
Capítulo 59
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Na região nordeste da zona externa da floresta, a terra estava encharcada de sangue — espesso, escuro e multicolorido, uma paleta macabra que revelava uma carnificina além da imaginação.
Não era o sangue de uma única fera, nem duas, mas dezenas, talvez mais — trolls, orcs, goblins, formigas, lobos, até alguns ursos mutantes. Membros espalhados como galhos quebrados, intestinos enroscados como cordas descartadas, cabeças rolando com os olhos arregalados ou já removidos, bocas congeladas em seus últimos gritos.
Era carnagem. Profana. Completa.
E, sobre um trono feito daquele amontoado grotesco, sentava um jovem.
Cabelos negros sedosos, olhos vermelhos como sangue reluzente. Nenhum arranhão. Nem um fio fora do lugar. As roupas impecáveis, postura relaxada, e na mão, uma katana vermelha que pulsava suavemente, carregando uma pontada de irritação.
Kaden olhou para Reditha com incredulidade moderada.
"Sério mesmo? Agora você está recusando?"
Reditha não respondeu. Já tinha absorvido demais — cadáveres de monstros de nível baixo, tanto que aquilo lhe dava nojo. Agora, rejeitava o sangue como se fosse vinho azedo. O orgulho dela não permitia mais ingerir tamanha imundícia.
Kaden soltou uma risada seca e se levantou, seus coturnos fazendo barulho suave ao pisarem na terra encharcada de sangue.
"Que desperdício," murmurou, descendo de seu trono sangrento.
Ele colocou Reditha de volta em seu lugar, apoiando-a casualmente sobre o ombro.
"Acho que já foi o suficiente de aquecimento. Vamos encontrar aquela fera venenosa e terminar a missão."
Antes de partir —
"Explosão de Sangue."
BOOOOOOOOOOOOOMMMM!!!
Uma enorme explosão surgiu atrás dele, pintando o céu com fumaça negra e névoa carmesim, apagando qualquer vestígio da matança.
Kaden desapareceu de vista, sua técnica Passos Preguiçosos escondendo sua presença, deixando apenas um crater e silêncio no rastro.
'Mais vale prevenir do que remediar. Já causei perigo suficiente nesta floresta,' pensou, sumindo do quadrante nordeste como um espectro.
…
Horas depois, após alternar entre caminhadas tranquilas e rajadas rápidas de movimento, Kaden finalmente chegou à entrada da zona intermediária — e assim que cruzou o limiar, a mudança de atmosfera foi imediata.
O ar ficou pesado. Não sufocante, mas… consciente.
Diferente da zona externa, onde nada poderia representar uma ameaça real, aqui ele sentia olhares — hostis, inteligentes, vigiando na escuridão.
E ele acolheu isso.
"Bater em monstros mais fracos era divertido… mas não me fará avançar."
Somente aqueles capazes de matá-lo eram dignos agora.
"Será que…
"Deveria caçar um pouco antes da missão? Ou terminar a missão primeiro e depois se soltar?"
Ele tinha um mês para concluí-la. A missão em si não levaria mais que uma semana.
Melhor concluir o objetivo primeiro. Era mais seguro e inteligente. Assim, depois, podia fazer o que quisesse.
Justo quando tomou sua decisão —
DING!
[Você recebeu uma nova missão.]
[Missão: Fúria Sangrenta]
[Descrição: Você finalmente está demonstrando as características do seu título — Filhote de Sangue — e da sua origem lendária. Você é uma entidade destinada a matar, a consumir sangue e crescer. Está no caminho certo.]
[Objetivo: Matar 500 monstros de nível despertado na floresta antes de retornar a Asterion.]
[Recompensas: 500 Moedas da Morte | 25 Pontos de Atributo]
[Penalidade: Nenhuma]
Kaden sorriu lentamente. Agora tinha três missões. Três possibilidades. Três caminhos para o poder.
Cada uma paga em sangue.
"Ah… felicidade."
Ele ativou seu anel de ocultação — o mesmo que o salvou na Floresta do Sol Eterno — e, sem perder tempo, partiu rumo ao covil do Urso Espinhado Morto.
Agora, ele tinha mais cautela.
Aqui na zona intermediária, não havia monstros frouxos — eram verdadeiros predadores. Seja de nível intermediário ou de nível despertado poderoso, cada um representava um perigo se subestimado.
Mas perigo também era oportunidade. Assim, quando encontrava presas distraídas, atacava sem hesitar — rápido, preciso, limpo. Sem movimentos em vão. Sem misericórdia.
E quanto mais matava, mais eficiente se tornava.
Aprendia suas fraquezas. Descobria como andar ainda mais silencioso, como silenciar sua respiração, como atingir exatamente onde doía. A experiência o moldava como uma lâmina contra uma pedra de amolar.
De repente, ele parou.
Uma névoa verde delicada começou a se formar ao seu redor — primeiro leve, depois se tornando mais densa enquanto avançava. À frente, a neblina era tão espessa que parecia uma parede.
Ele tinha chegado.
"O território do urso," murmurou Kaden entre os dentes.
Ele reach no seu anel espacial e pegou uma máscara.
Preta, elegante, com duas linhas vermelhas passando das órbitas até parecerem lágrimas sangrentas. Era um artefato de rank raro, caro pra caramba, mas que valia cada moeda.
Ela escondia sua identidade, mas, mais importante, permitia que ele respirasse mesmo em ambientes envenenados.
Sem hesitar, vestiu a máscara.
E que visão impressionante.
Um jovem de preto, cabelos obsidiana ao vento, máscara pintada com lágrimas vermelhas, olhos vermelhos brilhantes que cortavam a névoa. Uma presença que anunciava perigo.
Kaden exalou lentamente e entrou na névoa venenosa.
Seu passo era silencioso, calculado. Como uma sombra se movendo na bruma, seus sentidos fazendo o que seus olhos não conseguiam.
Era estranho. Afinal, ainda se sentia mais confortável confiando na visão. Mas ele se adaptava, pouco a pouco, aprendendo a perceber sem enxergar.
Quanto mais fundo ia, mais espessa ficava a névoa. O veneno pairava pesado no ar, mesmo com a máscara protegendo-o. Podia sentir na pele a picada do toxina, na forma como o mundo parecia pulsar com uma maldade silenciosa.
Ele acelerou o passo.
E então, de repente, parou.
Não havia nada à sua frente. Nem som, nem movimento.
Até que virou.
E lá estava.
Um urso negro gigante, facilmente com sete pés de altura, com linhas verdes brilhantes atravessando seu pelo e fumaça venenosa saindo dos olhos como uma névoa tóxica.
Ele o encarava diretamente.
Kaden sorriu por trás da máscara.
"Muito silencioso para um urso," disse em voz alta, a voz reverberando no silêncio venenoso.
ROOOAAARRRRRR!!!
O urso avançou em sua direção.
"Relaxa, grandalhão. Não precisa ficar tão bravo assim."
Reditha apareceu na mão de Kaden, pulsando de fome.
E assim —
A batalha começou.
—Fim do Capítulo 59—