Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 82

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Asterion – Os Mercadores do Magnata

Dentro da sala de alquimia, Meris ficou atrás de Viviette, que estava no processo de preparar uma poção de cura de nível comum para demonstrar a técnica a ela.

Ela observava atentamente enquanto os diferentes ingredientes eram misturados dentro das chamas roxas que Viviette controlava dentro do caldeirão alquímico. O procedimento era fluido—suave, praticado, quase poético.

Era como assistir algo que deveria estar junto finalmente se reunir—só que desta vez, para criar algo completamente novo, uma criação que carregava as propriedades distintas de cada componente utilizado.

E, ao final do processo, dentro do caldeirão, um suave brilho verde fluía sob a superfície. O aroma que se desprendia era sutil… e estranhamente relaxante.

Era mágico.

Era fascinante.

Até mesmo Meris—que inicialmente escolheu aprender essa arte só para passar o tempo enquanto esperava por Kaden—se via completamente encantada pelo processo.

"Mestre, isso é maravilhoso! Deixa eu tentar, deixa eu tentar!" exclamou Meris, os olhos brilhando de empolgação e alegria. Ela sorriu de orelha a orelha, como uma jovem que finalmente descobriu algo que merece sua total atenção.

Naquele momento, não havia traços da Meris fria e sem emoções que, uma vez, estivera pronta para matar uma garota inocente por um homem.

Naquele momento, ela era simplesmente… Meris Elamin, a bela e travessa do clã Elamin.

Viviette sorriu diante do entusiasmo de sua discípula. No começo, ela tinha preocupado que Meris não levasse a alquimia a sério, dada sua personalidade, mas agora…

'Acho que ela vai levar ainda mais a sério por causa dela,' pensou Viviette irônicamente.

Pois, afinal, Meris era do tipo que se envolvia completamente quando algo chamava sua atenção. Não havia meio-termo para ela.

Era ou zero… ou muito além de cem.

Até mesmo nas questões do coração.

"Devagar, devagar, jovem," disse Viviette suavemente.

"Agora que você memorizou o processo, pode tentar. Só mantenha o foco, e também…" ela fez uma pausa e virou-se para ela. "Fogo não é seu elemento natural, certo?"

Meris sorriu de forma travessa. "Ah, sim. Minha origem é gelo e água. Mas minha família é elemental, então tenho uma técnica que me permite controlar o fogo de forma sutil." Ela falou com leveza, como se fosse algo simples, mesmo tendo deliberadamente escondido esse detalhe quando pediu a Viviette para ser sua mentora pela primeira vez.

Ela havia mostrado a ela apenas uma técnica de manipulação de fogo—e Viviette, consciente do legado elemental da família Elamin, foi facilmente enganada.

Viviette suspirou.

"Então, você vai precisar de mais esforço para criar poções. Mas, com prática, chegará lá," disse ela.

Meris aceitou com entusiasmo.

"E quem sabe?" acrescentou com um sorriso malicioso. "Talvez um dia eu encontre um desses fogos celestiais."

"Como—?!'" Viviette se interrompeu e parou no meio da frase, de repente lembrando-se da família a qual Meris pertencia.

Ela suspirou novamente.

"Ouvi dizer que sua família tem vários. Pergunte a eles."

"Temos?" perguntou Meris inocentemente, inclinando a cabeça.

Viviette não comentou nada sobre isso.

"Vai lá. Tente. Depois, eu te digo no que precisa melhorar," ela orientou.

Meris acenou com a cabeça e avançou, pronta para começar—mas de repente parou. "Aliás, onde está o Kenan?" ela perguntou, percebendo que não o tinha visto.

"Os pais dele me disseram que ele está em isolamento, aperfeiçoando sua intenção. Ele não vai se juntar a gente por um tempo," respondeu Viviette casualmente, recostando-se na cadeira.

Meris apenas assentiu de maneira indiferente… e começou a preparar sua poção.

E assim, sua jornada na alquimia oficialmente começou.

Cidade da Dor – Igreja do Luto

Em uma sala tenuemente iluminada, Rea estava sentada com calma em uma simples cadeira cinza, a luz suave caindo delicadamente sobre sua pele.

A sala estava repleta de várias outras criaturas, mas todas elas estavam presas—contidas, impotentes, tremendo. Seus rostos distorcidos pelo terror.

Elas olhavam para Rea como um camponês encararia um monstro aterrorizante.

Com pura, sem filtro, medo.

Eram como se ela fosse apenas… um monstro.

E talvez… para elas, ela fosse mesmo.

Mas para Rea?

Ela apenas fazia seu trabalho.

E agora—era hora de cumprir seu dever diário.

Ela se levantou lentamente e caminhou até um dos humanos. Ele parecia ter uns trinta anos, mas o cabelo dele estava completamente branco, provavelmente por estresse prolongado e medo avassalador.

Ele recuou ao vê-la se aproximando, tremendo ainda mais.

"P-por favor… por favor… não hoje… misericórdia… misericórdia…" ele murmurou de novo e de novo, em um canto de desespero.

A expressão de Rea permaneceu impassível—mas por dentro…

'Eu não quero fazer isso também… Me desculpe… Me desculpe…' ela repetia silenciosamente, várias vezes, como se as palavras pudessem aliviar o peso. Como se pudessem tornar sua culpa suportável.

"Seu medo… é dor," disse Rea, sua voz tremendo levemente—mas ninguém reparou.

Eles estavam tão consumidos pelo próprio terror que não perceberam que essa entidade diante deles… também estava em sofrimento.

Sua dor era diferente. Seu medo era diferente.

Mas ela os sentia ambos. Por mais forte que qualquer um deles.

Eles não conseguiam perceber isso. E ela não os culpava.

Sem mais palavras, ela usou seu poder—amplificando o medo já presente no homem. Então, como sempre fazia, pegou uma pequena faca e a cravou em seu estômago.

"ARRRGGHHHHH!"

O grito foi cru—cheio de agonia e desespero—enquanto o homem gritou de toda sua alma.

Os outros recuaram.

Tremeram ainda mais forte. Começaram a gritar, implorar, chorar, berrar.

Descarregaram seu medo de toda forma que puderam.

Era sufocante.

Os olhos rubi de Rea tremiam enquanto os observava.

O medo deles—era imenso, puro e pesado.

De modo que, por um segundo, ela quase se perdeu nele. Só de olhar por tempo demais.

Mas ela se puxou de volta, forçando a mente a se manter firme.

'Eu sou Rea… me desculpe… eu sou Rea… me desculpe…'

De novo.

E de novo.

E de novo.

Até o fim do seu turno.

Até finalmente poder fugir daquela sala amaldiçoada.

Mas ao sair, ela encontrou a mãe Esmere à porta, sorrindo.

"Como foi seu turno, minha querida?" ela perguntou gentilmente.

Rea permaneceu ali, em silêncio, por um longo momento. Então, lentamente, abriu a boca.

"Foi maravilhoso, mãe Esmere," ela disse, sorrindo amplamente.

Mas aquele sorriso… aquele sorriso carregava dor, medo, culpa e tristeza tão imensos que não podiam ser descritos.

Deveria ser preocupante.

Mas, ao invés disso—

"Que sorriso mais bonito, minha querida!"

Que comentário maravilhoso.

Local Desconhecido

Dentro de um belo cômodo, semelhante a um palácio—construído inteiramente com árvores entrelaçadas—o ar tinha o cheiro do coração de uma floresta verdejante. Era pacífico, relaxante.

As paredes do cômodo—se é que podiam ser chamadas assim—eram feitas de folhas especiais. Folhas verdes que eram ao mesmo tempo sólidas como rocha e macias ao toque.

O chão era do mesmo material.

E sentado sobre uma cama feita de madeira e folhas entrelaçadas, um jovem com cabelo azul suave e olhos frios como gelo permanecia em silêncio.

Na sua frente, ajoelhada no chão, tinha-se uma garota que parecia ter cerca de dezoito anos. Seus cabelos dourados fluíam suavemente, como uma folha levada pelo vento.

Sua pele era pálida, e suas orelhas claramente elficas por natureza.

"Mestre… tudo está pronto," ela disse, com voz suave e melodiosa.

O jovem permaneceu em silêncio por um longo momento.

E então, num tom impassível, falou:

"Finalmente…"

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