Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 55

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

No coração agitado da cidade de Asterion, Kaden e Meris caminhavam lado a lado em silêncio.

Mas não era o silêncio constrangedor que ele lembrava da primeira vez que esteve sozinho com Rea. Não. Isso era diferente.

Era… confortável.

Um silêncio que não pesava, nem deixava tenso. Um silêncio que simplesmente parecia natural.

Perfeito.

Caminharam até chegar a uma área específica da cidade — uma praça circular com uma fonte no centro, cuja água dourada reluzia na noite. No meio daquela fonte, estava uma estátua de um homem. E, mesmo sendo apenas uma escultura, a aura que exalava parecia real — realeza, poder e uma beleza quase assustadora.

A água dourada escorria dos olhos da estátua, desaguando na base, formando um fluxo estreito de luz cintilante sob ela.

Era hipnotizante.

Era arte.

"Esse é o primeiro imperador fundador do Império Celestial," disse Meris, ao pararem na frente da estátua. "Vesper Asterion."

Ela fez uma pausa, deixando Kaden assimilar antes de continuar.

"Dizem que ele nunca chorou sequer uma lágrima desde que nasceu. Mas no dia em que fundou o Império — depois de derrotar a última fera gigante — ele chorou lágrimas de ouro. Tanto que o chão ao redor dele se transformou… e foi assim que surgiu o minério Blackstar."

Ao ouvir isso, Kaden ergueu uma sobrancelha.

"E por que ele chorou? Foi porque finalmente realizou o sonho de criar o império?" ele perguntou, genuinamente interessado.

Mas Meris apenas deu de ombros.

"Existem várias versões. Alguns dizem que ele chorou de alegria. Outros que chorou de tristeza pelos companheiros que perdeu ao longo do caminho. E há ainda…"

Ela inclinou a cabeça.

"…dizem que a fera que ele matou naquele dia era seu amante."

Kaden arregalou os olhos, colocando a mão no queixo.

"Fera? Amante?" murmurou. "Como assim?"

Era uma pergunta válida.

Não eram beastkin — que são humanoides, meio-homem, meio-fera.

Mas criaturas de verdade. Monstros de sangue puro. Como os seres de Darklore, que às vezes podiam assumir forma humana, sim, mas não eram humanos.

O problema não era apenas como era possível amar uma criatura daquele tipo.

A verdadeira questão era: como eles conseguiam ter essa oportunidade?

A guerra entre fera e humano vinha desde sempre. Ódio antigo. Hostilidade gravada na sangue e fogo.

Como duas faces de um mesmo caos poderiam se apaixonar?

Kaden se pegou… de verdade, curioso.

Ele sacudiu os pensamentos da cabeça e olhou de volta para a estátua de Vesper. De perto, o corpo da figura tinha estrelas pequenas de prata — tão detalhadas, tão vivas, que brilhavam como a luz da manhã.

"O poder da família real é mesmo injusto," disse Kaden, soltando uma risada baixa.

Meris concordou, sorrindo também. "O poder do sol, da lua, das estrelas… é algo de outro mundo."

Depois, seus olhos se voltaram para ele, afiados mas suaves.

"Mas você, Kaden… seu poder também é injusto. Você controla o sangue, a linha de vida de todas as criaturas."

Ela sorriu.

"Se você ficar forte o suficiente, se dominar o controle do seu sangue, até o sol vai temer manchar seu brilho."

Kaden riu suavemente. "O sol consegue sangrar?"

"Isso importa?" respondeu Meris, com um sorriso.

"Se não consegue sangrar…" ela começou.

"Então serei eu a primeira a fazê-lo," completou Kaden, com um sorriso rasteiro e selvagem — sangue e fogo nos olhos, que brilhavam como vidro carmesim.

Por um momento, ficaram se encarando.

Ambos exibindo sorrisos diabólicos.

Se alguém os visse de fora, ia ficar aterrorizado.

"Acho que…" murmurou Kaden, virando-se, "fico imaginando como será o sangue do sol."

"Deve parecer algo celestial," respondeu Meris, seguindo atrás.

Kaden deu uma risada.

Agora, Kaden e Meris estavam diante de um edifício enorme.

O pequeno domínio Elamin.

A casa de Meris.

E, ao olhar para toda aquela opulência — o tamanho, a beleza, os sigilos brilhando nas próprias paredes — ele não pôde deixar de pensar na cama rachada do aposento onde estava na estada.

E amaldiçoou sua família.

Uma família que tinha a audácia de dizer —

"A capital é um incômodo. Cheia de restrições."

Por isso, eles não tinham nenhuma propriedade aqui.

Sério mesmo, como eles sobreviveram tanto tempo com esse jeito de pensar?

Era um milagre.

"Foi uma noite magnífica," disse Meris, com um sorriso satisfeito, os olhos fixos nele.

Kaden também sorriu.

"Para mim também."

Ele percebeu que sorria mais quando estava perto dela. Meris era… envolvente. Divertida. Vibrante. Talvez um pouco louca, mas ainda assim…

Havia algo vivo nela.

Meris sorriu mais brilhante, o coração batendo acelerado.

Depois — devagar, com nervosismo —

"Então…?" perguntou, com esperança que não dizia.

Kaden entendeu exatamente o que ela quis dizer.

"Um guerreiro nascido na guerra e uma elamin… fico pensando como sua mãe reagiria a isso."

Ele sorriu de lado.

"Ouvi dizer que ela é bem rigorosa."

Ao mencionar a mãe dela, o rosto de Meris contorceu-se um pouco. Seus lábios se franziram levemente.

"Não se preocupe com ela. Eu dou conta," ela disse rapidamente. "Só preciso que você aceite."

Era fofo.

E Meris realmente torcia para que ele aceitasse, afinal…

'Não quero tomar medidas drásticas.' Pensou internamente.

Kaden ficou quieto por um instante.

Depois —

"Você conhece minha situação. Minha família. Rea. Sabe que não posso recusar o casamento."

Ele fez uma pausa, franzindo levemente os olhos.

"Você sabe o que isso significa?"

Meris não hesitou.

"Sei. E não me importo."

Ela sorriu.

'Só tenho que matá-la,' pensou docemente, ainda sorrindo.

Kaden assentiu.

"Ótimo. Mas, por enquanto… acho que ainda é cedo. Não quero acordar um dia e ver que sua atitude mudou só porque seus sentimentos também mudaram."

"Não é rejeição. Tenho interesse em você, Meris. Sinceramente. Mas se quisermos construir algo…"

Ele olhou nos olhos dela.

"Então preciso saber que seus sentimentos são verdadeiros. E os meus também."

Meris olhou para ele, em silêncio.

Mas por dentro?

Uma coisa só ecoava na cabeça.

'Tenho interesse em você.'

Só aquela frase fazia seu coração disparar.

Foi um grande avanço.

E então, com determinação ardendo no peito, ela disse —

"Tudo bem. Entendo. E vou mostrar que o que sinto não é algo superficial ou passageiro. É sincero."

Kaden sorriu, apenas um pouco.

Ele se virou, caminhando na direção da noite.

"Vamos ver então," disse sem olhar para trás.

Meris ficou parada, observando até seu perfil desaparecer na distância.

Depois, virou-se e entrou em sua propriedade.

E ao fazer isso, uma silhueta se formou atrás dela — silenciosa, invisível, mas perceptível.

"Lari…" chamou ela suavemente.

"Sim, minha senhora," respondeu imediatamente a aia.

"Kaden me pediu para provar que o amo, que sou sincera."

Meris sorriu de canto.

"E tenho a ideia perfeita."

Lari se endireitou.

"…O que é?"

"Tem uma garota nas lojas do Magnata," ela falou docemente. "Ela sorriu para Kaden de um jeito demasiado brilhante esta manhã."

"Estava pensando…"

Sua voz ficou mais baixa.

"Talvez eu devesse matá-la."

A respiração de Lari ficou presa.

"…Minha senhora…?"

"Você não acha que isso já seria a prova suficiente?" perguntou Meris, com tom leve — quase brincalhão.

"Afinal… estou pronta para matar uma funcionária dos Lojistas do Magnata por ele."

Seu sorriso se tornou frio, vazio.

"Não é lindo isso?"

Lari demorou a responder.

A cabeça dela não conseguia processar o que tinha acabado de ouvir.

Mas seu corpo reagiu antes do cérebro.

"...É muito lindo, minha senhora."

Meris respondeu na mesma hora.

"Então vamos fazer."

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