
Capítulo 58
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Passo. Passo. Passo.
Kaden avançou e parou.
Diante dele, uma imensa planície verde de árvores — uma extensão infinita de floresta sem fim à vista.
Naquela época, ele não tinha prestado atenção nisso, mas agora, ao estar ali, percebeu o quão gigantesca era aquela floresta de verdade.
"Aquela princesa deve ter me teletransportado perto da entrada", murmurou Kaden baixinho. "Não por misericórdia, porém... provavelmente porque ela não conseguiu me empurrar mais pra dentro."
Porque, se pudesse, tinha certeza de que ela teria jogado ele bem no coração do inferno.
Ele não ficou remoendo essa ideia. Reuniu seus pensamentos e seguiu em frente.
"A área venenosa fica na zona central, no lado leste. Primeiro preciso passar pela zona externa", lembrou-se, caminhando com cuidado, calculando cada passo.
Mas ele não estava preocupado.
A zona externa raramente abrigava algo além de monstros de nível despertado — trabalhoso, mas gerenciável. O problema de verdade vinha depois.
Zona interior. Zona central.
Ele não tinha intenção de ir tão fundo. Pelo menos não agora. Na zona interior, até os mais fracos eram monstros de nível mestre. E na central?
"Grande mestre", ele sussurrou com uma risadinha seca. "Pois é… nem pensar."
Mas, mesmo dizendo isso, em alguma parte da sua mente… ele queria ir lá. Só pra morrer.
Não pela glória. Não pelo desafio. Só pra entrar numa zona proibida, ser destruído, voltar mais forte e repetir o ciclo.
E quanto mais pensava nisso, mais fazia sentido. Era a forma mais eficiente de usar seu sistema.
'Mas preciso de mais moedas da morte para isso.'
E, com esse pensamento, perguntou silenciosamente:
'Só dá para ganhar Moedas da Morte fazendo missões?'
[Sim, hospede.]
Kaden franziu a testa, decepcionado. Gostava de imaginar que havia outro método — algo mais rápido, mais constante.
'Então, como faço para garantir que continuarei recebendo missões?'
[Criando situações onde eu possa emitir uma.]
'Quer dizer?'
[Incomodar, provocar problemas, desafiar a morte, ultrapassar seus limites, ser barulhento, ser selvagem. Só não seja entediante.]
Kaden ficou olhando a notificação por um bom tempo… depois sorriu de canto.
"Basicamente, preciso perder a cabeça... igual à minha família. Mas não completamente. A minha será uma insanidade mais… refinada."
O sorriso dele se alargou.
De repente, Reditha se acendeu na mão dele. A arma vermelha pulsava de ânsia — a fome por luta transparecia através do vínculo que compartilhavam.
Kaden sorriu e entrou na floresta.
"Não se preocupe. Hoje vai sangrar bastante. Vamos considerar isso como um encontro nosso."
Mas Reditha respondeu confusa.
Kaden riu: "Ah, é. Você é praticamente um recém-nascido."
Então, ele parou de andar.
À frente — dezenas de monstros altos, de pele verde, com rostos retorcidos e clavas de madeira grossa nas mãos. Trolls.
"Bem agressivos para um aquecimento", comentou Kaden com interesse moderado.
No instante em que o viram, eles gritaram como animais enfurecidos e partiram para o ataque.
Os olhos de Kaden se estreitaram, e, caminhando em direção a eles sem pressa, o sangue começou a fluir de seu corpo como uma maré. O ar pareceu se distorcer enquanto treze lanças de sangue se formaram — afiadas, elegantes e perfeitamente direcionadas.
Havia treze trolls. E treze lanças.
Cada lança acertou seu alvo com precisão cirúrgica, perfurando os corpos enormes dos monstros — mas trolls não eram tão fácil de matar.
Eles rosnaram, remexeram, e seus corpos se contorceram enquanto a regeneração entrava em ação.
Porém, Kaden não lhes deu chance.
Ele criou uma esfera enorme de sangue acima da cabeça dos monstros e a fez despencar bem no centro do grupo.
"Explosão de Sangue".
POOOM.
O chão tremeu, e jorros de sangue e tripas vieram como uma chuva. Os trolls nem tiveram chance de reagir.
Seus sangues foram drenados, e Reditha se apossou de tudo com avidez.
Kaden se aproximou dos cadáveres e pegou seus núcleos de origem sem emoção.
Ele inclinou a cabeça levemente.
"Não é suficiente", ele falou com frieza. "Muito fácil."
Ele queria mais. Precisava de mais. Muitas de suas estatísticas já tinham atingido 200, e ele buscava algo… melhor. Queria testar seus limites.
"Posso fazer isso na zona central. Mas, por enquanto?"
Um sorriso malévolo curvou seus lábios.
"Quero dar uma brincadinha."
Ele ampliou sua percepção, vasculhando a floresta. Em poucos momentos, encontrou outro grupo — várias alcates de monstros próximas.
Sem perder tempo, Kaden avançou numa velocidade tão grande que deixou rastros de luz vermelha no ar atrás dele.
Parou de repente.
À sua frente, monstros enormes, parecidos com formigas negras, carregavam o cadáver de um lobo morto.
Kaden levantou a mão. Reditha pulsou de empolgação.
Ele desferiu um golpe, cortando limpidamente o corpo do lobo pela metade, provocando uma reação instantânea nas formigas—elas arregalaram os olhos e avançaram.
Uma pela esquerda, outra pela direita e uma à frente.
Kaden dispensou Reditha.
Com as mãos nuas, permaneceu ali, calmo, enquanto eles corriam em sua direção.
No momento em que chegaram, com bocas abertas, prontos para atacar, Kaden atacou.
Segurou as duas de cada lado pela mandíbula, fechando suas bocas com força, e então as prendeu — ossos estalaram e se fraturaram sob sua força.
Os monstros uivaram, mas antes que pudessem se recuperar, Kaden girou e deu uma cadeira de pontapé na cabeça do terceiro, estilhaçando seu crânio numa explosão ensanguentada de verde.
Reditha apareceu no céu e caiu como uma estrela cadente, perfurando um cadáver, depois o próximo.
Tudo morto.
Kaden levantou a mão, e Reditha voltou para ele, trementes de satisfação.
"Você está melhorando", elogiou.
Reditha pulsou, orgulhosa.
Kaden se virou para as últimas formigas que guardavam o que restava do cadáver do lobo.
Mas agora, elas não estavam zangadas. Estavam tremendo.
"Vou terminar logo com isso", sussurrou Kaden, com um sorriso sanguinolento — e, num piscar de olhos, suas cabeças haviam desaparecido.
Pum. Gushhhh.
O sangue delas voou, e Reditha bebeu tudo, alimentando o reservatório compartilhado.
Kaden se abaixou e recolheu os núcleos de origem.
Já não tinham mais valor para ele — seu sistema já estava saturado — mas ainda assim, venderiam bem.
Sem hesitar, partiu novamente.
Mais núcleos. Mais experiência. Mais morte.
Por fim, se deparou com um grupo de goblins no meio de uma orgia, gemendo e grunhindo ao ar livre.
"Desculpa interromper", comentou casualmente — e, numa só passada, decapitou todos eles de maneira fluida. Limpo. Elegante. Implacável.
E assim…
Kaden continuou sua pequena carnificina, cortando a zona externa da Floresta de Asterion como um espectro feito de sangue e fúria.
—Fim do Capítulo 58—