
Capítulo 67
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Daela havia desaparecido, deixando para trás apenas Garros, Sarena e a guarda ainda tremendo, caída no chão.
O rosto de Garros permaneceu tranquilo, até mesmo neutro.
Não havia raiva, nem dor, nem um lampejo de emoção.
E Sarena era a mesma coisa.
Suas expressões estavam quase… indiferentes.
"Alguém ousou nos atacar primeiro, hein?" disse Garros, com um tom que tinha algo próximo ao divertimento.
Sarena sorriu suavemente. "Parece que sim, querido marido," respondeu, balançando a cabeça delicadamente.
"Acho que estamos um pouco demais de boa desde o nascimento do Kaden," continuou Garros, finalmente voltando seu olhar para a esposa.
"Foi sua culpa, Sarena. Você estava relutante em sair por causa do Kaden. E agora veja… alguns monstros lá fora ousaram nos atacar…"
Sua voz caiu para um tom mais baixo.
"Nós… Os Guerreiro-nascidos…"
Então ela aumentou a intensidade.
"NÓS! OS GUERREIRO-NASCIDOS!"
BOOOM.
Todo o salão de jantar tremeu violentamente enquanto ondas de choque emanavam apenas da voz de Garros. O ar ondulou como água. A guarda no chão começou a tossir violentamente, sangue escorrendo de suas orelhas e nariz.
Sarena observou tudo, então lentamente levantou a mão. Um véu de mana dela envolveu o guarda, protegendo-o da fúria menor de Garros.
Ela virou o olhar para o marido — que já a encarava.
"Sei. A culpa foi minha. Não queria deixar meu querido bebê para trás e sair para a guerra contra os monstros novamente. Queria ficar ao lado dele, segurá-lo quando fosse pequeno, estar ali, como não pude estar para Dain e Daela."
Ela riu suavemente, quase com carinho.
"E olhem para eles agora. Dain faz o que quer, nunca nos conta nada. Daela mal abre a boca quando está comigo ou em qualquer outro lugar."
Ela fez uma pausa.
"Mas agora que meu pequenino já tem idade suficiente para cuidar de si mesmo…" Sarena murmurou, e um sorriso slowly se curvou em seus lábios.
Não um sorriso caloroso.
Um sorriso sanguinário. Mortal. Sem misericórdia.
"Podemos liberar tudo agora, marido."
Enquanto falava, atrás dela apareceu a visão de uma lança preta profunda — não real, não sólida, mas que parecia estar lá.
Parecia uma ilusão, uma pressão ou talvez até um conceito.
E mesmo isso foi suficiente, pois objetos ao redor começaram a se dissolver lentamente, como se estivessem sendo consumidos pelo vazio.
O guarda tremia ainda mais.
Ele sempre esquecia.
Garros não era o único monstro sedento por sangue nesta casa.
Sarena também era.
E o dela era um monstro que ninguém queria encontrar.
Garros manteve o olhar fixo nela por um momento, depois olhou para o guarda protegido pela magia de Sarena.
Ele sorriu. Mas não um sorriso caloroso.
"Você será recompensada por isso. Agora, me diga, pequeno…"
"… quem foi o responsável por tudo isso?"
Perguntou Garros.
E o olhar de Sarena se juntou ao dele, frio e penetrante sobre o homem que tremia.
Ele engoliu em seco.
"Foi… Goremaw."
"…Goremaw, o Quebra-Ferro."
…
Enquanto isso, de volta em Fokay, Kaden acabava de entrar na Loja Tycoon’s Merchants.
Mas algo parecia… estranho.
'Lisa… ela não está aqui?' pensou Kaden, olhando ao redor dos balcões. Nenhum sinal dela. Ele revistou novamente. Ainda nada.
Ele deu de ombros, sem se preocupar, e foi até a fila, como de costume.
Porém, desta vez, sua presença não passou despercebida.
"Ei, ei! É ele. Aquele cara que a deusa de cabelo roxo tava babando," cochicharam atrás dele.
"Ah sim, é com certeza ele. Onde ele estava? Fez alguma missão?" perguntou outro.
"Tão bonito… e tão viril. Você viu os olhos dele? Ah… acho que tô desmaiando," disse uma garota, vermelha na face, com as mãos tremendo como se estivesse rezando para um deus.
Imediatamente, todos os rapazes ao redor fizeram careta de nojo.
"Ela é de rua," murmurou um deles.
"Com certeza."
"Sem dúvida."
A garota nem piscou. "Tá só com ciúme," respondeu, olhos fixos em Kaden como se ele fosse esculpido por divindades.
O cochicho continuou.
Algumas garotas tiveram coragem de se aproximar, mas toda vez que uma tentava, algum rapaz sibilava: "Aquele é o namorado da deusa de cabelo roxo."
Outras não se importaram.
Algumas tentaram falar com ele mesmo assim.
Kaden nem olhava para elas.
O jogo de admiração e tentativas frustradas persistiu por meia hora inteira.
E finalmente, sua vez chegou.
Kaden suspirou, visivelmente aliviado, e deu um passo à frente, com a voz rápida e cansada, como se quisesse sair logo dali.
"Aqui está. Completei minha missão," disse, entregando o papel da missão. "Se quiser que eu mostre o corpo, posso… mas aqui o espaço é meio apertado. Você tem um quarto ou algo assim?"
O comerciante atrás do balcão sorriu educadamente. "Não, senhor. O velho Smith cuida de todas as verificações das missões dela. Ela estará disponível amanhã de manhã."
Kaden torceu a boca. Irritação, só um pouco. Mas assentiu e virou-se para sair, parando por um momento.
Ele olhou para trás.
"Hoje não vi a Lisa. Ela tá bem?"
O homem assentiu. "Ah, sim, ela está bem. Tirou uns dias para visitar a família na vila."
Kaden assentiu novamente, sem pensar muito a respeito.
Ele saiu andando em direção à pousada dele, passando por alguns olhares de garotas que ainda aguardavam uma chance de olhar para ele.
'Argh… ser bonito é uma carga difícil,' pensou consigo mesmo…
…com um sorriso malicioso se formando no rosto.
Que narcisista.
…
A noite caiu sobre Fokay.
A capital agora banhada por uma luz prateada e suave — serena e calma.
Era uma lua muito bonita. Algo que as pessoas podiam observar a noite toda.
Dentro da Morada Elamin, longe dos salões de mármore e lustres dourados, bem no porão, onde ninguém tinha permissão de pisar —
Meris estava
Calma e silenciosa numa simples cadeira de madeira, cercada pela escuridão.
Logo atrás, Lari — silenciosa como sempre.
Meris olhou para seu comunicador rúnico. Seus lábios se curvaram numa expressão delicada e suave.
"Parece que meu querido Kaden voltou," ela sussurrou, com uma voz estranhamente alegre.
Alegre, mas sinistra.
Porque a alegria não combinava com o ambiente.
Nem com o ar ao redor.
Lari não respondeu. Sabia que as palavras não eram dirigidas a ela.
E não eram mesmo.
Porque Meris virou a cabeça na direção do canto do porão, e lá, no escuro…
Pendurada, uma garota.
De cabelo castanho, amarrada com correntes do teto, com os braços estendidos acima da cabeça.
Lisa.
Seu rosto estava limpo. Sem hematomas ou sangue.
Mas seus olhos…
Seus olhos estavam abertos, assustados.
Vazios.
Meris olhou para ela e sorriu novamente.
Um sorriso sem significado.
Um sorriso que não transmitia nada.
Completamente vazio, sem qualquer sentimento dentro.
"Lisa… meu Kaden voltou," disse Meris docemente.
Então, ela torceu um sorriso malicioso.
"Quer ver ele?"