Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 42

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Sora Asterion—Princesa do ilustre Império Celestial.

Um poder tão antigo, tão vasto, tão dominante neste mundo profundo e belo chamado Fokay, que até o tempo baixou a cabeça enquanto avançavam—nunca caíram, apenas se ergueram.

Eram simplesmente tão poderosos. Tão talentosos. Tão… especiais.

E Sora?

Ela era a mais jovem delas. Uma garota dotada que despertou uma Origem relacionada ao sol e às estrelas. Uma afinidade rara. Mas aquilo não era tudo—Sora também era conhecida em todo o império pela sua habilidade em criar runas.

Ela era talentosa. Tinha respaldo. E, por isso, carregava uma pressão enorme.

Porque sua família exigia nada menos que a perfeição.

Ela tinha que ser excelente. Tinha que ser um símbolo. Tinha que ser aquilo que o povo pudesse admirar—a sua luz brilhante.

Mas aqui está o problema…

Sora ainda era apenas uma garota.

Uma garota que queria fazer mais do que treinar, decorar jargões políticos ou engasgar com manuais de etiqueta escritos por homens mortos em robes dourados.

Ela queria amigos. Risadas. Conversas sobre coisas triviais que nada tinham a ver com o destino de um império.

Ela queria tudo isso.

Mas não tinha.

Em vez disso, lhe foi dado um castelo inteiro—um vasto domínio construído só para ela—em um de seus locais escondidos. Tudo com o objetivo de elevar suas habilidades solares ao próximo nível.

Por isso ela estava ali. Por isso esse castelo existia.

Era a sua prisão dourada.

E, a princípio, ela treinava. Obedecia. Seguia ordens como uma boa princesa deveria.

Mas quando o tempo passou, e ela percebeu que realmente estava sozinha—sem criadas, sem distrações, apenas guardas posicionados bem lá embaixo, que nem sequer mostravam o rosto a menos que fossem chamados—

Sora começou a explorar.

Ela começou a experimentar pequenas curiosidades que tinha coletado dos sussurros e fofocas dos serviçais.

E uma coisa… a atraía mais do que qualquer outra coisa.

Cantar.

A primeira vez que tentou?

Oh, céus…

Foi como algo dentro dela se abriu. Como se as próprias estrelas dançassem na sua garganta. Como se fosse aquilo que ela nasceu para fazer.

Mas uma princesa do Império Celestial? Cantar?

Impossível.

Esse tipo de comportamento seria esmagado. Disciplina.

Então ela manteve tudo em segredo.

Para o mundo, ela continuava sendo a prodigiosa, poderosa e fria princesa. Mas, quando estava sozinha…

Ela era apenas Sora. A garota que cantava para si mesma em seu castelo solitário.

Isso deveria ficar assim.

Para sempre.

Então… 'por que havia um intruso aqui?' pensou Sora silenciosamente.

Por que alguém estava ali na sua frente, depois de ouvir seu canto?

O rosto de Sora se fechou instantaneamente. Seus olhos dourados brilharam de fúria e vergonha—mas antes que pudesse dizer algo,

Kaden a atropelou.

"Não diga nada."

Sua voz estava tranquila. Controlada.

Então, ele lentamente puxou um artefato—que Sora reconheceu imediatamente.

Uma restrição. A mesma usada por guardas ao subjugar prisioneiros perigosos.

Seus olhos se arregalaram.

Ela se moveu instintivamente, tentou escapar das mãos dele—mas não conseguiu.

A força dele era de 175 em seu estatístico.

E, embora ela fosse uma Despertada de nível semelhante ao dele, claramente era mais uma especialista em ataques de longa distância. Não podia igualar aquela força física.

Em poucos instantes, ela foi amarrada por uma corrente de artefatos que também bloqueavam seu uso de mana.

Ele cobriu sua boca com um pano, selando sua voz completamente.

Somente quando ela esteve totalmente contida, Kaden respirou fundo e relaxou um pouco. Caminhou até ela, fechou a porta suavemente.

Depois se virou para ela novamente.

A garota diante dele era linda.

Cabelos dourados que brilhavam como o sol derretido, olhos tão vívidos que pareciam esculpidos de estrelas em chamas. Havia pequenas manchas dentro das íris—estrelas delicadas e minúsculas, girando, ocultas, sutis. Seu olhar transmitia calor.

Porém, Kaden não se deixou distrair.

E do mesmo jeito que ele a observava—analisando, medindo—ela o encarou de volta.

Sora viu-o.

Cabelos escuros e bagunçados. Pele pálida como neve. Olhos vermelhos como sangue, profundos e afiados o bastante para ferir. Olhos que até ela, uma princesa, achava deslumbrantes.

Mas isso não significava que ela gostava de tudo aquilo.

De jeito nenhum.

Ela lançou-lhe um olhar carregado de ódio, quase divertido de tão forte.

Kaden se agachou para ficar na altura dos olhos dela, então falou calmamente, com tom firme e claro.

"Olha, princesinha… eu também não quero isso."

"Você pode ver meu nível. Sou apenas um Despertado de nível baixíssimo, mal sobrevivendo. Antes que imagine que vim aqui para te fazer algum mal ou te machucar, pensa um segundo…"

"Será que realmente pareço alguém que entrou nesse lugar por vontade própria? As únicas duas entradas dessa floresta são aquele portal de teleportação—aquele no seu quarto e o que é controlado pelos seus guardas."

Kaden deixou suas palavras se assentar.

Ele não estava ali para ameaçá-la.

Estava ali para que ela entendesse.

Pois, diferente de Roma, ele não poderia torturá-la até ajudá-lo.

Ele não faria isso.

Ela era uma princesa do Império Celestial.

Não era alguém com quem se brinca de modo leviano. Não quando você é fraco.

Ele sabia disso.

Então, optou pelo caminho da razão.

E Sora, apesar de tudo, escutou. Pisou, surpresa. Depois começou a balançar a cabeça desesperadamente, tentando dizer algo.

Kaden hesitou, então removeu o pano de sua boca.

"Ahh…" Sora exalou com força, recuperando o fôlego.

Depois ergueu o rosto e olhou diretamente para ele.

"Você… você foi jogado aqui pela Vontade," ela disse—não como uma pergunta, mas como uma conclusão.

Kaden assentiu. "Sim. E só quero sair. Eu sabia que, se seus guardas me vissem, não ligariam para explicações. Eles simplesmente me matariam."

"Então, vim aqui… para pedir sua ajuda. Preciso que mude o destino daquele portal."

Falou tudo em um só fôlego.

Sora o observou em silêncio, absorvendo sua desesperança, seu raciocínio. Ele não estava errado. Os guardas não fariam perguntas.

Mas, ainda assim…

"Por que você acha que eu vou ajudar você?" perguntou Sora, sua voz agora cortante e fria, com o mesmo orgulho imperial envolvendo a língua.

"Você invadiu meu quarto. Me imobilizou. Amarrou. E agora pede um favor?"

Seu rosto se contorceu de desprezo.

Kaden permaneceu imóvel.

Depois suspirou.

Esperava por isso.

Este é Fokay. Um mundo governado por força, linhagem e crueldade. Darklore era distorcido—mas Fokay? Era ainda mais frio. Ainda pior.

Kaden podia ser cruel.

Mas não o suficiente.

Ainda havia uma parte suave nele.

Não que ele a odiasse. Gostava dessa parte de si—a que lembrava da humanidade.

Porém, se essa parte atrapalhasse sua sobrevivência?

Ele poderia silenciá-la facilmente.

Sua sobrancelha se ergueu ao puxar outro artefato. Um artefato roubado de Roma.

Uma pequena esfera metálica.

Um artefato gravador.

De nível raro.

No instante em que Sora o viu, seus instintos gritaram.

E, como era de se esperar—

"Seu canto é lindo, Princesa…" Kaden falou suavemente.

Soraona coração pulou.

Seu rosto ficou pálido. Seus olhos se arregalaram de horror.

'Não. Pode ser…'

Kaden se inclinou um pouco, quase num sussurro.

"Que tal eu compartilhar essa linda canção com os guardas lá embaixo?"

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