Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 43

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Sora ficou ali, de pé, olhos arregalados, encarando Kaden como se ele fosse algo irreal.

"O que… o que você quer dizer?" ela perguntou, tentando manter o tom calmo, como se nada importasse, como se ela não se importasse—como se ela não soubesse exatamente a que ele se referia.

Mas Kaden não se deixou enganar.

Ele já tinha percebido a primeira reação dela, e, antes mesmo disso, já tinha sentido—algo na maneira como ela se comportava, algo no ritmo dela. Uma intuição, talvez. Mas uma bem forte.

E Kaden era bom com intuições.

Porque alguém como Sora—uma princesa de um império poderoso como o Império Celestial, nascida sob pressão, criada na grandeza, acorrentada pelo peso do legado—alguém assim não tinha tempo para bobagens como cantar.

Não. Isso não fazia sentido.

A menos…

A menos que fosse segredo.

A menos que fosse algo que ela precisasse esconder.

Seria um exagero—se Kaden não tivesse lido sobre o Império Celestial. Sobre o orgulho deles. A crença de que só eles tinham a verdadeira justiça. Que seus costumes eram os únicos certos. Que sua imagem, sua narrativa, eram absolutas.

Então, uma princesa?

Cantando?

De jeito nenhum.

Não era apenas improvável. Era proibido.

E, ao juntar as informações, tudo se encaixou.

Então fez o que precisava fazer.

Usou essa informação.

Matar ela? Torturá-la?

Não.

Ele não tinha poder—nem estômago—para isso.

Mas chantagear?

Chantage era jogo limpo. Com certeza.

"Você escolhe, princesa," Kaden disse, com a voz baixa e seca. "Ou você me ajuda… ou todo Fokay fica sabendo do seu showzinho. E confie — pelo menos um guarda vai enfiar o bico."

Os olhos de Sora tremeram por um instante—mas, rapidinho, ficaram duros de novo.

"Eu poderia matá-los," ela disse, com a voz de repente fria, soberana. "São meus guardas. Meus subordinados. Se eu quiser, eles morrem. Até as famílias deles."

Um calafrio percorreu o cômodo—não por mana, mas pela arrogância imperial pura.

'Tanto faz uma família gritando justiça pelos céus…' Kaden pensou, com sarcasmo.

Mas ele não duvidava dela. Nem por um segundo.

Ele sabia que ela era capaz.

Mas será que ela conseguiria passar impune?

"De verdade, faria isso?" Kaden perguntou, com o olhar estreitando. "Claro, você poderia matar todos eles. Mas e depois? Como vai explicar para sua família?"

"Você os conhece melhor do que eu."

Sora ficou em silêncio.

Porque ele tinha razão.

A família dela não aceitaria isso. Eles precisavam manter a imagem. A reputação. Não iriam deixar passar—nem por ela.

Se ela agisse de forma imprudente, eles investigariam.

E, se descobrissem o que realmente aconteceu… a única coisa que ela valorizava nesse cárcere de paredes douradas—seu canto—seria arrancada dela.

E isso?

Ela nunca poderia aceitar.

'Não posso… não vou deixar que tirem isso de mim,' Sora pensou, com a mandíbula cerrada, as mãos tremendo.

Então, com os dentes cerrados e fogo nos olhos, ela olhou para Kaden.

"Aceito. Vou mudar o destino para você."

No momento em que as palavras saíram da boca dela, Kaden se moveu.

Ela ainda estava amarrada, incapaz de caminhar direito, então ele não perdeu tempo—ele a carregou.

Os olhos de Sora se abriram de surpresa. "Você—! O que está fazendo?! Não toque em mim com suas mãos imundas, seu miserável!"

A voz dela aumentou, quase gritando.

Coração de Kaden saltou do peito. Ele tampou a boca dela com a mão.

"Você—! Está louca? Queria me entregar agora? Nós estamos tão perto!"

Ele a encarou com firmeza.

"Juro que, se me pegar fazendo isso, não ligo se morro—vou fazer com que todo mundo lá embaixo veja a sua apresentação. Entendeu?"

Os olhos de Sora brilharam, mas ela ficou calada.

A voz silenciou, mas seu raiva ardia ainda mais forte.

"Não. Me. Toque," ela sussurrou quando ele afastou a mão, cada palavra carregada de ênfase.

Kaden não respondeu.

Desde que ela não gritasse, ele não se importava com o que ela dissesse.

E Sora percebeu isso.

Ele não tinha medo do título dela.

Não se ajoelhava. Não fingia.

E isso—isso era novo.

Inquietante.

Inadmissível.

As pessoas nunca agiram assim ao redor dela. Ninguém nunca tinha. Ou tinham medo, ou adoravam, ou simplesmente ficavam fora de seu caminho.

Kaden não fazia nenhuma dessas três coisas.

Deveria parecer algo intrigante. Novo.

Mas, ao contrário, parecia uma falta de respeito.

Ela odiava isso.

Era uma princesa. Uma astreana. Um símbolo de ordem divina.

Como alguém—qualquer um—podia tratá-la assim?

Antes que a frustração se transformasse em algo pior, Kaden a colocou gentilmente na frente do portal de teletransporte.

Ele se abaixou, destruiu as amarras ao redor dela.

Sem antes falar uma última coisa.

"Não faça nada estúpido," advertiu.

Depois, com um gesto meio elegante, apontou para o portal.

"Por favor, princesa. Vá em frente."

Sora não respondeu.

Seu rosto estava carregado de fúria, mas ela se moveu. Estendeu as mãos em direção à formação de runas, com dedos tensos.

Era uma configuração simples. Não uma runa avançada—apenas um portal direcional. Algo que uma manipulação básica de mana podia alterar.

Ela começou seu trabalho.

Kaden ficou atrás, silencioso.

"Faça ela ficar longe suficiente da capital," ele disse, em tom baixo.

Sora não respondeu. Nem olhou para ele.

Ela apenas trabalhava.

E Kaden não se importava. Desde que ela fosse rápida.

E ela era.

Em poucos momentos, o portal começou a brilhar.

Seu corpo tremeu levemente. Uma fina camada de suor cobria sua testa.

Terminado.

E então—Kaden a sacou e a jogou na cama.

"AHH—!"

O grito de Sora ecoou, agudo de surpresa.

E, assim de repente—passos.

Correndo. Ruidosamente. Guardas.

'FODA.'

Kaden xingou.

Estava tão concentrado na linha de chegada, tão perto de escapar, que esqueceu que ainda estava em perigo absoluto.

Sem tempo a perder.

Ele despejou mana no portal. As runas se acenderam.

Seu corpo começou a desaparecer.

Antes de sumir, ele olhou uma última vez para Sora—que o encarava com uma fúria tão pura, tão intensa, que por um instante, Kaden quis pensar que ela realmente poderia atacá-lo e mordê-lo.

Ele sorriu de canto.

Sacou o artefato de gravação.

Levou-o até ela, para mostrar.

"Uma palavra sobre mim… e você sabe o que acontece."

"Cuide-se, princesa. Quem sabe a gente não se encontra de novo."

E, assim, ele desapareceu.

Deixando uma Sora irada, atônita e humilhada.

"Princesa!! Princesa Sora! Está tudo bem?" os guardas perguntaram, com a voz trêmula de preocupação.

Sora não respondeu.

Ainda não.

E, justo quando estavam prestes a invadir—

"Estou bem. Só tropecei e caí."

Uma desculpa ridícula.

Mas ela era princesa. Ninguém ousava duvidar dela.

Exceto um.

Rael.

Um dos guardas parou, cheirou o ar.

O cheiro… sangue. O cheiro de morte.

Seu olhar se estreitou.

"Peço perdão, princesa… mas preciso ver com meus próprios olhos."

E, sem esperar, invadiu a sala através da porta.

E o que ele encontrou?

Sora. Sentada ali, olhando para ele como se tivesse acabado de quebrar as leis dos próprios deuses.

Isso foi o limite.

A temperatura do ambiente subiu de repente.

Os olhos dela brilhavam como sóis em miniatura.

"Por entrar na minha sala sem permissão…"

"…você ficará preso na Masmorra do Domo Doceber de Um Mês."

O rosto de Rael empalideceu de choque, sem palavras.

"Princesa—!"

"Mais uma palavra e serão duas," ela retrucou, seca.

Silêncio se instaurou.

Nenhum deles teve coragem de falar de novo.

Não entendiam por que ela estava tão furiosa.

Não conheciam a verdade.

Não sabiam do crime que acabara de ser cometido naquela gaiola de ouro.

Porque, para uma garota que nunca foi desafiada, chantageada ou mesmo tocada—

isso era insuportável.

Kaden talvez tivesse vencido aquele joguinho.

Mas agora?

Agora Sora tinha os olhos nele.

Ela pode não saber seu nome. Pode não saber seu rosto.

Mas ela se lembrou dos olhos dele.

E isso já seria suficiente.

'Espero que goste do lugar para onde te mandei,' Sora pensou frio. 'Porque não vai ser pra sempre. Eu te encontrarei. E farei você se arrepender.'

Isso era só o começo.

Bem lá no fundo, de onde tudo começou—Roma acordou.

Desorientado. Leveixo.

Sentou-se e encontrou um pedacinho de papel dobrado cuidadosamente ao seu lado.

"Tome a poção de cura. Vá buscar sua armadura. Aja como se nada tivesse acontecido."

Mensagem de Kaden.

Roma riu fraco, depois tomou a poção.

Então levantou-se.

Ele não tinha intenção de trair alguém assim.

De jeito nenhum.

Kaden ainda era jovem—mas o jeito que se move, pensa, sobrevive?

Ele poderia se tornar algo terrível.

Como Roma sabia que tinha escapado?

Porque nenhum alarme soou. Nenhuma sirene. Nenhum sinal de morte.

O silêncio significava sucesso.

E quanto mais ele pensava nisso…

Mais respeitava.

"Sem nome, hein…" ele murmurou enquanto caminhava.

Então, com um sorriso torto…

"Bem… eu teria escolhido Bloodborn."

De verdade, o senso de nomeação dos jovens está muito ruim hoje em dia.

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