
Capítulo 84
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Inara sofria intensamente, tanto que já não conseguia formar pensamentos racionais.
Sua mente estava fragmentada, sua vontade se desmoronando aos poucos, e a única coisa que a mantinha firme—impedindo que ela se entregasse completamente às mutações intermináveis que a devoravam—era sua constante mantra.
A fraqueza é um pecado.
Palavras ditas por um rapaz na sua idade, mas muito mais poderosas do que ela jamais poderia imaginar.
Um garoto que a tinha visto no seu pior, quando chorava e suplicava a uma besta que poupasse sua vida.
Foi algo lamentável. Vergonhoso, até.
Porém, aquele garoto de olhos vermelhos não zombou dela. Ele não a olhou com desprezo. Ele não a matou, mesmo sabendo toda a história tortuosa entre humanos e beastkin.
Ele nem mesmo sentiu pena dela.
Ao contrário, falou aquelas palavras. Palavras que ela acreditava terem sido feitas para impulsioná-la. Para torná-la melhor.
E foi exatamente isso que ela tentou se tornar.
Sua mana havia sido miserável, baixa e sua origem era apenas uma simples rank um.
Um completo fracasso, considerando que ela era a única herdeira de Medusa, a Rainha das Serpentes.
Mas ela não recuou. Treinou sua mana, sim—mas seu foco estava completamente em outro lugar.
No seu corpo.
Ela o treinou obsessivamente durante cinco anos longos. Tão intensamente, na verdade, que os outros homens-cobra acreditavam que ela morreria de exaustão.
'Tudo isso… em vão?' pensou Inara, destruída, enquanto seu corpo se mutava mais uma vez. Sua cabeça se torcia, formando um gigantesco olho preto-avermelhado, enquanto o restante dela se tornava líquido—amórfico, como uma gosma grotesca.
Era horrível.
Porém, mesmo assim, Inara já não focava mais no próprio corpo.
Algo mais emergia em sua mente… algo do passado.
Uma memória.
Palavras que sua mãe havia dito uma vez:
"Às vezes, você precisa destruir quem você é para se tornar quem deseja ser."
Pausa.
Os pensamentos de Inara congelaram ao redor dessas palavras.
'Destruir quem você é…?'
Elas penetram fundo.
E foi aí que ela se lembrou do nome do primeiro teste.
Rejeição.
Destruir. Rejeitar.
Palavras diferentes, mas em algum contexto… talvez não tão diferentes assim.
E esse momento aqui?
Era esse o contexto.
Instantaneamente, a mente de Inara se clareou. Como se uma neblina fosse retirada.
Ela havia estado agindo totalmente errado.
Ela não deveria resistir às mutações.
Não.
Ela precisava abraçá-las.
Ela tinha que rejeitar sua antiga eu. Rejeitar seu corpo antigo. Rejeitar o que era “normal”.
Ela tinha que aceitar o que estava se tornando.
Ela… tinha que aceitar a criatura monstruosa.
Só assim poderia sonhar em se tornar a herdeira daquela que era conhecida como A Mãe dos Monstros.
De repente, Inara soltou toda resistência.
Não foi fácil, pois seu corpo lutava instintivamente contra as mutações, gritando para preservar o familiar. Ela agora tinha que lutar contra seus próprios instintos.
E quão fácil seria, na verdade, para uma besta resistir à sua própria natureza?
De jeito nenhum.
Porém, Inara não desistiu.
Ela não podia permitir isso.
Ela queria provar para sua mãe e para aquele garoto de olhos vermelhos que não estava perdida.
Mas, acima de tudo… ela queria provar a si mesma.
Que ela podia fazer isso.
Que ela merecia isso.
E, finalmente, após horas de dor incessante, de um corpo que queimava e se torcia a cada transformação monstruosa, com cada mutação mais brutal que a anterior,
Inara conseguiu.
Ela acolheu a mudança. Cada transformação grotesca. Cada forma profana.
E, ao fazer isso, as mutações se intensificaram, tornando-se mais horrendas, mais monstrosas, mais… autênticas.
Seu corpo mudou mais rápido agora, e sua mente também, quebrando-se sob a pressão. Mas ela resistiu, agarrou-se àquela tênue ponta de si mesma, até que finalmente…
"Primeiro teste concluído."
A mesma voz de antes ecoou no vazio, e logo, todas as mutações cessaram. O corpo de Inara voltou à sua forma original, com seus cabelos verdes fluindo livremente, seus olhos serpentes escindidos e brilhantes.
"Primeira lição: Para ser A Mãe dos Monstros… você precisa aceitar ser uma monstro."
"Seu corpo foi modificado agora."
Uma pausa.
Depois—
"Segundo teste: Controle."
"Crie monstros com qualquer parte do seu corpo e controle-os."
Inara permanecia ali, encarando a escuridão ao seu redor.
Já havia um segundo teste, e esse era mais preciso nas instruções.
Porém, não havia limite de tempo, então talvez…
"Limite de tempo: 3 horas."
A voz voltou a ecoar.
E…
"Que droga!"
Inara praguejou.
…
Vamos voltar um pouco no tempo.
Enquanto isso, no espaço infinito escuro, onde o tempo não tinha sentido—
Kaden acabara de concluir a digestão do fragmento de conhecimento que obtivera.
E esse conhecimento… era sobre o cristal verde-ouro, sobre como ele funcionava.
"E se eu souber como algo funciona, com certeza posso descobrir como contrariá-lo," disse Kaden calmamente, sentado com as pernas cruzadas no vazio.
Ele realmente não precisava de muito.
Ele apenas precisava de um controle absurdo do sangue e uma percepção tão profunda que pudesse enxergar seu próprio interior.
Então, manipularia o sangue e o direcionaria exatamente para onde fosse necessário.
Algo que ainda não podia fazer… mas—
"Tenho pontos de status suficientes para maximizar duas habilidades. E as escolhas já foram feitas. Percepção e Inteligência," decidiu.
A razão era óbvia.
"Death, posso fazer isso aqui?" perguntou.
[Pode fazer qualquer coisa neste lugar, Host.]
Kaden sorriu com malícia.
Era como ter seu próprio campo de treinamento pessoal. Um lugar onde o tempo parava, onde podia fazer tudo, absolutamente tudo, e ainda voltar assim que terminasse.
"Incrível, mesmo…"
"Faça. Atribua 150 pontos em Percepção e 150 pontos em Inteligência."
Ele ia dar o máximo.
Porque, neste lugar…
Ele não sentia dor.
"Ah, droga… Death, estou começando a gostar de você," murmurou Kaden, sinceramente impressionado.
[Essa sensação não é recíproca.]
Respondeu Death com franqueza.
Então—
[DING! Distribuição de atributos concluída.]
[Você adquiriu duas Habilidades Extremas: Visão Verdadeira e Mente da Elevação.]
De imediato, as informações invadiram sua mente, preenchendo-a com conhecimentos sobre as duas habilidades e suas sub- habilidades.
Para Visão Verdadeira, tinha reflexo intuitivo, alarme instintivo e olhadela penetrante.
Para Mente da Elevação, os poderes eram cognição acelerada, controle perfeito e aprimoramento arcano.
Os nomes já indicavam em grande parte como funcionavam, e quanto mais Kaden as compreendia, mais magnífico ficava.
"Idiota…" ele murmurou com um sorriso enorme.
Agora, estava pronto.
"Death, me reviva."
Tic—!
…
"Só roxo será aceito," disse Hael com um sorriso.
Kaden sentiu imediatamente um perigo intuitivo. Sua Habilidade Extrema alertando-o sobre o cristal.
Ainda assim, colocou a mão sobre o cristal verde-ouro.
Como antes, ele se transformou em líquido e entrou em seu corpo.
E, como um ator experiente, Kaden fingiu surpresa, fingiu dor.
Ele chorou, gritou e se contorceu como alguém morrendo.
Mas, com Olhadela Penetrante, seguiu facilmente o sangue dentro dele. Rastreou-o, esperando e observando. Ainda não era hora.
Mas logo…
Hael começou a relaxar.
Ao ver o estado de Kaden, baixou a guarda e começou a dissolver-se em poeira dourada, lançando sua consciência na essência de cristal dourado dentro do corpo de Kaden.
Agora.
Os olhos de Kaden se abriram de repente.
Agora ou nunca.
Seu instinto gritou, e usando Mente da Elevação, ele assumiu o controle total do sangue.
Com precisão perfeita, redirecionou-o—afastando-o de sua alma e direcionando diretamente ao coração.
O coração inexistente de Hael pulou uma batida.
"Q-QUE?! O QUE ESTÁ ACONTECENDO?!" a voz de Hael ecoou nos ouvidos de Kaden.
Mas Kaden apenas sorriu maliciosamente.
"Você não queria me consumir e ocupar meu lugar?"
Sua voz ficou mais fria que a morte.
"Então, deixe-me te mostrar um pouco do seu próprio veneno."
"Maldito hipócrita."
—Fim do Capítulo 84—