
Capítulo 62
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden fez exatamente o que pretendia.
Ele ficou selvagem. Literalmente.
Ele não tinha medo da morte — não enquanto ainda tivesse mais do que bastante Moedas da Morte para gastar. Então, com Reditha na mão e um sorriso por trás da máscara, Kaden correu pelo bosque às cegas. Sem destino. Sem plano. Apenas uma direção. Totalmente aleatória.
Com a máscara negra cobrindo o rosto e a forma que se movia — rápido, errática, brutal — ele já não parecia nem humano.
Parecia uma figura de ceifador.
Um ceifador que havia escapado do Inferno e agora andava solto.
Seu primeiro oponente foi uma tartaruga verde — de rank despertado, gorda e longe de ser rápida. A coisa mal o percebeu antes de tentar se esconder na casca espessa.
Mas Kaden foi mais rápido.
Com um passo, apareceu bem na sua frente e agarrou a cabeça escorregadia antes que pudesse se esconder.
Ele sorriu com desdém.
"Hoje não, amigo."
Seu movimento foi ágil.
A cabeça caiu.
Sem perder tempo, Kaden mergulhou a mão no corpo da besta e arrancou seu núcleo de origem, ainda quente, antes de jogar o cadáver de lado como um lixo.
Guardou o núcleo e seguiu correndo.
Desta vez para o leste. Ele escolheu essa direção sem qualquer motivo. Simplesmente seguiu sua intuição.
Enquanto avançava, encontrou bestas fracas — nada digno de nome. Matou todas, uma a uma, sem parar. E a cada morte, seu sangue se agitou — deixando um rastro atrás dele, como um animal leal que o acompanha.
Na quinta vítima, a poça de sangue estava tão espessa, tão grande, tão próxima — parecia que ele vestia uma capa feita de sangue.
"Reditha", chamou, "não deixe ela ficar mais longa. Todo sangue extra dos que caíram deve ser usado para densificar a capa. Mais resistente."
Reditha pulsou com uma hesitação sutil, quase como se não tivesse certeza se conseguia fazer isso.
Kaden apenas sorriu. "Tente. Não espero que você consiga tudo de uma vez."
Essa palavra a convenceu.
A lâmina brilhou em vermelho vivo, uma resposta cheia de determinação.
Kaden deu uma risada. Às vezes… sua espada era um pouco fofa demais.
E assim, a dupla — guerreiro e arma — percorreu a zona intermediária como se fosse seu território de caça particular.
Qualquer coisa no caminho?
Morta.
Sem misericórdia. Sem pausa. Sem hesitação. Apenas morte após morte — até que Kaden deixou de contar completamente.
Porém, nem todos os inimigos caíram com um só golpe.
Não. Nem todos.
Em um momento, Kaden se deparou com algo mais forte — algo mais perigoso.
Um Devorador de Garras de Terra.
Um monstro revestido por uma armadura de terra rachada, com espículas de obsidiana correndo ao longo da espinha e seis membros irregulares — perfeitos para escavar e desmembrar tudo ao redor.
E veio de baixo.
Kaden não viu a emboscada chegando.
Num instante, ele corria — no outro, suas roupas estavam rasgadas e sangue jorrava de cortadas recentes ao longo de suas costelas.
Ou seja… Kaden sangrou.
E isso foi um erro.
Porque agora, após horas de caos, tanto Kaden quanto Reditha estavam usando sem parar suas habilidades de manipulação de sangue. Eles aprenderam algumas coisas. Não tudo. Mas o suficiente. Suficiente para realmente começarem a controlar o sangue corrosivo.
Assim, no momento em que o sangue tocou o ar —
Ele o agarrou. Controlou.
Guiou-o direto ao ponta de Reditha.
Ele ficou em silêncio agora, sua percepção se intensificando, cada sentido aguçado.
"Não vai fugir?" perguntou, suavemente, com os olhos fixos no chão tremendo.
Um segundo. Dois. Três.
Sem resposta.
Como esperava, talvez.
"Tanto faz pra mim." disse Kaden — e num piscar, virou-se, se moveu e apareceu exatamente onde o monstro estava escondido.
Reditha mergulhou fundo na terra.
Então Kaden sorriu.
"Exploda."
RRRMMMMBLLLLAAAAAM!!
A terra explodiu com uma força tão brutal que até ele perdeu o equilíbrio, tropeçando até se segurar na empunhadura de Reditha.
Quando a terra parou de tremer, ele deu um passo à frente e puxou a terra solta de lado, rachando o solo como se fosse pouco.
Por baixo —
O corpo quebrado do Devorador de Garras de Terra. Pedaços da casca de obsidiana caindo como chuva, enquanto o monstro ainda estava com o corpo meio mergulhado na terra — tremendo, vazando sangue, morrendo.
"Eu te disse para sair," murmurou Kaden, arrancando o núcleo do peito do matador morto, "Da próxima vez… aceite o convite."
Ele também pegou o cadáver. A armadura parecia útil.
Depois, seguiu correndo.
Algumas horas depois —
[Você completou a missão: Espancar.]
Kaden tinha cumprido sua missão.
Porém…
No processo, ficou demasiado barulhento.
E as coisas mudaram.
…
A zona intermediária era maior que a externa, mas não só em tamanho. Com mais territórios. Mais perigos. Bestas mais fortes. Não se tratava apenas de números aqui. Era uma questão de poder.
Apenas bestas despertadas de nível intermediário ou superior podiam sobreviver aqui — talvez tipos raros ou mais fortes. E, pelo que Kaden tinha lido e ouvira por relatórios, a chance de encontrar uma besta de Rank Mestre nesta zona era inferior a 1%.
Inferior a 0,5%.
Isso é muito pouco.
Então, Kaden, sempre confiante, disse:
"Acho que estou bem. Minha sorte não é lá essas coisas."
Ele se arriscou a dizer isso.
E agora…
Estava se perguntando se alguma entidade superior tinha uma razão pessoal para estar contra ele por ser tão incrivelmente bonito.
Porque —
'Não posso estar tão azarado assim.' pensou Kaden, fazendo uma expressão confusa enquanto encarava a criatura à sua frente.
Olhar para ela fazia seu corpo gritar para correr.
A pressão que ela emitia era inacreditável. Algo monstruoso nem chegava a ser suficiente.
Parecia uma pantera — ágil, musculosa, a pelagem negra como sombras, como se devorasse luz própria. Seus olhos não eram só negros — pareciam poços de tinta da sombra. Incompreensíveis. Sem fundo.
E ela apenas Ficava ali, observando-o, calculando. Como um predador analisando sua próxima presa. Perguntando-se se Kaden seria o jantar… ou apenas um petisco.
Kaden expirou lentamente.
'Mais uma morte hoje. Essa vai ser especial.' pensou.
Mas, por outro lado —
'Talvez eu não seja tão azarado assim…' pensou interiormente.
Porque, se ele morresse, a recompensa poderia valer a pena. Bestas raras dropavam fragmentos raros. Quanto mais mortal fosse a morte, melhor seria a recompensa.
Ao pensar nisso, sorriu.
Para a pantera, aquele sorriso parecia zombaria.
E ela não gostou nada disso.
A besta desapareceu — a sombra se esfumou — e reapareceu bem atrás de Kaden.
Mas desta vez, Kaden não foi pego de surpresa.
Estava preparado.
Seu manto de sangue respondeu instantaneamente.
O sangue ao seu redor se moveu — afiou-se — transformando-se em dezenas de lírios vermelhos flutuantes.
Cada pétala brilhava com poder. Com a promessa de morte.
Era uma visão bela e assustadora.
E Kaden, sorrindo serenamente enquanto a garra da besta chegava a poucos centímetros de seu rosto, disse a coisa que sabia fazer de melhor atualmente.
"Explosão."
E então —
Sangue. Luz. Fogo.
Os lírios vermelhos explodiram em todas as direções como uma tempestade de pétalas carmesim, rasgando o silêncio, destruindo o ar, balançando toda a zona intermediária com uma florada sangrenta e violenta.