse, seu corpo começou a mudar.

Não externamente.

Mas internamente.

Seu sangue verde vibrante estava sendo substituído por um calástico negro profundo, que gritava impureza e monstruosidade. Onde quer que esse sangue passasse, mudanças aconteciam.

Seu coração mudou de forma, assumindo algo que ela não reconhecia, mais uma espécie de berço do que de órgão. Preto como breu, linhas de veias vermelhas, similares a galhos de árvores, pulsavam pela sua superfície.

Suas veias expandiram, tornando-se mais densas, resistentes, mas de alguma forma mais suaves, mais flexíveis.

Seus órgãos se transformaram. Seus intestinos assumiram formas não naturais. Sua biologia estava sendo reescrita de dentro para fora.

Até sua alma estava mudando.

Ela não era mais uma cobra.

Ela não era mais apenas uma menina.

Sua linhagem havia sido completamente reescrita.

Ela começava a se tornar algo novo.

Algo monstruoso.

A Caverna dos Monstros.

E, no entanto… apesar de toda essa mudança assustadora, sua aparência exterior permaneceu intacta. Ela ainda parecia a mesma serpente ingênua, inofensiva e doce.

Não—na verdade, sua beleza se intensificou. Sua pele cintilava com um brilho etéreo, seus traços ficaram mais afiados, e curvas começavam a se formar suavemente por baixo de sua túnica rasgada. Ela parecia…

Radiante.

Mais mulher, mais viva.

Mas, ah—

Não haviam sempre dito que as mais inocentes e belas são as mais perigosas?

E parecia que o sangue de Echidna tinha a determinação de levar essa verdade a um nível totalmente novo.

Mas tudo isso não significava nada para Inara agora. Ela ainda se afogava na dor.

Até que, de repente,


BADUM—!

Seu novo coração pulsou.

Um ritmo profundo e baixo de potência. Uma batida que ecoava por suas veias como uma canção de ninar carregada de domínio.

Instantaneamente, sua mente clareou. Sua alma se estabilizou. Seu corpo relaxou. E, pela primeira vez em um tempo que parecia uma eternidade…

Ela respirou.

"Ah… ah… ah…" ela gaguejou, o peito subindo e descendo de forma irregular.

Ela estava deitada ali, estendida no chão frio, os olhos fixos no teto escuro da câmara do julgamento. Uma profunda e repulsiva maldição se formava na ponta da língua dela, mas ela se segurou.

Ela não queria insultar a criatura que tinha o poder de fazer tudo isso.

Então—

"Terceiro desafio concluído."

A voz ecoou novamente.

"Terceira lição: Para se tornar a Mãe dos Monstros, você deve carregar seu peso em seu sangue."

Inara escutou, silenciosa. Cada desafio lhe ensinou algo.

O primeiro a fez entender que, se quisesse ser mãe de monstros, tinha que se tornar uma.

O segundo lhe ensinou a como criá-los e, mais importante, como agir com eles.

E este terceiro desafio… ensinou-lhe o verdadeiro peso do legado. A loucura pura. O poder. A natureza profana e impura dos monstros e a força necessária para contê-los por dentro.

Ela precisava estar acima deles. Carregá-los. Controlá-los.

E agora—


"Desafio final: Enfrente Echidna, A Mãe dos Monstros."

No momento em que a voz falou, a câmara começou a se transformar.

O chão escuro sob ela se quebrou e se deslocou, dando lugar a um campo vasto feito de ossos, cadáveres apodrecidos e poças secas de sangue de monstros.

O espaço se expandiu infinitamente, cheio apenas de morte e restos.

Acima dela, o teto rachou e desapareceu—substituído por um céu de sangue. Um céu vermelho literal girava sobre sua cabeça, ao redor de um sol negro e sombrio.

O ar ficou pesado. Pressurizado. Carregado com o lobo ranhoso de podridão e decomposição.

Inara fez uma careta, seu corpo tenso por impulso diante da atmosfera grotesca e avassaladora.

'Ah, merda…' ela amaldiçoou por dentro.

Ela escaneou o novo reino rapidamente, os olhos brilhando de nervosismo até pararem.

Lá.

Um trono.

Era negro como a noite, enorme, esculpido inteiramente de ossos e corpos de criaturas antigas.

Era aterrorizante.

Era belo.

Mas isso não era o que capturou o olhar de Inara.

O que a manteve imóvel… foi a mulher sentada naquele trono.

"…Linda…" Inara sussurrou sem pensar.

E ela não poderia estar mais certa.

A mulher no trono era alta—estátua, divina na postura—com a pele pálida, quase translucida. Seus olhos dourados eram irisos, como os de uma serpente.

Predatória, mas maternal. Perigosa, mas reconfortante.

Seu cabelo era longo, preto como a meia-noite, e movia-se levemente por conta própria, com brilho de ossos e escamas escondidos entre os fios.

Vestia um vestido fluido, preto com detalhes em carmesim, que se ajustava ao corpo como uma segunda pele, respirando em sintonia com ela.

Quando Inara olhou, a mulher levantou a cabeça para encontrar o olhar dela.

E então falou.

"Ah… finalmente, uma herdeira à altura," ela disse.

Sua voz era suave, materna, uma canção de ninar envolta em seda.

Mas por baixo… dava para sentir a podridão de sua voz. E também algo antigo, algo completamente errado e impuro.

Inara não conseguiu explicar em palavras. Mas, após tudo o que passou, seus instintos gritaram:

Esta mulher não é tão gentil quanto parece.

Ela imediatamente elevou sua guarda.

"Você… é Echidna? A Mãe dos Monstros?" Inara perguntou, mesmo já sabendo a resposta.

"Sou," respondeu Echidna, o rosto cheio de um calor maternal.

"E eu sou seu desafio final, candidata."

"Como é que eu…?" Inara começou a perguntar, mas hesitou. Algo não parecia certo.

Embora Echidna irradiava aura maternal… Inara sentia que estava sendo observada.

Milhares—não, milhões—de olhos invisíveis, todos olhando fixamente de todos os lados.

Parecia que uma palavra errada, um movimento errado… e ela seria devorada.

Ela tremeu.

Echidna não respondeu à pergunta. Simplesmente se sentou, régia e parada, observando.

E foi aí que Inara entendeu. Ela tinha que descobrir isso sozinha.

Então, lembrou-se do nome do desafio,

Enfrentar Echidna.

Não lutar contra ela.

Não matá-la.

Não derrotá-la.

Somente… encará-la.

A mente de Inara foi se acalmando de imediato.

Três desafios feitos, e ela não era mais a menina ingênua e insegura que entrou ali. Seus instintos estavam afiados agora. Ela via o que os outros perderiam.

Então, fez a pergunta mais importante,

O que meu oponente deseja?

'Uma herdeira.'

Por quê?

Ela não sabia.

Mas o que importava era que Echidna precisava dela.

Isso lhe dava poder.

Isso lhe dava vantagem.

Então, Inara respirou fundo.

"Eu vou cumprir qualquer tarefa que você precisar de mim como sua herdeira… desde que não coloque nem eu nem aqueles que amo em perigo."

Sua voz tremeu um pouco, mas suas palavras eram firmes.

E, pela primeira vez, Echidna sorriu.

Um sorriso verdadeiro.

E que coisa assustadora era.

Porque naquele sorriso, parecia que algo mais a observava.

Vigiando-a de dentro da sua boca.

Então, Echidna sussurrou suavemente…

"…De fato. Uma herdeira digna."

Comentários