Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 61

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden começou a andar, mas de repente parou. Lentamente, virou a cabeça — e lá estava a fera novamente, do mesmo jeito que da primeira vez. Olhando para ele com olhos carregados de ódio.

"Raríssima, hein…" murmurou Kaden, enquanto Reditha aparecia em sua mão. O urso imediatamente soltou um rugido ensurdecedor que sacudiu o ar ao redor, enquanto avançava com as garras prontas para atacar.

Kaden agiu instantaneamente. Depois de lutar contra essa criatura até a morte uma vez, ele tinha descoberto alguns de seus pontos fracos. Um ponto fraco comum de todas as bestas era atacar onde seu núcleo estivesse — e o outro era o coração.

Mas havia mais uma coisa que Kaden tinha notado na última luta contra ela.

Os outros sentidos da fera além da visão eram ruins. E que vergonha para um urso depender apenas de oito sentidos — normalmente, eles tinham sentidos aguçados.

Porém, Kaden não se importava.

Contra uma criatura sem sentidos aguçados, que dependia principalmente da visão, interferir na visão dela era algo que podia enviá-la ao caos instantaneamente.

E exatamente isso era o que Kaden desejava.

Com um passo, Kaden usou seus Passos Lentos e desapareceu da visão da fera, reaparecendo nas costas dela. Correu e se lançou sobre o corpo maciço, chegando às costas do pescoço em um piscar de olhos.

Os instintos da fera deram o alerta: perigo.

"ROOAARR!" Um rugido que estremecia a terra ecoou pelo domínio envenenado enquanto ela tentava derrubar Kaden, movendo-se de forma errática e lutando violentamente.

"Você não vai me derrubar," murmurou Kaden, enquanto agarrava-se firmemente ao pelo preto da criatura. Mas, de repente, uma névoa verde começou a sair do corpo do animal.

Veneno.

Mas, ao invés de sentir perigo, Kaden mal reagiu ao contato da névoa. Tudo graças ao novo talento que adquirira — Resistência ao Veneno.

Ele sorriu de canto, e com um impulso de velocidade, apareceu bem na frente dos olhos da fera — olhos que o olhavam com ódio e uma raiva primal profunda.

Sem hesitar, Reditha brilhou enquanto Kaden cortava profundamente seu pulso. Uma fonte de sangue jorrou e respingou diretamente no rosto do animal.

Um rugido de dor ecoou.

Os olhos da fera começaram a se corroer instantaneamente. Antes, eram de um verde enevoado, mas agora estavam completamente negros, derretendo e apodrecendo sob o sangue corrosivo.

"ROOOAAARRRR!!" a criatura gritou enquanto caía no chão, rolando e se debatendo, enlouquecida pela dor.

No fundo, era seus olhos sendo consumidos vivos. A dor era indescritível.

Mas Kaden não moveu um musculoso.

Isso só facilitava seu trabalho.

"Tenho uma missão para concluir," murmurou calmamente, enquanto evitava com facilidade os golpes aleatórios do monstro, "e, para fazer isso direito, o corpo tem que estar o mais intacto possível."

E para manter o corpo intacto —

ele precisava matá-lo com um só golpe.

Kaden recuou um passo, quase escapando de uma garra. Depois, deslizou para a direita, evitando outra investida.

Quase chegava a ser irônico.

Uma fera cega, se debatendo no chão, batendo de qualquer jeito, movida pela raiva e pela dor —

— e um jovem que se move entre ela, desviando de cada golpe com passos mínimos e sem medo.

Em determinado momento —

"Isso é um ótimo treino para meus sentidos…" pensou Kaden, ao fechar os olhos e deixar sua percepção fluir ao máximo, desviando de cada ataque sem usar a visão.

Mas, após alguns minutos —

Kaden franziu a testa.

"Tá muito fácil…" murmurou baixinho.

Abriu os olhos e olhou para a fera.

A criatura estava desacelerando. Como se estivesse cansada. Como se não conseguisse mais movimentar os membros.

Kaden rangeu a língua.

Cortou seu pulso novamente.

"Grande, levanta e segue em frente. Já estou sentindo," disse, espirrando seu sangue corrosivo na cabeça e nos olhos do monstro mais uma vez.

A fera uivou mais alto, lutando com ainda mais força, uma loucura que impulsionava seus movimentos.

Kaden fechou os olhos mais uma vez e baseou-se apenas nos sentidos extras — o sussurro do ar antes de cada golpe, o cheiro pestilento do veneno escapando do corpo dela. Mas essa parte era difícil. Tudo ao redor exalava veneno. Toda a área tinha cheiro de morte.

Mesmo assim, Kaden permaneceu concentrado.

E toda vez que a fera desacelerava…

Ele respingava seu sangue novamente.

De novo.

Mais uma vez.

E mais uma.

Dez vezes. Ou vinte? Kaden já não sabia mais.

Mas, após algum tempo…

A criatura não respondeu mais.

Kaden finalmente abriu os olhos e inclinou a cabeça.

Por que ela parou?

Ele tinha acabado de respingar sangue nela há um minuto.

Mas, ao olhar de perto —

a compreensão se consolidou.

A fera estava morta.

Não por um golpe mortal.

Não por um ataque ao núcleo.

Mas por abuso.

Morta porque não conseguiu sobreviver ao treinamento de Kaden.

Kaden rangeu a língua, tranquilo.

"Pois é, para uma fera de tipo raro…" murmurou, sem um pingo de vergonha por zombar de algo que, uma vez, havia quase acabado com ele.

Mas Kaden não conhecia vergonha.

Sem pensar duas vezes, caminhou até o enorme corpo e examinou-o.

Seu corpo estava perfeitamente inteiro — exceto pela cabeça.

A cabeça estava destruída. Preta, rachada, descascando devido à corrosão. Osso visível. Carne deformada. Era uma visão horrível.

E foi aí que Kaden notou algo.

Sua carne corrosiva tinha ficado mais forte.

Só uma explicação veio à sua mente.

"Tenho usado ela com mais frequência ultimamente," murmurou. "Então isso quer dizer… quanto mais você usa uma habilidade, mais forte ela fica."

Consistência.

Repetição.

Treinamento.

Essas eram as chaves.

Ele sorriu.

"Preciso melhorar meu controle sobre o sangue. Sangue corrosivo ainda é sangue. Deveria conseguir controlá-lo. E…"

Kaden franziu levemente.

"Tá difícil ficar cortando meu próprio corpo toda hora só pra usar. Preciso aprender a ativá-lo sem precisar fazer isso."

E tudo voltava à manipulação do sangue.

Kaden assentiu e colocou o corpo na sua pedra do espaço.

Agora que a missão estava concluída —

"Hora de finalizar minha tarefa: A Chacina," disse, com uma voz fria.

'Ainda tenho 750 Moedas da Morte…'

Ou seja —

Ele podia se permitir ser um pouco…

ousado.

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