
Capítulo 63
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
A própria zona central chegou a tremer com a explosão. Era tão grande, tão ensurdecedora, que todas as bestas ali dentro voltaram a cabeça na direção de Kaden.
E lá… elas viram.
Uma gigantesca nuvem de fogo vermelho-sangue subindo ao céu—violenta, majestosa, indomável.
Era uma visão hipnotizante.
Mas para as bestas, que seguiam suas rotinas diárias—que construíram suas próprias rotinas nesta terra hostil—ver aquilo? Elas sentiam algo diferente.
Algo que destruía alguma coisa dentro delas.
Porque esse tipo de explosão só podia significar uma coisa:
Alguém tinha invadido seu território.
Alguém tinha perturbado sua paz.
Alguém estava destruindo tudo ao redor.
E isso—
Era algo que elas não podiam tolerar.
Então, em uma onda sincrônica e sombria, todas as bestas da zona central se viraram
e correram direto na direção de Kaden e da pantera negra.
Todos pelo mesmo motivo.
Para despedaçar e partir ao meio aquela que ousasse romper o silêncio de seu domínio, quem ousasse zombar delas, desafiá-las.
O objetivo era simples…
Fazer ele sangrar até morrer.
E essa pessoa?
Era Kaden Warborn, o próprio Filho do Sangue.
E quanto a ele?
Bem—
…
"Que cena linda", sussurrou Kaden com um pequeno sorriso, olhos brilhando ao olhar para o fogo sangrento à sua frente. Mas esse sorriso começou a desaparecer à medida que a fumaça se dissipava…
E mostrava a pantera.
Ela ainda estava de pé.
O animal não estava ileso. Sangue escorria de múltiplas feridas pelo corpo. Sua face estava cortada. Sua pelagem preta, lisa, tinha áreas queimada, com labaredas vermelhas ainda dançando nas pontas. As garras—as mesmas que ele usou para atacar Kaden—tinham se derretido por completo.
A dor deve ter sido insuportável.
Mas o rosto da criatura não mudou. Ela também não entrou em fúria nem atacou de forma cega.
Não.
Ela olhou para ele de novo—mas desta vez… com olhos diferentes.
Como se o estivesse reavaliando.
Como se… estivesse respeitando.
"…Estranho", comentou Kaden com uma expressão séria.
E, no entanto, quanto mais ele encarava a pantera, mais algo dentro dele se agitava. Quanto mais sua corrente de sangue acelerava.
Mais desejava morrer pelas mãos dela. Afinal, essa besta parecia especial.
Então, ele sorriu.
"Você—"
Kaden parou de repente, seus olhos se arregalando enquanto se vira rapidamente em todas as direções.
Para todos os lados. Em todos os ângulos.
Bestas.
Dezenas, não… centenas ao seu redor. E elas estavam se aproximando.
Os lábios de Kaden se contorceram. "Fui longe demais?"
Ele rangeu a língua e voltou a atenção para a pantera sombria, que também tinha notado os invasores—mas Kaden não deu tempo para ela decidir.
Ele foi quem atacou primeiro.
Ele fechou o punho—e instantaneamente, o sangue que permanecia grudado ao corpo da besta se torceu, grudou e perfurou ela.
"GRRRRR!"
A pantera rosnou—dolorida, furiosa—e desapareceu nas sombras.
Depois reapareceu atrás de Kaden.
Suas garras—o que restou delas—rasgaram na frente numa rajada de preto.
Rápido demais.
Subitamente demais.
Kaden não reagiu a tempo.
Mas não foi por incapacidade.
Foi porque não quis.
No final, ele não queria que alguma besta aleatória matasse ele. Isso seria um desperdício danado de Moedas da Morte.
Então, ele fechou os olhos.
E deixou que acertasse.
A lâmina cortou com força total. Kaden foi jogado pelo chão como um boneco de trapos, batendo violentamente e rolando até perder de vista na terra. Sua costa foi rasgada de fora a fora, seu casaco preto encharcado de sangue. E seu osso ficou à mostra.
E ainda assim—
'Eu… Ainda não morri?', pensou Kaden, quase incoerente com a dor.
Então, ele sentiu.
Reditha… estava curando ele.
Seus olhos se arregalaram de horror.
'Reditha—não! Não me cure!', gritou mentalmente.
Mas já era tarde demais.
E o pior—ele tinha caído perto demais da legião que se aproximava.
Pisadas e rosnados ao longo da noite.
Bestas estavam por perto, não… já estavam ali.
Kaden virou a cabeça com esforço, o sangue úmido manchando a terra sob ele e amaldiçoou sua má sorte.
'Droga…'
E, como se essas palavras fossem um sinal, uma das criaturas—uma aberração de corpo gelatinosa e ácida—atacou em direção a ele.
Ela se enrolou em volta de sua cabeça, dissolveu seu crânio, derreteu seu cérebro.
Kaden… morreu.
[Você morreu.]
…
Enquanto Kaden duelava entre a vida e a morte, bem longe na Capital—
Outras histórias se desenrolavam.
Dentro de uma sala de estudo tranquila, Kenan estava rodeado de ferramentas alquímicas e placas rúnicas que brilhavam. Sua atenção era absoluta, sua mente focada em um único objetivo: a fórmula da poção de cura que seu mestre lhe havia dado.
Ele não percebeu a presença atrás dele.
Um homem alto, vestindo uniforme de mordomo, com postura impecável, braços cruzados atrás das costas, um rosto moldado pela disciplina. Um rosto que comandava.
Ele não falou.
Simplesmente esperou.
Um minuto. Dez. Uma hora.
Então, como se estivesse cansado de esperar—
"Jovem Mestre," disse ele.
"E-Espera—quem!?", Kenan pulou de susto, virando-se rapidamente para encarar a voz. Mas, ao ver quem era, exalou—meio aliviado, meio irritado.
"Vovô Albert… eu falei para você não aparecer assim de surpresa," resmungou, ainda respeitoso.
Albert apenas deu de ombros.
"Você deveria ter sentido minha presença, Jovem Mestre."
"Você é um assassino classificado acima do nível Mestre, pelo amor de Deus. Como um simples despertado como eu pode sentir sua presença?"
"Eu apenas revelei minha presença suficiente para que alguém no nível despertado pudesse detectá-la."
"Nenhum despertado poderia sentir isso, a não ser—"
Kenan hesitou.
"A não ser que estejam no nível extremo de despertado…" murmurou baixinho.
Albert sorriu.
"Exatamente. E é isso que você precisa alcançar antes de poder aceitar a Missão de Evolução."
Ele fez uma pausa.
"Essa é a condição que seus pais deixaram para você."
Ao ouvir seus pais, a expressão de Kenan se contorceu. Ele abaixou a cabeça. Sua mandíbula travou.
Albert continuou.
"E mais uma coisa…"
Kenan olhou para cima, relutante.
"…eles ordenaram que você parasse de difamar a família e de perseguir a garota Elamin."
E, num instante—
Albert desapareceu.
Sumiu. Como se nunca tivesse estado ali. Como uma miragem ou um sussurro de pressão no ar.
Mas Kenan não se mexeu.
Com as mãos cerradas e tremendo, sua mandíbula trava.
"…É tudo o que importam. A reputação da família. Não a família em si," murmurou, a voz trêmula.
Ele estava exausto.
Exausto do nome Fireborn.
Exausto do prestígio dele.
Exausto do peso que carrega.
Fireborn—os carrascos do Império. Também conhecidos como A Mão do Fogo. Os enviados para matar, queimar, destruir em nome da paz. Aqueles que sangraram por justiça enquanto outros se escondiam e clamavam virtude.
Eram a mão que queimava cada obstáculo em nome do Império.
Um título glorioso.
Um título amaldiçoado.
"É pesado…" sussurrou Kenan, recostando-se na cadeira.
Pesado demais.
E ele era o herdeiro.
O único herdeiro.
Não tinha escolha a não ser carregá-lo—mas…
"E se eu tiver falhado? E se não conseguir suportar tudo isso?"
Essas perguntas nunca o abandonaram.
Nem de dia, nem de noite.
Somente quando estava com Meris… ele conseguia respirar fundo e esquecer de todo esse peso.
E agora eles queriam que ele a abandonasse?
Que desistisse da única coisa que lhe trazia paz?
Não.
"Eu não posso fazer isso," disse Kenan, firme e decidido.
Ele pegou de novo a placa rúnica, mandíbula apertada.
Ele iria dominar essa poção.
E daria a Meris a orientação que ela precisava.
'Espere por mim, Meris.'
Eu não vou desistir de você.
Nunca.
—Fim do Capítulo 63—