Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 44

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Depois da fuga de Kaden, tudo parecia igual lá dentro da Floresta do Sol Eterno.

Os guardas estavam fazendo suas tarefas como sempre. A floresta ainda ardia de forma furiosa. O céu continuava a brilhar naquela tonalidade amaldiçoada de dourado, e o castelo permanecia intacto—radiante, eterno, imutável.

Vendo de fora, você acharia que a presença de Kaden não tinha impactado nem uma coisa sequer.

Mas tinha sim.

Porque havia duas pessoas cujas vidas tinham sido indiscutivelmente transformadas.

Rome, porque depois do que aconteceu, ele agora tinha uma dorzinha de cabeça ao perceber o quão fraco realmente era, e o quão perigoso este mundo poderia ser. Algo que ele já sabia, claro.

Mas há uma diferença entre ouvir falar algo e vivê-lo de verdade.

Há uma diferença entre saber… e compreender.

E agora Rome havia entendido.

E, pelo bem do seu irmão mais novo—e por si mesmo—

Rome jurou se tornar mais forte.

Quanto a Kaden?

"Quem de novo?"

Rome não sabia. Ou talvez ele simplesmente se recusasse a admitir.

Mas ele não foi o único afetado por Kaden.

Também havia Sora.

A vida toda de Sora girava em torno de disciplina e monotonia. Uma vida regida por treinamentos, política, obrigações. A única alegria que lhe restava era seu segredo—o canto. Escondido atrás de paredes douradas, protegido na sombra que ela mesma criara.

Mas agora alguém tinha visto.

Alguém ousou testemunhar.

Pior—ele tinha tocado nela. Amarrado. Chantageado. E o pior…saiu de lá de forma covarde.

E ela não podia nem falar a respeito.

Porque ele poderia ter gravado tudo.

Esse pensamento a incendiou por dentro.

Ela não podia permitir que ninguém soubesse esse segredo.

Ele tinha que ser silenciado.

"Ele tem que morrer, ou…", sussurrou Sora, deixando as palavras pela metade, com seus olhos dourados ardendo como fogo solar.

Mas primeiro…

Ela deu um passo em direção ao portal de teleporte.

Ela já tinha definido o destino dele.

"É hora de fazer a Missão Evolução."

Porque antes de tudo, ela iria avançar e alcançar o Rank Intermediário.

E então…

"Vou te encontrar, seu bastardos de olhos vermelhos."

WSHHH—!

Sora desapareceu.

Sumiu do castelo dourado e voltou ao coração do Império Celestial.

BAAM—!

Kaden caiu pesadamente no chão.

Uma onda de poeira explodiu ao seu redor enquanto ele aterrissava de forma desajeitada no meio do nada.

"Ah… droga," murmurou, deitando ali sem nem sequer tentar se mover.

Estava exausto—fisicamente, mentalmente, emocionalmente.

Estava a um passo de ser capturado. Da morte.

E o fato de ter acabado de chantagear uma princesa?

"Ela com certeza vai vir atrás de mim," suspirou Kaden, olhando para o céu azul com o sol quente e amarelo normal.

Um sol comum.

Com tão pouco tempo ao lado dela, ele já tinha entendido—Sora era do tipo que nunca aceita perder. Arrogante, mimada, com orgulho demais para se esquecer.

"Ah… que saco," sussurrou. "Primeira fase em Fokay e já consegui transformar a princesa da maldita Imprensa Celestial na minha inimiga. Deve ser amaldiçoado."

Mas antes que pudesse reclamar mais—

[DING! Missão Concluída.]

[Você escapou com sucesso de uma zona altamente perigosa pertencente ao Império Celestial sem ser pego. Apenas duas pessoas estão cientes de sua presença.]

[Você usou inteligência. Você usou poder. Você foi decisivo e eficiente. Comprovou que é digno do título de Filho do Sangue—mas mais do que isso, demonstrou humanidade.]

[Foi… magnífico.]

[Parabéns. Recompensa: Moedas da Morte +1.000 | Pontos de Atributo +1,00]

Sorriso suave se espalhou pelo rosto de Kaden.

Não há nada parecido a essa sensação—quando o sistema mesmo reconhece seu esforço. Quando todo risco, toda decisão insana, compensa.

E mais do que a recompensa, era a validação.

A sensação de estar fazendo algo certo.

"Essa sessão de elogios pode se tornar minha coisa favorita, Morte," murmurou Kaden para si mesmo.

[Você deve.]

Kaden deu uma risada de novo, mas assim que abriu a boca, sua percepção se intensificou.

Ruído.

Movimento.

Ele piscou, finalmente forçando-se a olhar ao redor.

Estava em uma floresta.

Mas diferente da última, essa parecia normal—árvores verdes, galhos folhosos, solo macio.

Básico.

Mas o que não era básico?

Ele tinha sido deixado bem no meio dela.

E agora as bestas tinham percebido seu cheiro.

Eram elas que vinham.

"Claro," murmurou Kaden enquanto se levantava lentamente, escovando a sujeira de suas roupas.

"Claro que você faria uma coisa dessas, Princesa."

Ele puxou o pano do rosto, revelando suas feições afiadas e pálidas.

Depois estendeu a mão direita—e num raio vermelho, Reditha apareceu.

Assim que ela tocou sua palma, uma emoção invadiu a conexão.

Raiva.

Solidão.

Tristeza.

Kaden sorriu amargamente. "Eu sei. Tenho estado tão ocupado esses últimos dias, nem tive tempo de falar com você direito."

Ele olhou ao redor.

As feras tinham chegado.

Doces dezenas delas.

Aranhas cinzentas, minúsculas, com olhos nojentos. Lobos de floresta com presas encharcadas de saliva. Goblins de pele verde segurando lâminas enferrujadas.

Todas ameaças comuns, que você encontra em qualquer lugar.

Já são inimigos familiares.

E, portanto, presas previsíveis.

Kaden sorriu de canto.

"Como desculpa, que tal a gente eliminar todos eles juntos, Reditha?"

"Só você e eu."

"Sem Skills de Sangue. Sem artes de movimento."

"Só com espada."

Reditha brilhou.

Uma pulsação profunda, sangue, de empolgação e concordância.

Kaden sorriu. 'Que espada fácil.'

Ele a levantou lentamente, deixando a luz dançar na lâmina.

"Devo agradecer à Princesa por isso, honestamente. Um monte de sacos de pancada bem na hora que preciso desestressar."

"RAAAAH!"

"KEKEKRR!!"

As feras rugiram e carregaram, os olhos faiscando, fome escorrendo de suas bocas como ácido.

O sorriso de Kaden se alargou.

"Reditha…"

Sussurrou, sua voz calma, firme.

"…vamos matar."

Num golpe certeiro, decapitou o primeiro lobo. A lâmina cortou carne e osso como se fosse papel.

Outro goblin avançou por trás.

Kaden fez um movimento lateral, ágil e fluido, deixando o idiota tropeçar na própria inércia. Antes que o goblin entendesse o que tinha acontecido, sua cabeça já rolava pelo chão.

Nenhum Skills de Sangue.

Nenhum traço de habilidade.

Sem Passos Lentos.

Apenas ele. Apenas Reditha.

Espadaria em sua forma mais pura.

Movimentou-se de forma mínima. Eficiente.

Cada passo era um golpe ou uma esquiva. Sem movimentos inúteis. Sem firulas.

Cada golpe na direção do pescoço.

Cada golpe acertando.

E com seus atributos de força e agilidade, nada sobrevivia a mais de um golpe. Nem essas bestas despertadas no nível.

Em menos de um minuto, a clareira ficou pintada de sangue.

O ar cheirava a morte.

E Kaden?

Ele ficou no centro, expressão calma e neutra, a lâmina manchada com várias cores de sangue.

—Fim do Capítulo 44—

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