
Capítulo 80
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden olhou para o portal oco, a curiosidade dançando em seus olhos vermelhos como sangue, e depois lançou um olhar para o painel de notificações de The Will, dizendo que ele tinha cumprido uma condição oculta.
Obviamente, deve ter sido graças a ele ter encontrado aquele lugar.
"A dificuldade pulou de intermediária para desconhecida, e as recompensas nem aparecem mais," murmurou baixinho, com uma mão no queixo, a expressão fechada de pensamento.
Ele não precisava de um gênio para saber que, a partir de agora, o perigo estava bem fora da curva.
E, pela primeira vez desde que entrou neste calabouço… havia uma chance real de ele morrer.
Isso o fez sorrir.
—Morte, quantas moedas eu tenho agora?— perguntou interiormente.
[3500.]
—Pó-de-mico, o suficiente para morrer e voltar várias vezes.— assentiu, satisfeito.
Respirou fundo, reuniu seus pensamentos e deu um passo à frente em direção ao portal.
No momento em que entrou, a enorme besta atrás dele lentamente abriu seus olhos anfíbios. Agora, a curiosidade brilhava ali. E, pela primeira vez, uma centelha de algo próximo a… expectativa.
'Uma criança com alto potencial…'
'…o Will dele também é forte… sim… talvez essa… talvez… mas… será que a força dele será suficiente pra ele?’
A besta balançou lentamente a cabeça, como se fosse preguiçosa, derrotando a esperança outra vez.
E se Kaden tivesse ouvido seus pensamentos, teria amaldiçoado ela direto pro inferno por ignorá-lo o tempo todo, enquanto entendia cada palavra que ela dizia — e, em segundo, perguntaria:
Que porra ela era?
Infelizmente, para ele, já estava dentro do portal.
Felizmente, para a besta… agora ela podia dormir tranquilamente, sem a mosca irritante zumbindo na cabeça dela.
…
Kaden reapareceu em um lugar completamente novo.
Tudo era branco.
O chão, o céu — se é que se podia chamar assim — tudo era puro branco e sem fim à vista. E bem no centro, como um batimento do coração congelado no tempo, havia um caixão.
Era de tamanho regular e branco simples. Mas não era sem graça.
Fios dourados o rodeavam em espirais elegantes, formando o que parecia um sigilo — duas mãos gigantes, formando um concha ao redor de algo invisível.
Olhando para ele, Kaden de repente sentiu o calor crescer dentro dele. Não calor físico — emocional.
Uma sensação de paz. De bondade.
Seus olhos se estreitaram. Seu Will disparou, movendo-se como reflexo e esmagando qualquer coisa que tentasse manipular seus sentimentos.
'Que porra—'
"Oh, uma visitante!"
A voz foi repentina, quente, casual.
A cabeça de Kaden virou rapidamente em direção ao som.
Uma entidade estranha flutuava ali — homem, aparência humana, altíssimo, talvez uns dois metros e alguns. Tinha cabelo branco puro e olhos dourados que brilhavam com uma luz tão artificialmente calorosa que Kaden instintivamente recuou um passo.
Calor demais. Calmaria demais. Estranho demais…
Um sigilo dourado vibrava em sua testa — o mesmo que estava gravado no caixão.
"Se você está aqui, significa que seu Will e potencial eram altos o suficiente. E também significa… que você passou no teste do pequeno Rory," disse a entidade, passando a mão no queixo pensativamente.
Depois, ele sorriu.
Sorriso largo.
"Parabéns, garoto. Você tropeçou na minha herança. A herança de Hael Malaika, a única e verdadeira."
DING!
[Nova Missão Recebida: Herança]
[Dificuldade: Quase-Hell]
[Descrição: Você descobriu a herança de Hael Malaika, o Fragmento do Sem Alma. Sua única missão, Filho do Sangue… saqueie tudo.]
[Recompensas: Dependem do desempenho]
[Penalidade: Nenhuma]
Kaden piscou. Seus olhos se estreitaram um pouco enquanto ele focava na última linha.
'Sem alma…?'
'O que isso quer dizer? Como uma entidade pode ser sem alma?'
Ele mal teve tempo de terminar o pensamento quando o cara falou de novo.
"Garoto, você está me ignorando?" Hael perguntou, ainda com aquele sorriso excessivamente perfeito.
A pele de Kaden formigou. Algo naquela voz — não era falsa. Nem ameaçadora. Era demasiado agradável. E era isso que a tornava pior.
"Qual é sua herança?" perguntou Kaden, cauteloso, mas curioso.
"Ah, ótima pergunta!" exclamou Hael, radiante.
"É simples. Se você conseguir, ganhará um Traço. Não qualquer Traço — um que pode fazer você ser temido por Fokay ou por qualquer outro mundo."
Kaden se inclinou um pouco. A palavra Traço pegou forte nele.
Ele faria qualquer coisa por um. Um Traço não consume mana. Não gasta stamina. Era poder puro, sempre ativo. Passivo. Confiável. Impiedoso.
"Vou te falar uma coisa, porém," continuou Hael, "meu Traço é meio especial. Tão especial que, para usá-lo ou consegui-lo, você precisa de um Will anormalmente alto. E o quão forte ele fica também depende do seu Will."
Isso tudo fez as coisas clicarem na cabeça de Kaden.
Sorriso suave, sem se incomodar com essa condição.
Ele colocaria todos os pontos em Will, se fosse o que fosse necessário.
"Qual é o teste?" perguntou. "Estou pronto."
Hael pareceu verdadeiramente satisfeito.
"Meu teste é simples. Primeiro, suporte dois minutos de minha projeção de Intent total. Não desmaie."
Kaden assentiu. Respirou fundo lentamente. Preparou a mente.
"Eu—"
BOOM.
Seus joelhos atingiram o chão antes mesmo de terminar a frase.
Seu corpo começou a tremer.
Uma aura branco-dourada o envolveu — não tocando sua pele, não rasgando sua mente, mas passando direto por tudo…
Direto à alma.
E isso era algo que Kaden nunca treinara. Nunca tocara. Nem sequer pensara nisso.
Ele rangeu os dentes. Agarrando-se ao peito, como se isso fosse ajudar.
Mas não ajudou.
Parece que sua alma estava sendo dissecada. Esquadrejada por uma lâmina feita de chama sagrada. Pouco a pouco.
Era extremamente doloroso.
Gemas ecoaram pelo espaço branco. Sons profundos, animais, de dor.
E Hael ainda sorria.
Não havia zombaria nem sadismo.
Somente um sorriso. Caloroso e tranquilo.
Passaram-se dois minutos.
Kaden desabou no chão, o corpo tremendo, a alma profundamente machucada, os olhos vazios.
Qualquer outro na sua patente estaria morto.
Apenas a Soberania de Ferro o manteve vivo — e quase o destruiu.
Ele respirou ofegante. Sentou-se lentamente.
"Que patente você tem…? Patente de Grande Mestre?" perguntou, com os olhos um pouco estreitados.
Hael apenas sorriu de novo. "Seu Will é incrível. Você nem chorou."
"Grande Mestre? Bem… digamos que sim," respondeu de modo enigmático, e depois jogou algo para Kaden.
Um cristal branco-dourado.
"Seu Will está ok. Mas e quanto ao seu potencial?" disse. "Este cristal vai me dizer. Coloque a mão nele. Se brilhar branco, é o mais baixo. Depois laranja. Depois roxo. Ouro é o mais alto. Você precisa de pelo menos roxo para passar no meu teste."
Kaden nem hesitou. Estava confiante.
Colocou a mão no cristal.
E de repente, ele derreteu e virou líquido.
Um líquido branco-dourado, agressivo, quase vivo. Parecia…
'Sangue?'
A dúvida mal entrou na cabeça dele antes do líquido invadir seu corpo.
Sem aviso, instantaneamente.
O corpo de Kaden caiu de costas, batendo no chão. Sua alma gritou. O líquido se movia por dentro dele, tocando partes que ele nem sabia que tinha.
No meio da dor, ele virou a cabeça em direção a Hael.
Ele ainda sorria, pequeno e caloroso. Como se tudo aquilo que estava acontecendo não fosse por sua causa.
"Boa vontade, bom potencial e parece que também uma boa origem," murmurou Hael.
Depois—
Ele sorriu ainda mais.
"Agora só preciso trocar minha alma pela sua e assumir o controle."
Kaden congelou.
Sua alma estava se desintegrando.
Suas memórias — sua identidade — começaram a escorrer.
De repente, Kaden sentiu suas memórias começarem a se reescrever. Algumas memórias que não eram suas começaram a invadir sua mente e a dominá-la toda.
Seu corpo começou a tremer forte, os olhos vazios, confusos, sem saber quem era.
Dentro da sua cabeça, duas memórias coexistiam.
Ele não conseguia mais dizer —
Ele era Kaden?
Ele era Hael?
Era alguém?
Quem… ele realmente era?
Nem teve tempo de pensar nisso, pois sua alma foi completamente devorada por Hael, deixando-o como uma casca vazia.
[Você está morto.]
—Fim do Capítulo 80—