
Capítulo 77
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden escolheu Will para ser o primeiro atributo a ultrapassar o limite por uma razão. Era a estatística que ele mais precisava naquele momento, pois logo, ele estaria indo a uma masmorra sobre a qual não sabia absolutamente nada, em busca de uma pedra de evolução.
Sabia que, com força de vontade suficiente, mesmo que sua força estivesse aquém, poderia morrer quantas vezes fosse necessário e retornar mais forte, sem ressentir-se dos efeitos negativos das múltiplas mortes.
Para ele, a escolha nem chegou a ser uma questão.
E no instante em que decidiu investir todos os 150 pontos de atributo em Will, Kaden imediatamente caiu no chão, seu corpo convulsionando, suas mãos agarrando sua cabeça com tanta força que parecia que tentava esmagar seu próprio crânio. E, de verdade,
não estava tão longe disso.
A dor que sentia era incalculável. Era como se um deus vingativo tivesse pego um martelo de guerra e bati-lo repetidamente em sua cabeça, cada golpe vibrando por seu cérebro como um trovão carregado de relâmpagos—seus ouvidos, seus olhos, sua boca, tudo começou a sangrar, violentamente e sem parar.
Reditha apareceu imediatamente, sua espada formada tremendo de pânico enquanto circulava de forma errática ao redor do corpo caído de Kaden, sua aura gritando preocupação e pavor, mas tudo que ela podia sentir de volta dele era dor.
Profunda. Crua. Sem filtragem. Dor.
No momento em que percebeu totalmente, seu corpo hesitou, quase fugiu, tremendo pelo peso daquilo que Kaden estava enfrentando. Mas ela se deteve assim que seu "olhar" voltou a se fixar nele.
Kaden ainda resistia, por pouco, mas era só graças ao seu atributo de Will que ele não tinha desmaiado ainda. Então, quando, no meio do caos, sentiu a dor aliviar um pouco, forçou seus olhos inchados a se abrirem e viu Reditha ali, tremendo de forma tão intensa que começava a rachar.
Porque ela era sua origem, ela estava ligada à sua dor e agora começava a compartilhar o peso.
Mas Kaden não queria isso.
Ele lentamente estendeu a mão, puxou-a para seus braços e, enquanto cerrava a mandíbula com tanta força que seus dentes pareciam que poderiam quebrar, rompeu a conexão entre eles, obrigando toda a dor de volta para si mesmo e somente para si mesmo.
Ele gemeu, retorceu-se, chorou, amaldiçoou—mas tudo isso, ele suportou com Reditha tremendo silenciosamente em seus braços, incapaz de fazer qualquer coisa além de assistir.
Essa agonia durou duas horas.
Duas horas de puro tormento. Duas horas em que Kaden flirtou com o desmaio repetidamente, mas nunca cedeu.
E quando acabou, ele jazia ali, imóvel, quebrado, mergulhado em sangue escuro, fétido e fedendo. Até seu rosto havia se ensopado naquele sangue.
Era sangue impuro—sangue que tinha sido expelido de seu cérebro, seus nervos, suas veias—cada parte corrompida ou indigna dentro dele purgada pela força da evolução.
DING!
[Will: 201.]
Apenas um ponto. Só um. Parecia tão pouco.
Tão insignificante.
Mas…
DIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIINGGGGGGGGGG!!!!!!!!
Um som profundo, quase sagrado, explodiu em sua mente, deixando-o completamente desorientado. Ele forçou seus olhos pesados a se abrirem, e na sua frente apareceu um painel, grande e ousado, com letras vermelhas escorrendo como se fossem sangue fresco.
Uma ilusão. Mas uma ilusão assustadoramente real.
O Will.
{Kaden Warborn, você é a primeira pessoa em toda Fokay a ultrapassar o limite imposto pela sua ordem de nascimento naturally.}
{Que conquista magnífica.}
{Você recebeu um Título: Quebra-Limites}
{Despertou uma Habilidade Extremamente Única: Soberania de Ferro}
{Parabéns, Filho do Sangue.}
E então veio a Morte.
[Soberania de Ferro]
[Descrição: Não importa o medo, não importa a dor, não importa os obstáculos—você não vacilará. Caminhará, rastejará se necessário. Mas avançará.]
[Habilidades:]
Bastião Inquebrável (Passiva): 80% de resistência à dor. Imunidade ao medo e a debuffs mentais até o nível Mestre.
Impulso Imortal (Passiva): Seu foco não pode ser quebrado. O consumo de stamina é reduzido pela metade.
Domínio da Vontade (Ativa): Force sua Vontade sobre os inimigos. Se a deles for mais fraca que a sua, sofrerão desorientação, paralisia ou perda de consciência, dependendo da diferença.
Kaden permaneceu imóvel, respirando com dificuldade, encarando fixamente por um momento, antes de murmurar—
"Porra…"
Ele amaldiçoou não apenas por causa do poder esmagador que adquirira, não só pelo Título e pela Habilidade Extremamente Única, mas pelo sofrimento brutal e desolador que veio junto com tudo isso.
Já tinha esquecido partes disso.
Mas ainda assim, queria amaldiçoar.
De repente, Reditha começou a tremer novamente em seus braços—dessa vez, violentamente, seu corpo brilhando em vermelho, suas emoções explodindo em uma onda de calor furioso.
Kaden sorriu de forma amarga.
"Desculpa. Desculpa. É que eu só não queria que você passasse por isso," disse, sinceramente arrependido—mas as palavras só pareceram piorar a situação.
Reditha brilhou com uma luz vermelha intensa, sua raiva nem mesmo diminuindo um pouco.
Foi só após vários minutos que ela finalmente se acalmou, depois que Kaden prometeu caçar uma criatura especial para ela absorver seu sangue—uma pequena oferta, mas que ela aceitou.
Agora, após um longo banho, Kaden sentou-se à beira da cama.
E aos poucos, um sorriso orgulhoso começou a surgir em seus lábios.
Pois ele se lembrou do que A Vontade tinha dito.
Ele era o primeiro.
O primeiro em toda Fokay a quebrar o limite natural.
O primeiro a obter o título Quebra-Limites.
O primeiro a despertar uma Habilidade Extrema Única.
E, honestamente… nem ficou surpreso.
Porque quem, em sã consciência, treinaria uma única estatística por décadas, só para ultrapassar 200 no rank Despertado?
Ninguém.
E é justamente por isso que conseguiu.
Ele tinha o sistema. Tinha as ferramentas. E tinha coragem para usá-las.
E, mais do que isso—ele aprendeu algo mais.
Que todas as estatísticas, uma vez ultrapassado seu limite… lhe recompensariam com uma habilidade única.
Ou seja—Força, Agilidade, Mana, Percepção e todas as demais estavam apenas esperando para serem quebradas.
Ao pensar nisso, Kaden mal podia se segurar.
Ainda tinha 35 pontos de atributo sobrando.
Precisava de mais.
Sem perder tempo, puxou seu comunicador rúnico e digitou:
Estou pronto, com a localização anexada.
Poucos minutos depois, sentiu uma presença.
Ele ergueu a cabeça e viu Boris, de pé ali, como se saído das sombras.
Kaden não reagiu imediatamente.
"Você tem tudo que preciso para ir até lá?" perguntou de imediato.
Boris não respondeu na mesma hora—ele apenas olhou para Kaden. Algo nele parecia diferente. Sua presença, seus olhos, sua aura—algo havia mudado.
Olhar nos olhos vermelhos do jovem mestre, Boris sentiu o mais leve desconforto. Algo primal.
Ele se sacudiu, reachou sua loja de espaço e puxou uma bola rúnica, oferecendo-a de forma respeitosa.
"Tranque isso. Vai te transportar direto lá. O portal da masmorra estará bem na sua frente," disse Boris calmamente.
Kaden pegou a bola, examinando-a.
"Você não vai comigo?" perguntou.
"Tenho que voltar ao Darklore, jovem mestre. A jovem precisa de mim," disse Boris, inclinando-se levemente em sinal de desculpas.
Seus palavras fizeram Kaden estreitar os olhos.
"Algo errado?" perguntou, com tom mais frio.
"Não. Provavelmente só umas coisas pendentes," respondeu Boris suavemente. Sua jovem senhora tinha sido clara—não dizer nada para Kaden.
Kaden apenas assentiu.
Sem hesitar, ele quebrou a bola.
"Se for uma armadilha, volto e te mato. E, por último…"
Sorriu.
Um sorriso bonito, mortal.
"Diga um oi para minha irmã."
E então, desapareceu.
Deixando Boris sorridente para trás.
"Vou passar a mensagem…" ele disse suavemente antes de também desaparecer.
…
Cap zow.
"Droga!" Kaden resmungou ao cair de bunda.
Ele realmente tinha um problema com teleportação.
Gemendo mais uma vez, levantou-se e, bem na sua frente, como Boris tinha dito, havia um portal giratório de preto e vermelho.
Ele pulsava com uma energia ameaçadora.
E, de alguma forma, sem saber exatamente por quê, fez com que ele pensasse em Nocthar.
'Espero nunca mais encontrar aquele cara… se é que ainda está vivo,' pensou Kaden, forçando a memória a se afastar.
Ele fechou os olhos. Respirou fundo. Exalou. E abriu novamente.
Olhou ao redor. Tudo que via eram construções estranhas—pedras irregulares, antigas e tortuosas, dispostas como—
'Sepulturas?'
Ele franziu a testa. Mas sacudiu o pensamento também.
Agora não era hora para isso.
Sem hesitar,
Kaden deu um passo à frente
E entrou na masmorra.