Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 64

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

"Não, sério… será que eu somehow enfurei alguma divindade?" perguntou Kaden, desta vez sério, enquanto permanecia naquele estranho lugar de escuridão.

Como alguém podia ser tão azarado?

Até morrer ao ataque do monstro certo tinha se mostrado difícil.

Ele suspirou por dentro e balançou a cabeça. Já tinha passado da hora de acabar com isso. Melhor seguir em frente.

E como se o sistema tivesse entendido exatamente esse pensamento—

[Você morreu.]

[Qual ponto no tempo você deseja retornar?]

Obviamente, era uma questão simples. Sem hesitação. Mas então—

Um pensamento surgiu.

"Ainda vou manter tudo o que consegui… mesmo se voltar a um momento antes de tê-los?" perguntou Kaden, com uma centelha de curiosidade genuína na voz.

Era uma informação bastante importante.

[Você ainda os terá.]

A resposta do sistema foi fria, mecânica—mas fez o coração de Kaden acelerar.

Porque se isso fosse verdade… se fosse mesmo verdade…

Então ele poderia adquirir os mesmos tesouros, as mesmas poções, os mesmos artefatos de novo.

De novo.

Acumular poder após poder.

"…Bem. As coisas estão ficando interessantes," murmurou Kaden com um sorriso antes de focar novamente na questão.

Quando queria retornar?

Obvio.

De jeito nenhum ele voltaria para a parte em que cada besta da zona queria seu sangue.

"Quero voltar ao momento em que o urso morreu por causa da própria incompetência," declarou.

[Você precisará de 650 Moedas da Morte.]

[Deseja continuar?]

"Quantas Moedas da Morte eu tenho?"

[1250.]

"Então, faça isso."

[DING! Confirmado.]

E então—

[Você foi morto pelo monstro de nível intermediário raríssimo, a Slime Ácida. Você ganhou um fragmento de traço oculto da criatura. Você obteve o traço: Sínese.]

[Traço—Síntese: Você consegue transformar e obter algo melhor quase tudo ao combinar diferentes itens.]

Kaden piscou.

Olhou para a descrição.

"…Não estou acreditando nisso," murmurou.

Ele queria morrer para a pantera sombria. Aquilo parecia raro. Perigoso. Misterioso.

Mas não. Uma slime tinha conseguido pegá-lo.

Um blob de gelatina.

E com isso… ele ganhou isso?

Um traço que podia combinar técnicas, traços, materiais—tudo?

Kaden ficou congelado.

"…Ok. Beleza. Essa vai ser a última vez que vou agradecer minha própria sorte," ele finalmente disse, sorrindo.

Porque ele não era azarado.

Ele era sortudo pra caramba.

Um sorriso surgiu no rosto dele enquanto revisava a descrição do traço, relendo, memorizando cada linha. Com isso…

Ele poderia fazer muitas coisas.

Como obter um tesouro, morrer, voltar no tempo e pegar aquele mesmo tesouro de novo—

—e então combiná-los para criar algo melhor.

Tantas aplicações.

Tantas possibilidades.

Os únicos limites agora eram seu domínio sobre o traço…

…e sua imaginação.

Ele sorriu de novo e encerrou a caixa de diálogo.

"Morte, me reviva."

O relógio negro apareceu.

Tic—

Kaden abriu os olhos dentro da névoa venenosa mais uma vez.

Na sua frente—o corpo morto do urso.

A primeira coisa que fez foi verificar seu anel de espaço e a ansiedade deu lugar a um alívio ao ver que tanto o cadáver do urso antigo quanto o Devora Terraclaw ainda estavam lá.

"É real…" murmurou, sorrindo para si mesmo ao se aproximar do corpo do urso.

Ele pegou o corpo do urso antigo do anel de espaço e colocou os dois cadáveres idênticos lado a lado.

Usar o traço era fácil. É preciso tocar nos itens que você quer sintetizar e desejar que aconteça.

Então, fez exatamente isso.

"Síntese."

Suas mãos brilharam com uma luz branca pura. O mesmo brilho envolveu ambos os corpos enquanto lentamente começavam a se fundir.

Era suave. Seamless. Silencioso.

E, em poucos momentos—estava pronto.

A luz desapareceu.

No lugar dela, ficou apenas um corpo.

Um único corpo de urso. Maior. Mais pesado. As marcas verdes mais brilhantes e espessas. Mesmo morto, irradiava uma pressão sutil—algo que fazia o ar ao redor ficar mais pesado.

Uma nova informação invadiu a mente de Kaden.

"Tipo raro… besta de nível mestre," murmurou, levantando as sobrancelhas.

Mas então inclinou a cabeça.

"…Por que a raridade não virou única?"

[Você não especificou.]

[O objetivo da Sínese é obter algo melhor e mais forte—mas você precisa definir claramente o que quer melhorar.]

[Como você não especificou, o sistema elevou o nível por padrão.]

[E também, melhorar a raridade é mais difícil. Você precisará de mais de dois corpos para isso. Porque, às vezes, ao melhorar a raridade, o nível também sobe.]

Kaden assentiu lentamente, enquanto o sistema ficava em silêncio outra vez.

Fazia sentido.

Ele guardou o novo cadáver do urso dentro do anel de espaço.

"Isso é mais que suficiente para finalizar tanto a missão quanto a tarefa com distinção," murmurou antes de virar-se e partir.

Era hora de voltar para a Capital.

Em outro lugar—na Cidade da Dor, dentro das altas paredes de pedra cinza da Igreja do Luto—

Em uma de suas muitas salas com pouca luz, uma jovem de cabelo branco jazia na cama, dormindo.

Pacificamente.

Pelo menos… era assim que parecia.

Porque se você não percebesse a forma como sua boca se contorcia, como se estivesse se engasgando com um grito…

Se não visse como seu corpo tremia em silêncio…

Então, sim, você pensaria que ela estava dormindo tranquilamente.

Mas não estava.

Dentro de seus sonhos, algo rastejava, roía—devorava.

De repente, a menina—Rea—acordou com um respiração aguda, seus olhos arregalados vasculhando o cômodo em pânico.

Mas, ao perceber onde estava, o pânico dissipou-se.

"Ah…" suspirou, passando a mão por seus cabelos brancos como a neve.

"Isso está piorando…"

Desde que chegou àquela Igreja, seus sonhos ficaram mais frequentes. Mais longos. Mais sombrios.

Os dedos de Rea tremiam.

Ela não queria admitir—mas estava com medo.

Medo daqueles sonhos que a faziam sentir como se algo estivesse consumindo-a por dentro.

Medo daquela… presença.

Ela exalou novamente e se deitou de volta na cama.

Mas, antes que sua mente pudesse descansar—

Batida. Batida.

"Senhorita Rea. Está na hora do seu turno."

A voz atrás da porta era fria, monótona—mas carregava dor enterrada.

"Estou indo," respondeu Rea em voz baixa.

Ela se levantou lentamente, arrastando-se pela rotina.

As coisas estavam ficando mais complicadas.

Mas Rea começou a perceber certas coisas.

Sua origem estava ligada à dor.

E essa igreja—a Igreja do Luto—se alimentava de dor.

Nos sonhos, ela via uma deusa. Rosto sempre enevoado, escondido—mas lágrimas negras escorrendo sem parar por suas bochechas.

E essa igreja?

Ela venerava uma deusa.

Os pontos estavam se ligando.

"Preciso me erguer," pensou.

"Preciso subir dentro desta igreja e desvendar tudo isso."

Mas, lá no fundo da mente… outro pensamento se agitou.

'Dinheiro… também preciso acumular dinheiro.'

Sim.

Porque, apesar de tudo, apesar dos deuses, da dor e dos sonhos enigmáticos…

Rea ainda era Rea.

Uma mulher movida por desejos de poder e respostas, na mesma medida.

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