
Capítulo 57
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Vivette observou seus dois discípulos em silêncio.
Primeiro, olhou para Meris, cujo rosto parecia quase irradiar de felicidade—claramente encantada com alguma coisa. Depois voltou-se para Kenan, que parecia um homem que não dormira uma noite sequer. Ele ficava lançando olhares para Meris a cada poucos segundos, como se quisesse falar… mas não tinha coragem.
Vivette suspirou silenciosamente.
Ontem, ela havia deliberadamente dado folga a eles—esperando que se-centrarem, talvez até aprendessem um com o outro. Afinal, discípulos que se conectam, compartilham e duelam frequentemente crescem mais rápido juntos.
Mas parecia que sua boa vontade tinha dado errado. Um estava apaixonado. O outro? Estava nas nuvens.
"Estão prontos para a primeira aula?" perguntou Vivette finalmente, com o olhar percorrendo ambos.
"Sim, Mestranda!"
"…Sim."
As respostas vieram em uníssono—mas o tom, a energia por trás das palavras, não podiam ser mais diferentes.
Vivette não se demorou nisso. A vida pessoal deles não era da sua conta.
Mas o foco, sim.
E se eles não se concentrarem, cometerão erros. Perigosos. E se há uma coisa que Vivette não toleraria—ser humilhada por discípulos que não rendem o suficiente. Sua reputação importava para ela. Muito.
"Antes de começarmos com a elaboração de poções, vocês precisam entender o processo teórico. Começaremos com algo bem básico—uma poção de cura de nível comum, algo que até os comerciantes costumam estocar aos milhares."
Ela fez uma pausa, então olhou novamente para os dois.
"Qual de vocês conhece os ingredientes necessários?"
Silêncio.
Meris inclinou a cabeça, colocando um dedo no queixo.
"Herbário Crimsonleaf… cipó Glowroot…" ela ofereceu, claramente tentando se lembrar de mais ingredientes—mas foi só isso que conseguiu.
Vivette assentiu levemente—esses estavam corretos—mas seus olhos se estreitaram ao perceber que nenhum dos dois continuou.
"Herbário Crimsonleaf. Cipó Glowroot. Água-pura. E pó de pétala de osso," disse Vivette de forma firme, com o olhar penetrando neles. "Quatro ingredientes. Essa é a fórmula de uma poção de cura de nível comum."
Meris deu uma risadinha desconcertada, então começou a anotar. Kenan fez o mesmo, em silêncio.
"Agora, aprendam o processo," continuou Vivette, entregando a cada um uma placa rúnica. "Estudem isto. Conheçam como a palma da mão."
"Quando tiverem memorizado, tentarão fazer uma poção vocês mesmos. E, ao conseguirem fazer isso cinco vezes, atingir-se-á oficialmente o nível de Aprendiz de Alquimista."
Ela deu um tempo para que assimilassem.
"Não é um título para se gabar, mas tem peso. O suficiente para ser levado a sério na maior parte dos círculos."
Ao ouvir, Meris e Kenan imediatamente endireitaram-se. Estavam interessados antes—mas agora, estavam completamente empenhados.
Não era brincadeira.
Vivette podia minimizar, mas ambos sabiam que chegar a ser, no mínimo, um Aprendiz não era tarefa fácil. Talento alquímico não é algo que qualquer camponês aleatório possui—é raro.
E é valioso.
Assim, pegaram suas placas rúnicas e começaram a estudar com muita concentração.
Mas então Vivette sorriu—e acrescentou um toque final:
"A primeira de vocês a alcançar o nível de Aprendiz… receberá de mim um conjunto de poções de cura de nível raro."
E, num instante, o clima mudou novamente.
Eles ficaram energizados agora.
Exceto que um deles tinha uma motivação diferente—
'Se eu ganhar… ela virá até mim pedir orientação?' pensou Kenan consigo mesmo.
E quanto mais imaginava isso, mais fazia sentido.
Mais tentava ganhar.
Que homem dedicado, hein.
…
Enquanto isso, Kaden permanecia diante de um guarda conhecido—o mesmo de antes.
"Ah? De novo, Pequeno Guerreiro de Nascença?" perguntou o homem, sorrindo. "Cansado da capital?"
"Tenho uma missão lá fora," respondeu Kaden, entregando ao guarda o pergaminho de confirmação.
O guarda—Ray—levou a missão a sério. Não era só uma formalidade. Se ele falhasse em verificar o documento corretamente, e algo desse errado…
Bom. Ele não queria imaginar o que os superiores poderiam fazer.
Depois de revisar, Ray devolveu com um aceno e seu sorriso habitual.
"Pode partir. Mas se não voltar dentro de um mês, como estão as condições da missão—vamos considerar que você morreu."
"Prazos levam em conta todas as variáveis conhecidas. Você tem mais que tempo suficiente para concluir e voltar."
Kaden inclinou a cabeça.
"E se eu voltar após o prazo?" perguntou, com os olhos vermelhos como sangue fixos nos pretos de Ray.
"Depois de tudo que você disse, variáveis conhecidas. Talvez eu encontre algo que você não previu e me force a voltar depois de um mês."
Ray sorriu mais amplamente.
'Que Guerreiro curioso…' ele pensou.
"Bem, assim que confirmarmos que é realmente você, ficaremos felizes em conhecer uma nova possibilidade, não é?"
Kaden assentiu lentamente e voltou a caminhar, sem querer gastar nenhuma das runas desse guarda.
Ray gritou atrás dele: "Só não morra por aí, pequeno Guerreiro. Não queremos que sua família faça confusão."
Ele riu para si mesmo, depois sussurrou: "Nem que tenham coragem… eles sabem que é melhor não cruzar a gente."
Ao ouvir essas palavras, Kaden sorriu de canto.
"Por favor, senhor. Não me mande azar."
'Depois de tudo… planejo morrer.'
Ele saiu da capital tranquilamente, caminhando em direção à mesma floresta onde a princesa uma vez o teleportou—a Floresta de Asterion.
Logo atrás dele, Ray piscou.
"…Mancar?"
Ele balançou a cabeça e voltou ao trabalho.
…
Kaden caminhava calmamente pelo caminho em direção à floresta.
Levaria dois ou três dias para chegar lá.
Podia ter pego uma carruagem—mas preferiu andar. Queria tempo para pensar, deixar a informação da missão sedimentar em sua mente.
Seu alvo era o Urso Dreadthorn.
Uma fera venenosa que habitava uma região infesta dentro da floresta, cercada por névoas tóxicas.
O que significava que ele não estaria apenas combatendo a besta—
Estaria lutando contra a própria terra ao redor dela.
"Isso explica a classificação de dificuldade… perto do nível de Mestre," murmurou Kaden.
Mas isso só aumentava a adrenalina.
Ele tinha 1.000 Moedas da Morte, e, pelo que estimava, a diferença de força entre ele e o urso não era tão absurda.
Ou seja—
"Posso morrer umas quatro vezes, mais ou menos," pensou, fazendo contas.
"Mas, só por garantia, vou deixar uma morte reservada. Nunca se sabe que imprevistos podem acontecer."
Com o plano em mente, Kaden acelerou o passo.
"Posso treinar meus Passos Lentes pelo caminho."
E assim fez.
Logo, uma figura estranha começou a surgir na estrada—um jovem movendo-se com uma preguiça irritante, mas que, de alguma forma, avançava mais rápido que um cavalo galopando.
De fato, uma visão curiosa e ridícula.
—Fim do Capítulo 57—