
Capítulo 66
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
A voz de Kaden era fria e implacável enquanto Reditha brilhava em sua mão com um tom vermelho-sanguínea baixo e ameaçador. O tipo de brilho que prometia dor e sangue. Que transformava alertas em declarações.
O homem de robe preto imediatamente levantou as mãos em sinal de rendição.
"Jovem Mestre... Não pretendo feri-lo," ele disse.
Mas, estranhamente, sua voz não era nervosa.
Era calma, firme, quase indiferente.
"Sou subordinado da Jovem Senhora Daela."
Kaden estreitou os olhos.
Então percebeu—uma ponta de uniforme vislumbrava por baixo do robe. O emblema dos Guerreiro Nascido costurado na parte interna da túnica. Dois espadas cruzadas com um poço de sangue sob elas.
Ele lentamente abaixou Reditha e deu um passo para trás, embora seu olhar não suavizasse. Permanecia em guarda.
Afinal, as pessoas podiam fingir filiações. Com o equipamento certo e as palavras certas, qualquer um podia simular fazer parte de determinado grupo.
O homem percebeu, mas não disse nada.
"Por que estava me seguindo? E o que minha irmã quer?" perguntou Kaden de forma direta, seu tom afiado e preciso.
O homem retirou seu manto, revelando um rosto de meia-idade com cabelo verde e olhos negros suaves. Calmamente, inexpressivo.
Fez um passo respeitoso para trás e fez uma reverência profunda.
"Sou Boris, e saúdo a mais jovem das Guerreiras Nascidas."
Continuando a reverência, ele prosseguiu: "Lady Daela me enviou para lhe passar informações. Informações sobre onde obter uma pedra de evolução."
Kaden levantou uma sobrancelha.
'Uma pedra de evolução...? Sério?'
Seu coração acelerou um pouco. Era exatamente aquilo que procurava desde que chegou a Asterion. Mas, na superfície—seu rosto permaneceu impassível. Continuou calmo, neutro, até sem interesse.
"Onde?" ele perguntou.
"Dentro de uma masmorra situada numa zona perigosa. Mas isso realmente não é da sua conta, jovem mestre. Já colocamos um rune de teletransporte na entrada. Podemos teletransportá-lo diretamente lá. E aí você só precisa entrar na masmorra."
Kaden inclinou a cabeça.
"E como vocês sabem que uma pedra de evolução está realmente lá?"
"A própria Vontade nos informou. Masmorras em Fokay são regidas por A Vontade. Antes de entrar, ela informa tanto sobre o nível de dificuldade quanto sobre as recompensas potenciais. Essa é a diferença entre Fokay e Darklore."
'Interessante...' pensou Kaden, apoiando o queixo na mão por um momento.
"Dificuldade?" ele perguntou. "E qual o grau da pedra de evolução que estamos falando?"
"Masmorra de nível intermediário. E a recompensa é uma pedra de evolução de classificação rara."
Os olhos de Kaden se aperfeiçoaram um pouco mais. Isso não era normal. Masmorras intermediárias geralmente não soltavam pedras de evolução raras. Pelo contrário, até as comuns eram difíceis de encontrar lá.
"Você tem algo que comprove sua identidade?" perguntou Kaden, ainda com Reditha na mão.
Boris sorriu: 'um Guerreiro Nascido prudente? Acho que já vivi o suficiente', pensou com uma risada baixa. Então, tirou uma pequena placa rúnica com seu nome gravado.
Ela também traz o símbolo dos Guerreiros Nascidos.
Kaden reconheceu como a ferramenta de identificação que todos os seus soldados tinham em sua terra natal.
Ele então assentiu. "Espere por mim uns dois dias. Tenho algumas coisas a resolver antes de partir."
Virou-se para ir embora—mas então—
"Lady Daela também deixou uma mensagem para você," Boris falou atrás dele.
Kaden parou.
Quando virou-se, Boris o encarava fixamente. Olhos pretos calmos. Profundos. Velhos. Cheios de experiência.
"Ela disse... que é melhor você terminar sua missão de evolução e voltar rápido. Caso contrário..."
Boris sorriu sutilmente.
"… da próxima vez que ficar inconsciente, pode durar muito mais."
E com isso—
Ele desapareceu.
Sem clarão. Sem som.
Apenas sumiu, como se nunca tivesse existido.
Kaden ficou ali, os lábios tremendo levemente.
Ele suspirou, mas um sorriso pequeno se formou no rosto.
"Minha irmã é tão infernal."
E ainda assim… o sorriso permaneceu.
'Tenho saudades deles. Aqueles caras malucos. Espero que estejam bem.'
Seu olhar se endureceu novamente.
'Termine a missão. Bata no Kenan. E depois vá atrás daquela masmorra.'
Plano simples.
Hora de colocar em prática.
Kaden foi até a Mercearia Tycoon’s.
…
Enquanto isso, enquanto Kaden pensava na família—
Eles também pensavam nele.
Dentro da residência dos Guerreiros Nascidos, em uma sala de jantar grandiosa, envolta de luxo e silêncio, Sarena, Garros e Daela estavam na mesa comprida, jantando.
"Tenho saudades do meu filho," Sarena disse de repente, sua voz cortando o silêncio como um sussurro de aço.
A colher de Daela pausou subitamente. Sua expressão não se alterou, mas seu corpo se tensionou. Apenas um pouco.
Garros olhou para a esposa, com sobrancelhas levantadas.
"Quantas vezes vai dizer isso?" ele murmurou, então virou-se para Daela com um suspiro exagerado.
"Daela, você vê isso? Sua mãe nunca agiu assim quando eu saía matando monstros, arriscando minha vida para proteger esta casa. Nem uma vez. Você acha que isso é justo?"
Seu corpo grande descaído, ele mostrou uma expressão dramática de birra.
Era de assustar, honestamente.
Daela levantou a cabeça lentamente, com um olhar frio como uma lâmina.
"…Sim. É justo," ela respondeu.
Depois, voltou a comer.
Garros estremeceu, suspirou e voltou a se concentrar na comida como um soldado derrotado.
Sarena deu a ele um sorriso zombeteiro, tomando um gole de vinho.
"Preciso do Dain," murmurou Garros, sentindo falta do único que, nesta casa, sempre esteve ao seu lado.
Ao mencionar Dain, a atmosfera mudou um pouco.
"Sabe onde ele está?" Sarena perguntou, séria agora.
"Não. Você sabe, Dain. Ele nunca nos conta nada," respondeu Garros.
Sarena assentiu lentamente. "Eu sei—"
KNOCK. KNOCK.
Um ruído forte, urgente e pesado ecoou pela sala de jantar.
Logo depois, a porta se abriu de repente, e um guarda entrou em disparada, caindo de joelhos instantaneamente.
Seu corpo tremia. Ele sabia que aquela violação do protocolo poderia custar sua vida. Mas não tinha escolha.
"Senhor Patriarca. Senhora Matriarca. Senhora Daela. Peço perdão… mas recebemos informações críticas do nosso acampamento fora de Waverith."
As expressões dos Guerreiros Nascidos mudaram em uníssono. O clima na sala mudou.
Os três monstros de olhos vermelhos se voltaram para o homem ajoelhado como uma matilha de feras farejando sangue.
E o guarda quase engasgou com a pressão.
Pareceu que estavam encarando-o com a sentença de três executioners.
Porém, ele não recuou. Inspirou fundo e forçou as palavras saírem.
"O acampamento… o acampamento que estabelecemos fora de Waverith para vigilância…"
Ele abaixou ainda mais a cabeça, quase até o chão.
"…foi dizimado, meus senhores. Todos os nossos soldados… foram massacrados."
Silêncio.
Um silêncio frio e pesado.
Sem reação.
Então—
Daela levantou-se sem falar uma palavra.
Ela passou pela mesa, pelos seus pais. Seu olhar sem expressão nem olhava para eles.
Garros e Sarena não a impediram.
Eles não precisaram.
Pois ambos sabiam o que aquele silêncio significava.
Daela estava pronta para agir com violência.
E em sua mente…
Só ecoava uma palavra.
'MATE.'