
Capítulo 79
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
A batalha tinha começado.
Os soldados do Guerreiro Nascido na Guerra nem hesitaram por um segundo. Todos sacaram suas armas e correram alinhados às feras como berserkers selvagens, com sede de sangue nos olhos.
Logo, o combate se espalhou por toda a imensa paisagem deserta. Armas chocaram-se contra garras de aço. Soldados sedentos por sangue enfrentaram criaturas também famintas por sangue.
Não houve misericórdia. Nem hesitação. Apenas uma coisa dominava a mente de todos ali—matar. Matar quem estivesse na frente. Nada mais.
Os Guerreiros Nascidos na Guerra não lutavam em formação. De longe, pareciam selvagens descontrolados, caóticos e desorganizados.
Mas vocês estão enganados.
Eles eram soldados forjados na guerra e no fogo—nascidos no sangue, criados em batalhas sem fim. Seus instintos eram aguçados, brutais e implacáveis. Não precisavam coordenar-se. Não precisavam falar. Cada um simplesmente sabia o que fazer—e fazia perfeitamente.
O sangue começou a jorrar na areia enquanto a morte se espalhava. Os soldados atravessavam as criaturas como lâminas atravessando carne, usando suas armas e uma multitude de poderes que refletiam suas origens.
Alguns usavam fogo, enfrentando monstros que queimavam com aço em uma competição violenta de calor—cada um tentando ver quem poderia cozinhar o outro mais rápido e mais completamente.
Outros confiavam na força bruta, jogando suas armas de lado e optando por usar os punhos—e, ai, como eram fortes. Um único soco e as criaturas ficavam desorientadas, zonzas ou simplesmente viravam pó.
Havia também aqueles com origens de velocidade, correndo pelo campo de batalha em um piscar de olhos, matando com um golpe ou deixando seus alvos à beira da morte, prontos para serem finalizados pelos colegas.
De vários tipos diferentes de habilidades, estilos diversos... mas não era caos. Era experiência. Era disciplina.
Era o Guerreiro Nascido na Guerra.
As mortes se acumulavam. A areia sob seus pés se tingia de vermelho.
Porém, até então, os Guerreiros Nascidos na Guerra tinham a vantagem. Porque mesmo que morressem, nunca morriam sozinhos. Esse era seu credo.
Se a morte vinha buscá-los, eles levavam uma fera ao seu lado até o túmulo. E se um soldado falhasse, outros tantos se juntariam ao inimigo sobrevivente até hoje não sobrar pedra sobre pedra.
Justamente como uma Colmeia.
Sem vergonha.
Daela observava tudo com olhos calmos. A areia manchada de sangue não a perturbava. O cheiro de ferro que invadia o campo de batalha não a afetava. Ela avançava sem parar, indiferente, indo direto ao encontro do comandante do exército inimigo. De cada lado, Sana e Boris se moviam como sombras gêmeas, matando qualquer idiota que ouse se aproximar dela.
"Fica aí e ajuda os soldados," disse Daela suavemente, antes de seguir sozinha adiante.
Logo, ela parou diante do comandante.
A fera sorriu de forma diabólica, ergueu sua enorme espada de aço e a apontou para ela, vindo das costas de seu cavalo de aço.
Provocação.
Ela tentava provocá-la.
Daela não falou. Não piscou. Levantou as mãos—e, num instante, suas espadas gêmeas de prata se materializaram em suas palmas.
Ela deu um passo.
E desapareceu como uma miragem... como um eco.
Ela apareceu instantaneamente na frente do steed do monstro e cravou suas espadas profundamente nos olhos do cavalo de aço, antes de voltar calmamente à sua posição original.
Toda a ação não durou nem dois segundos. Foi tão rápida que o comandante só percebeu o que tinha acontecido quando ouviu o grito de garra e sangue de seu mount e sentiu-o colapsar sob ele.
NNNGHHHHH!!
O cavalo de aço se debatia descontroladamente no chão, com as duas espadas ainda embutidas em seu crânio, recusando-se a se soltar.
O comandante ficou atônito. Seu olhar se voltou para Daela—e ele tremeu.
Ela estava bem ali.
Um centímetro dele—e ele nem percebeu.
Ele tentou recuar, mas a mão de Daela saiu com velocidade assustadora, agarrando seu pescoço como uma presilha.
Ela o encarava nos olhos com desprezo puro e crudelamente frio.
"Nível mestre, né?" ela comentou geladamente.
Daela mesma era de nível Mestre. Mas essa coisa? Nem suportava sua presença.
O monstro tremeu sob seu toque. Seus olhos vermelhos estavam tão vazios de emoção que fizeram os ossos dele tremerem. Era como se ela nem olhasse para uma coisa viva, apenas para um lixo descartável.
Ela levantou a mão livre.
Uma das espadas embutidas no cavalo de aço desapareceu instantaneamente e reapareceu na palma de sua mão.
E, sem hesitar, ela a cravou no olho do comandante da criatura.
A lâmina atravessou o crânio e saiu pela parte de trás da cabeça.
Coxim.
O corpo caiu.
Daela ficou imóvel por um momento, depois apenas cortou de forma casual o cavalo de aço agonizante com um movimento só. Uma ferida profunda se abriu no peito dele—mas ainda assim, ele se mantinha vivo.
Só por um segundo, porém.
Um segundo depois, uma fonte de sangue jorrou da ferida enquanto seu corpo desmoronava.
Espada de eco.
Daela virou-se, seus olhos vasculhando o campo de batalha.
Todos os monstros de aço haviam sido mortos. Mas mais da metade dos soldados do Guerreiro Nascido na Guerra também haviam caído.
"Morremos no campo de batalha… morremos com honra."
"Enterrem os corpos. Tragam os cadáveres das feras de aço para forja."
Sua voz permanecia tão calma quanto sempre. Ela virou-se e voltou para sua tenda, sua mente girando com pensamentos.
Isso não foi o fim. Nem perto disso.
E se o inimigo enviou uma fera de nível Mestre hoje, só era questão de tempo até mandar algo pior.
Nível Grande Mestre.
Então ela precisava se preparar. Precisava de mais soldados. Mais poções. Mais artefatos.
E é só em momentos assim que ela se lembra...
Que ela tem outro irmão.
'Onde estará Dain…?' ela pensou consigo mesma. Seu irmão mais velho era tão imprevisível.
…
Fokay – Dentro da Masmorra: Lugar de Descanso Eterno
Kaden estava em uma situação complicada.
"Ei, cara, sério? Por que está me ignorando?" gritou Kaden, de pé na cabeça da fera gigante.
Mas a criatura não se mexeu. Não reagiu. Era como se, ao resistir à ilusão de Kaden, ela tivesse perdido o interesse.
Era como se a fera dissesse: "Você ganhou. Agora volte para onde você pertence."
E ele podia voltar. Tanto A Vontade quanto seu sistema confirmaram isso.
Ele tinha conseguido a pedra de evolução. Ainda ganhou um pequeno artefato de corrente que dava resistência mínima a ilusões.
Lixo inútil. Ele já tinha sua Habilidade Extrema para isso.
Até as 500 Moedas da Morte e os 50 pontos de atributo pareciam fracos.
Então, antes de sair, ele quis mais uma coisa—ser morto. Queria que a fera o atacasse, só uma vez, para que pudesse morrer e obter alguma recompensa com isso.
Mas ela o ignorou completamente. Como se ele nem existisse.
'Que fera estranha…' pensou Kaden, exatamente por isso estava tão interessado em descobrir o que tornava essa criatura tão especial.
Então ele não parou. Sua vontade era monstruosa. Continuou incomodando a fera sem descanso.
Quando isso também não funcionou, decidiu explorar as árvores estranhas que cresciam em suas costas. Caminhou sem rumo, chutando pedras, hummm alto—fazendo o máximo barulho possível.
Isso durou quase quatro horas.
Até que, de repente, Kaden parou.
Ele fixou o olhar à frente.
Não havia nada lá. Apenas espaço vazio.
Mas…
Ele sentiu.
Aquela sensação. A mesma de quando entrou pela primeira vez na masmorra.
Ilusão.
Ele sorriu de lado e concentrou-se intensamente, ativando o Golpe de Vontade, empurrando sua percepção e sua força de vontade ao limite absoluto.
E lentamente—tão lentamente—começou a perceber algo.
Um espaço oco.
Como a boca de uma caverna. A entrada de algo esquecido. Algo antigo.
Quando seus olhos fixaram-se nele—
DING!
{Condições Ocultas atendidas.}
{Dificuldade da Masmorra e Recompensas atualizadas.}
{Dificuldade: Desconhecida.}
{Recompensas: Desconhecidas.}
Kaden sorriu tortamente.
É disso que estou falando.
—Fim do Capítulo 79—