Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 83

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 83

Cemitério de Monstros –

Fazia dias que Inara foi trazida até aqui pela Vontade—dias em que não fez nada além de caminhar sem rumo por esse lugar sombrio e desolado.

Ao seu redor, só tinha lápides. Sem árvores, sem sinais de vida, sem som—nada.

Parecia que não havia nenhuma criatura habitando esse reino.

Apenas ela… e os túmulos.

Deveria ser uma boa notícia. Deveria significar que ela poderia sair daqui sem problemas. Mas, depois de dias caminhando sem encontrar um único sinal de saída—e, mais importante ainda…

"Eu não quero sair daqui sem mudar," murmurou Inara para si mesma enquanto avançava.

Ela não podia aceitar partir do mesmo jeito. Tinha que queimar até a última gota de fraqueza de sua alma, ou então preferiria morrer aqui, esquecida entre as pedras.

"Aqui não tem nada além dessas sepulturas… então, se eu tenho que encontrar algo para ficar mais forte, tem que ser com elas," concluiu em voz alta, de repente parando no lugar.

Chega de perder tempo.

Ela ergueu a cabeça e escaneou a área cuidadosamente.

Seus olhos pararam em uma pequena e discreta lápide que emitia uma tênue luz cinza.

Com silêncio, cautelosamente, ela se aproximou, tomando cuidado para não ficar muito perto de outras pedras até estar a um palmo daquela que brilhava.

Ouhhhh…!

Ela inspirou fundo, preparando-se.

Então—

BAAM!

Ela chutou a lápide com força, sem hesitar, se preparando para o que viesse a seguir.

Porém, nada aconteceu.

Ela franziu a testa, surpresa com a completa falta de resposta.

Tentou de novo—um chute, depois outro—mas nada. Mudou a tática, colocando a palma da mão suavemente contra a pedra. Ainda assim, nada.

Testou tudo que conseguiu imaginar. Checou até se havia mecanismos escondidos, mas nada funcionou.

Depois de perder mais de meia hora, Inara finalmente recuou.

Ela olhou para a lápide com cada vez mais irritação antes de estalar a língua e virar-se de costas.

Depois daquela primeira tentativa, Inara ficou mais ousada.

Começou a interagir com todas as lápides que encontrava—tocando, chutando, batendo, até xingando, e em um momento estranho, beijando uma mais ornamentada.

Tudo na esperança desesperada de encontrar alguma coisa.

Mas passaram horas, e nada aconteceu.

Nada mesmo.

E, a cada minuto que passava sem reação, sua frustração só aumentava.

Então, ela fez algo que a mãe sempre tinha avisado para ela parar de fazer.

Começou a xingar.

Pesadamente.

"Porra de lápides inúteis! Vocês não conseguem nem fazer direito um simples desafio!"

"Coisa inútil, só serve pra parecer impressionante e ameaçadora! Mas vocês são uma porcaria!"

"Escutem?! Vocês não são porra nenhuma!"

Ela liberou tudo o que tinha. Sua boca saiu com as palavras mais repugnantes que conseguiu conjurar, usando cada palavra vulgar do seu repertório, tudo dirigido a um monte de pedras silenciosas que, na real, não tinham feito nada de ruim com ela.

Ou talvez… esse fosse o problema.

Depois de descarregar sua raiva, Inara finalmente sentou no chão, encostando as costas em uma lápide alta, áspera, coberta de minúscicos espinhos afiados, quase invisíveis. A lápide era estranha—se alguém olhasse de perto, daria para ver gravuras de incontáveis monstros, desde os mais baixos slime até as maiores hyrdas, todos se curvando diante de uma figura invisível.

Mas Inara não percebeu nada disso.

Ela apenas suspirou, apoiou a cabeça na superfície da pedra e tentou acalmar a mente e se recompor antes de continuar sua busca estranha e exaustiva.

Mas, no momento em que sua cabeça tocou a pedra—

Um espinho afiado a picou.

A dor irrompeu e ela imediatamente recuou.

"Que porra…?" murmurou, dando um giro e olhando para uma gota de sangue que agora se espalhava na superfície da pedra.

Seu próprio sangue.

"Que merda—"

Ela nem teve tempo de terminar de xingar antes que a lápide explodisse numa luz brilhante e cegante.

Ela instintivamente deu um passo para trás—mas percebeu que não havia chão sob seus pés.

Antes que pudesse reagir—

Inara caiu.

A terra sob ela se fechou assim que ela desapareceu, voltando ao seu estado morto, cheio de túmulos.

Pum.

Inara caiu pesada no chão, atingindo o bumbum com um grunhido.

Ela desacatou de novo e olhou para cima, só para ver uma tela brilhante aparecer diante dos seus olhos:

{Você entrou no Túmulo Legado de Échidna, A Mãe dos Monstros.}

{Você está qualificada.}

{Complete as provas da Mãe dos Monstros e seja seu herdeiro, ou falhe… e torne-se um dos seus monstros.}

{Seu destino está agora nas suas mãos, Inara Serpentine.}

Inara se levantou, olhando ao redor.

Não tinha nada além de trevas ao seu redor.

De repente, uma voz ecoou por toda parte, penetrando na sua mente e nos seus ouvidos ao mesmo tempo—uma voz profundamente feminina, primitiva e selvagem.

"Primeira Prova: Rejeição."

De imediato, o corpo de Inara convulsionou.

Ela começou a… se transformar.

Disgustante. Caótica. Monstruosa.

"ARRRGGHHHHHH!!!!!!"

Um grito gutural saiu de sua garganta—só para ser abruptamente interrompido enquanto seu rosto se torcia, transformando-se numa grotesca mistura de tentáculos e vermes.

E isso foi só o começo.

Seu corpo inteiro se retorceu novamente, dessa vez surgindo braços escamosos com garras cortantes—alguns crescendo de suas costas, outros de seus ombros, e até alguns… de seus olhos.

A visão era horrenda.

A forma de Inara mudava de uma configuração grotesca para outra, como se ela estivesse se tornando a soma de dezenas de monstros diferentes ao mesmo tempo—sem aviso, de repente.

Sua mente começou a se fragmentar.

Ela não sabia o que estava acontecendo.

Nem o que devia fazer.

Tudo que tinha era o título da prova.

Rejeição.

'De… quê?' pensou Inara, entre a dor, com suas ideias mal-coesas, enquanto seu corpo continuava a se transformar.

Ela lutou com todas as forças para manter sua forma original—para resistir ao caos, às mutações que a dominavam.

Porém, ela não entendia o que tinha que rejeitar.

Que tipo de rejeição era essa?

O que precisava fazer para passar?

Ela não sabia.

Talvez tivesse uma ideia—se soubesse o que realmente significava ser a Mãe dos Monstros.

Mas ela não sabia.

Então, tudo que podia fazer era lutar. Lutar para não desmoronar. Lutar para permanecer inteira. Lutar para sobreviver.

'Talvez… talvez seja isso que rejeição significa', ela pensou, com os dentes cerrados de dor.

Rejeitar todas essas mudanças. Negar a atração pela monstruosidade. Manter-se inteira.

'A—Fraqueza… é… um pecado…!'

Inara repetiu esse mantra como uma tábua de salvação enquanto seu corpo se torcia de novo—dessa vez, numa mistura horrenda de água-viva e Minotauro.

Ela seguiu repetindo—sempre—a todo momento—tentando desesperadamente lembrar-se de por que estava ali…

E do que queria se tornar.

E assim…

O sofrimento de Inara continuou.

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