
Capítulo 52
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
A noite chegou, e sob aquele céu magnífico, Kaden estava em frente a um restaurante chamado A Garfinha Dourada.
Era um local bastante conhecido—especialmente entre os nobres. Geralmente, por volta dessa hora, estaria cheio de aristocratas, mercadores, herdeiros e seus tecidos sob medida.
Mas naquela noite?
Havia apenas Kaden.
E bem diante das portas douradas e imponentes, duas mulheres vestiam uniformes de garçonete, com sorrisos polidos e treinados no rosto.
Quanto a Kaden, ele usava as mesmas roupas pretas simples de antes daquela manhã. Nem tentou trocar de roupa ou se preparar para a noite.
Porque, para ser sincero?
Ele não se importava muito com esse tal de encontro.
Não era por Meris—não realmente. Mesmo que ela fosse estranha, mesmo que seu comportamento fosse quase obsessivo, ela ainda era linda. Ainda tinha dignidade. E, na verdade, não era algo insuportável.
Ainda não.
Era administrável.
Não, o verdadeiro problema não era Meris de forma alguma.
O que acontecia era que Kaden tinha outras prioridades naquele momento—ele precisava focar em ficar mais forte. E isso significava encontrar uma Pedra de Evolução. Seguir sua missão de evolução. Avançar.
Esse era o seu objetivo.
Seu único objetivo.
Mas, além disso... havia algo mais. Algo que ele mesmo frequentemente esquecia—
Kaden tinha uma noiva.
E na sua família… ninguém tinha mais de uma esposa. Eram rígidos. À moda antiga. Orgulhosamente monogâmicos até o fim.
Algo…
'Sou completamente contra', pensou Kaden, com os olhos estreitados, uma desdém silenciosa crescendo no peito.
Uma mulher?
De jeito nenhum.
Kaden pode ter sido intimidado na vida passada, mas ele era homem—e o sonho de todo homem, por mais que o esconda, era ter várias esposas. Havia algo magnético nisso. Algo intoxicante. Algo que dava a sensação de que era o certo.
Mas, infelizmente, esse sonho entrava em conflito com o nome de sua família.
E Kaden não era idiota. Não era ingênuo. Não era algum protagonista burro que não entendia o que acontecia ao seu redor.
Com a forma como Meris agia com ele?
Ele sabia exatamente para onde aquilo ia.
Mais uma vez, suspirou, levantando os olhos para o céu sob a lua.
"Uma garota problemática e uma família complicada", murmurou para si mesmo.
Parecia que o caminho para o poder era ladeado por distrações.
Mas antes que pudesse se perder ainda mais nesses pensamentos, sua percepção de repente foi acionada.
Sua cabeça abaixou-se.
E então—mesmo para alguém como Kaden, que geralmente não ligava tanto para aparência—seus olhos se arregalaram um pouco.
Porque Meris…
Meris era deslumbrante.
Ela vestia uma túnica preta com bordas vermelhas que dançavam como tinta viva na tecido, com os desenhos mudando de forma tão sutil que você juraria que era sangue se espalhando de sua cintura—mas, ao piscarem, era só o tecido de novo. Nada mais.
Era fascinante.
Elegante.
Poderosa.
Seu cabelo estava puxado para trás, liso e afiado, preso por um prendedor rubi. Correntes e anéis brilhavam em seu pescoço e dedos, sofisticados, mas ferozes.
Mas nada disso era o que realmente chamava a atenção de Kaden.
Não.
Porque beleza não é só aparência.
Ela está na postura, na forma como você se apresenta.
Um homem pode ser bonito, mas se andar como covarde, falar como bobo e olhar para o chão toda vez que uma mulher o olha, nunca passará de um cara bonito no fundo, discretamente de fundo.
E ser bonito nunca é suficiente. Afinal,
Sempre há alguém mais bonito do que você. Sempre.
Então, no fim?
A presença é o que importa.
E desde o primeiro momento em que a conheceu, Meris carregava uma presença difícil de ignorar.
Ela o encarava com intensidade. Com curiosidade. Com algo mais que ele não sabia ou não queria acreditar.
Mas agora?
Agora, ela sorria como alguém que tinha acabado de ver a coisa que sonhava há anos.
E Kaden não pôde deixar de se perguntar—
'Por quê?'
Por que Meris o olhava daquele jeito?
Elas mal se conheciam.
Só tiveram uma interação de verdade.
Então, o que era aquilo?
Por que nele?
Kaden não sabia a resposta.
E, na verdade?
Nem Meris sabia.
"Você está tão bonito quanto sempre, Kaden," ela disse com um sorriso, preferindo não chamá-lo de Filho do Sangue. Era algo demasiado distante. Muito formal.
Kaden piscou.
Ela tinha se esforçado para isso. Reservou o restaurante. Se vestiu assim. Preparou tudo. E ele… chegou vestindo roupas comuns, sem nem passar o cabelo.
Percebeu que tinha sido injusto.
E olhando para o vestido dela, ficou evidente—foi ele quem escolheu.
Ele lançou um sorriso irônico. "Você também é linda, Meris."
Suas palavras eram simples. Mas sinceras.
E essa sinceridade fez o sorriso de Meris florescer ainda mais.
"Haha! Fico feliz que tenha gostado. Dei o meu melhor para esta noite," ela afirmou orgulhosa.
E, por algum motivo, Kaden sorriu de volta—por instinto.
Havia algo na energia de Meris que era contagiante.
E quando viu seu sorriso?
O coração dela acelerou.
E naquele momento, ela soube.
Ela gostava dele.
Com o sorriso de volta, ela indicou a porta. "Vamos entrar. Pensei em alugar um andar… mas, no final, reservei o restaurante inteiro."
Ela sorriu de canto.
"Só nós dois."
Kaden piscou surpreso.
Então, em silêncio—
'Se ela tem tanta grana… me dá uma, pelo amor de Deus,' pensou, quase deprimido pela própria pobreza, antes de finalmente entrar.
…
A Garfinha Dourada era tudo o que os rumores prometiam.
Elegante. Ornada. Recheada de ouro—tanto que até as cadeiras brilhavam sob a luz suave.
Kaden e Meris sentaram-se de frente, desfrutando de uma comida cuidadosamente preparada enquanto trocavam conversas leves.
Era simples. Pacífico.
Até que, por fim—Kaden não conseguiu resistir.
"Por que tudo isso, Senhora Meris?" perguntou, fixando o olhar nos olhos dela.
Meris ficou surpresa por um segundo—mas então sorriu.
"Porque eu gosto de você," respondeu tranquilamente. Sem hesitar. Sem vergonha.
A sobrancelha de Kaden se franzindo levemente.
"…Por quê?"
Era uma pergunta estranha, ele sabia disso.
Porque, na maior parte do tempo, amor ou atração não vêm por uma razão específica. Às vezes, você não sabe o porquê. Só sente.
E era isso que Meris sentia.
"Gostaria de saber," ela riu suavemente.
Ela olhou fixamente nos seus olhos rubros, sorriu novamente e continuou,
"Mas, falando sério. Sei que pode parecer estranho—" ela deu uma risadinha "—mas é verdade. Eu realmente sou assim."
Ela fez uma pausa.
Depois respirou fundo e disse aquilo que desejava há muito tempo.
"Kaden Warborn, eu gosto de você. E sim, antes que pergunte—sei que você tem uma noiva. Também sei que os Warborn só casam com uma mulher. Mas…"
Seus olhos prateados fixaram nele, duros e sem piscar.
"…Eu não vou desistir. Quero você. E nada…" sua voz ficou mais sombria, afiada por algo mais profundo "…nada vai fazer eu desistir de você."
Kaden ficou ali por um momento, incapaz de falar.
Porque isso…
Isto foi a primeira vez que alguém lhe confessou assim, em qualquer das vidas que teve.
Era… estranho. Revoltante.
Seus lábios se abriram para responder—
BOOOM!
As portas do restaurante explodiram de repente, estilhaços de madeira e ouro voando por todo lado.
Passos pesados ecoaram ao entrar.
As garçonetes e cozinheiros correram para o local, furiosos—até que viram quem era.
E de imediato, toda a raiva desapareceu.
E naquele silêncio, a voz chegou.
Familiar para Meris.
Desconhecida para Kaden.
"Não estou interrompendo algo importante, estou?"
Kenan tinha chegado.