Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 54

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

"Mas que tal se tornarmos isso mais interessante... com uma aposta?" Kaden disse com um sorriso frio.

Suas palavras mais uma vez surpreenderam tanto Kenan quanto Meris.

Meris já tinha percebido na primeira vez em que viu Kaden naquela reunião entre herdeiros: ele não era como os Warborn comuns. Fisicamente, sim, era magro demais, elegante demais. Mas essa percepção ia além da aparência. A forma como ele se portava... não era algo que um Warborn deveria fazer.

Warborns tinham aquela energia selvagem e agressiva ao redor. Como se estivessem sempre à beira de destruir algo.

Mas Kaden…

Kaden tinha essa selvageria, sim — mas era calculada. Controlada. Intencional. Sua aura não era caótica — era medida. E só de olhar nos olhos dele, dava pra perceber — ele não era alguém que agia por impulso.

E Kenan nunca tinha considerado isso. Nem mesmo tentado entender Kaden. Assim que percebeu que ele era um Warborn, colocou um rótulo nele e decidiu quem Kaden era em um único olhar.

E agora…

Agora ele estava lutando para acompanhar.

"O que? Não me diga que você não tem nada pra apostar?" Kaden disse com evidente desprezo, virando a cabeça para Meris.

"Vamos, Meris. Vamos continuar isso em outro lugar," ele acrescentou, levantando-se.

Meris sorriu e também se levantou.

Mas, ao começarem a se afastar, Kenan deu um passo à frente e segurou no ombro de Kaden.

"Você não vai embora com a Meris, eu—"

"Se, em três segundos, sua mão ainda estiver no meu ombro…"

A voz de Kaden cortou as palavras dele como uma lâmina — baixa, fria, definitiva.

Ele virou lentamente a cabeça.

"… então não me culpe pelo que acontecer com seu braço."

Na hora em que seus olhos se encontraram, Kenan instintivamente estremecer e recuou. Sua mão caiu imediatamente.

Os olhos de Kaden brilhavam como dois poços carmesim, como sangue iluminado por baixo. Não apenas ameaçadores —mas mergulhados na promessa de morte.

Um movimento errado.

Um segundo a mais.

E algo seria destruído — permanentemente.

Porque, na verdade, Kaden estava cansado.

Cansado de todo esse circo.

Sua tolerância para besteiras já era pequena, e se Kenan tivesse ousado segurar sua mão por mais de um segundo…

Ele teria perdido todo o braço mesmo.

Era arriscado? Sim.

Kenan vinha de uma família poderosa. E Kaden deveria ficar na dela. Ir invisível. Especialmente com aquela princesa ainda rondando pela cidade.

Mas ele não se importava.

Se tudo desse errado, ele encontraria alguém para matar e recomeçar. A morte já não era mais como antes para ele.

Kaden olhou para Kenan por mais um instante, depois se virou e retomou a caminhada.

Meris o acompanhava ao lado, com o coração pulsando — não só de tensão, mas de excitação. Quanto mais ela observava Kaden, mais perigoso ele parecia, mais…

Quanto mais ela o desejava.

E quanto mais Kenan agia assim—

'Eu quero matá-lo,' Meris pensou em silêncio, escura.

Ela já estava na ponta da paciência.

Mas, claro, Kenan não tinha acabado.

"Aposto 500 moedas de ouro," Kenan chamou, com a voz afiada, carregada de humilhação e raiva.

Ele tinha sido feito de tolo. Humilhado na frente de Meris. E se recuasse agora? Se simplesmente deixasse isso acabar?

Nunca iria se livrar disso. Não como herdeiro dos Fireborns.

Então, ele não podia recuar.

Precisava lutar.

Precisava vencer.

Meris quase se virou, mas se conteve. Observou a expressão de Kaden ao invés disso.

E foi a primeira vez que ela viu aquela expressão nele.

Ele estava sorrindo.

Mas não como um predador.

Como um comerciante, alguém que acabou de encontrar um idiota rico perfeito para enganar.

E, sem nem sequer virar-se, Kaden disse:

"Faça 1000 e temos um acordo."

Ele tentava tanto manter a voz firme, tentando esconder a alegria quase incontrolável que ameaçava explodir.

"VOCÊ—!"

O grito de Kenan foi interrompido instantaneamente.

"Então esquece," Kaden respondeu, de forma direta, já se virando para sair novamente.

A face de Kenan ficou vermelha. Uma chama tremulou ao redor dele, instável, selvagem e furiosa.

Mas nem Kaden nem Meris se importaram.

"Aceito. 1000 moedas de ouro," Kenan murmurou, rangeu os dentes.

Kaden sorriu de canto, sem olhar para trás. "Você tem toda essa grana aí?"

"Vou precisar de... quatro dias para juntar," Kenan admitiu. Afinal, era o equivalente a uma moeda de platina. Não era algo que se puxava do bolso casualmente.

"Então vamos fazer o combate quando você tiver," disse Kaden.

E, assim, ele saiu do restaurante.

Mas por dentro?

'Acho que encontrei uma árvore generosa…' pensou Kaden, satisfeito até a alma.

Meris, andando ao seu lado, também se sentia extremamente satisfeita. Ela tinha acabado de descobrir algo novo sobre Kaden.

'Ele gosta de dinheiro.'

E, agora, ela já planejava mimá-lo — bastante.

Ela sorriu para si mesma, fazendo mentalmente uma conta de quanto tinha agora na carteira.

Kenan ficou atrás deles, com os punhos cerrados, dentes rangendo.

Parecia que Kenan era apenas um idiota arrogante que não via o óbvio — que Meris claramente gostava do Kaden e não queria nada com ele.

Mas ele sabia.

Ele sabia.

Ele via tudo.

Viu como ela olhava para Kaden. Como ela o seguia. Como ela sorria para ele.

Ele sabia.

Mas…

'O que você quer que eu faça?' pensou Kenan, com o coração pesado.

'Eu… gosto de você.'

Mesmo conhecendo a verdade.

Mesmo vendo tudo acontecendo bem diante dos seus olhos.

Ele não conseguia se segurar.

Porque, desde o primeiro instante em que colocou os olhos nela, Kenan caiu de cabeça.

Para ele, Meris não era só uma mulher. Ela era algo mais.

Uma fada. Um sonho.

E ele faria qualquer coisa para tê-la.

Qualquer coisa.

'Mesmo que me custe ouro. Mesmo que eu tenha que me humilhar. Mesmo que precise matá-lo.'

Ele faria tudo.

Todos esses anos.

Porque isso não era apenas um flirt de alta linhagem.

Era uma obsessão.

Uma obsessão estranha, para dizer o mínimo.

Mas dá pra realmente culpá-lo?

Da mesma forma que Meris se apaixonou por Kaden — sem lógica, sem razão —

Kenan também se apaixonou por Meris.

Eram iguais.

E assim como Meris faria qualquer coisa para conquistar Kaden…

Kenan faria qualquer coisa para conquistá-la.

Porque é assim que funciona o coração.

É assim que o amor é.

Irrefletido.

Caótico.

Não é algo que se possa entender.

É algo a que nos rendemos.

Suportamos.

E sempre acabamos machucados — porque amar alguém é aceitar a inevitabilidade da dor.

E a parte mais irônica?

Todos buscamos o amor de uma forma ou de outra.

Então, talvez a questão seja —

Estamos buscando o sofrimento?

Ou simplesmente não conseguimos fugir dele, então fingimos que escolhemos?

Eu realmente não sei.

Mas uma coisa tenho certeza…

Estou dizendo besteira?

Sim.

Com certeza.

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