Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 33

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Passou um dia desde aquela reunião — um dia inteiro em que Kaden não fez mais nada além de se preparar para sua entrada em Fokay, porque finalmente…

Ele iria entrar hoje.

Não porque estivesse particularmente ansioso para ir agora — se fosse por ele, teria esperado mais uma semana, treinado mais, afinado cada detalhe, aprofundado suas bases até que ninguém pudesse tocá-lo.

Mas, segundo seu querido pai…

"Você já está de saco cheio de moleza. Melhor você entrar em Fokay amanhã e se fortalecer."

Kaden cruzou a língua ao se lembrar dessas palavras.

'De moleza? Sério?' ele murmurou, irritado. 'Treinei sem parar por cinco anos. Cinco porra de anos. Como pode isso ser moleza?'

Só ele realmente sabia quanto havia investido para dominar apenas duas técnicas básicas — duas bases que ele aprofundou até se tornarem parte de seus ossos, até que se tornassem instintivas, que se moviam pelo corpo como sangue pelas veias.

Porque, sejamos honestos — cinco anos treinando somente técnicas básicas?

Ele pegou essas técnicas e as aprimorou, transformando-as em armas muito além de sua finalidade original. Podia executá-las com a mesma facilidade de respirar.

Mas ele também sabia de mais uma coisa.

Ainda eram técnicas básicas. Fundamentos. Uma pedra fundamental.

Em breve, precisaria criar algo seu.

Felizmente, ele não estava em desvantagem — tinha a Reditha, e tinha suas habilidades sanguíneas. E, enquanto esses pensamentos passavam por sua mente, Reditha, repousando silenciosa sobre seu colo, vibrava com um suave brilho carmesim, como se respondesse ao seu pensamento.

Ele sorriu levemente para ela.

Depois, levantou-se.

Vestiu seu macacão de treino preto e seguiu rumo ao campo de treinamento dos Guerreiros da Guerra.

Porque, antes de entrar em Fokay, sua irmã, com toda sua esperteza, achou que seria justo dar um desafio — para ver se ele de fato estava pronto.

Kaden sorriu de lado, debochado.

'Vai doer pra porra…'


Dentro do maior campo de treinamento dos Guerreiros da Guerra, Kaden e Daela ficaram de frente um para o outro, no interior da arena. Ambos vestidos com uniformes de combate assustadoramente semelhantes.

Claro que não era coincidência.

Daela tinha se certificada de que o irmão pequeno vestisse equipamento igual ao dela. Porque ela era exatamente esse tipo de irmã mais velha.

Fofo, né?

Mas esse não era o ponto. Porque, neste instante, Daela estava presa numa tempestade de pensamentos internos.

'Devo ir com calma? …Não, se fizer isso, ele pode ficar arrogante demais e morrer em Fokay.'

'Então, vou com força total? Não… isso pode quebrar a confiança dele antes mesmo de começar.'

'Então… tenho que chegar mais ou menos no meio termo?'

Mas isso era complicado. Daela não era conhecida por saber segurar suas forças.

No entanto, ela olhava para o irmão com seus olhos imperturbáveis, enquanto por dentro transbordava amor, e, na sua cabeça, ela tomava uma decisão com aquela sua voz doce e interior —

'Vai ser assim!'

Uma espécie de declaração interior que, se Kaden tivesse escutado, faria com que ele beijasse a testa dela por quão adorável ela era.

Porém, infelizmente — ou felizmente — ele não ouviu.

"Podem começar o duelo", a voz de Sarena ecoou pelos campos de treinamento, calma, mas firme. Ela e Garros estavam na beira da arena, observando atentamente.

Na hora exata em que a ordem foi dada, duas espadas prateadas surgiram nas mãos de Daela. Assim que ela as segurou, algo mudou no ar.

Arrepiou-se até a espinha de Kaden. Seus olhos se arregalaram.

Sem pensar duas vezes, ele tentou invocar Reditha —

Mas não foi rápido o suficiente.

Daela já estava ali.

"Que porra—!" Kaden nem teve tempo de terminar, pois Daela atacou com precisão assustadora.

"Muralha de Sangue!"

A voz dele soou a tempo, enquanto uma espessa muralha de sangue surgia na frente dele, interceptando o golpe.

ESCLANG—!

O impacto ecoou no ar enquanto Kaden recuava, afastando-se dela, respirando firme e calmo.

"Ugh…"

"Reditha, vamos—"

Corte —!

Kaden congelou no meio do comando.

Seus olhos desceram lentamente até o peito, onde uma ferida fresca jorrava sangue. Uma linha vermelha e limpa atravessava seus ossos-ribs.

Um corte?

'Quando…?' pensou, seu olhar desviando para Daela — que não se movera. Nem desde seu primeiro ataque. 'Então, como…?'

Mas não havia tempo para pensar.

Num movimento ágil, Daela avançou novamente — suas espadas gêmeas brilhando com luz prateada, cortando o ar com uma graça inacreditável. Seus golpes pareciam uma dança. Elegantes. Quase bonitas.

Porém, mortais.

Kaden não se deixou iludir desta vez. Seus olhos vermelhos de sangue focaram, enquanto armas forjadas de sangue, de várias formas e tamanhos, surgiam ao seu redor, formando um escudo giratório.

Os ataques de Daela vieram — impiedosos, certeiros, rápidos. Ela acertou dezenas de vezes de todos os lados. Era rápida demais. Seus movimentos deixavam apósimagens.

Mas—

"Explosão de Sangue", a voz de Kaden soou, baixa e gelada.

Uma tempestade de vermelho explodiu ao seu redor, enquanto a barreira se transformava numa violenta onda de força, absorvendo cada golpe que Daela havia dado.

BOOOM!

A onda de choque sacudiu a arena, levantando poeira e nublado tudo —

Porém, Kaden nem precisou ver.

Com sua alta percepção, já sentia onde ela estava. E naquele instante, ele se moveu.

Assumiu sua pose.

Um golpe. Uma vitória.

Esse era o nome da técnica.

Porém, desta vez, ela não tinha a intenção de matar — e, sem a vontade de consumar, a técnica perdeu sua força.

O que não fazia diferença.

Porque antes que pudesse terminar seu movimento—

"Arghhh—!"

Dor explodiu por todo seu corpo.

Kaden cambaleou para trás, com os olhos arregalados, enquanto dezenas de cortes finíssimos surgiam por todo seu corpo — sangue escorrendo livremente do peito, braços, pernas.

Ele pigarreou, forçando-se a recuar. Daela ficou silenciosa, expressão indecifrável.

Pude sentir, pensou, sua percepção se ajustando. Na primeira vez, achou que era alguma sorte. Na segunda, confirmou.

Ambos os golpes seguiram exatamente o trajeto das primeiras investidas dela.

Somente que agora… com atraso.

Invisível.

Justamente como—

"Eco…?" ele murmurou em voz alta.

E, pela primeira vez, os olhos de Daela se arregalaram.

Uma reação.

"Ele realmente conseguiu descobrir a técnica de origem da Daela com apenas dois golpes?" Sarena perguntou, chocada.

"HAHAHAHA! É meu filho!", Garros riu alto, embora também estivesse surpreso.

O que nenhum deles percebeu foi que a percepção de Kaden era extraordinariamente alta para alguém do nível dele — e Daela, embora atacasse rápido, havia deixado espaço suficiente para ele juntar as peças.

Ela quis que ele pensasse.

Essa foi sua compaixão.

Kaden sorriu ao encarar os olhos dela. Agora sabia. Cada golpe dela deixava um eco — uma cópia invisível, com pequeno atraso, que atingia com força total após um curto intervalo.

Então…

Só preciso prever o tempo… e bloquear o eco.

O sorriso de Kaden se alargou.

"Vamos lá, irmã. Hora de terminar isso."

Era um sorriso lindo.

Mas, para Daela, parecia um pouco demais confiante.

Então—

BOOOMMM!

BAAAMMMM!

No instante em que ela avançou, mais rápido do que nunca, não foi pela finesse.

Ela acertou a empunhadura da espada direto na testa de Kaden, com força suficiente para derrubá-lo de vez —

Kaden caiu com um baque forte.

Daela o encarou, depois piscou, confusa.

"Ops…" ela murmurou, sem expressão, enquanto os olhares de seus pais a fulminavam.

Mais tarde naquela noite, Kaden estava na frente de seus pais e irmã.

Ele recuperara a consciência duas horas antes e passara o tempo se preparando silenciosamente.

Porque, como ele tinha dito —

Hoje era o dia.

"Cuida de você, meu querido," Sarena disse suavemente, passando os dedos pela bochecha dele.

Kaden sorriu e assentiu. "Vais ver, mãe."

"Kaden," disse Garros, desta vez com leveza, sem traços de brincadeira — só seriedade genuína.

"Você não poderá voltar até completar sua Primeira Missão de Evolução. Então, termine rápido… e volte pra gente."

Ele segurou o ombro de Kaden com firmeza, carregado de peso paterno.

Kaden deu de ombros. "Você não pode vir me visitar em Fokay?"

Os três balançaram a cabeça de imediato.

"Não fazemos ideia de onde você vai parar," disse Sarena, preocupada. "É aleatório. E já tiveram casos — jovens como você aparecem em zonas proibidas profundas logo na primeira entrada."

O coração de Kaden pulou na altura.

Porém, sua expressão não mudou.

Ele não queria preocupá-los.

Pelo contrário, sorriu com brilho intenso — talvez até demais.

"Hahaha! Não se preocupem, mãe, pai. Vou ficar bem. Só cuidem de vocês. E, como já avisei, fiquem atentos ao Cerveau. Não subestimem eles. Nem por um segundo."

Depois, virou-se para Daela.

Sorriu de lado.

"É melhor você estar pronta, irmã. Da próxima vez que te encontrar, sou eu quem vai te derrubar."

E antes que algum deles pudesse responder, antes que Daela pudesse entender o que ele acabara de dizer—

Kaden ativou a transferência.

Ele desapareceu.

Deixando para trás uma irmã sorridente.

No instante em que reapareceu, ele estava no escuro.

Uma interface dourada se acendeu na sua frente.

{Kaden Warborn, Filho do Sangue. Bem-vindo a Fokay.}

{Seu ponto de spawn foi definido.}

{Ponto de spawn: Covil de Morvul, o Inmóvel.}

Ao ler as palavras, o espaço ao seu redor mudou novamente.

E então—

Ele começou a cair.

Alto no ar, acima de uma caverna gigantesca. Um covil monstrento.

Ele olhou para baixo—

E seu coração pulou uma batida.

"Que porra…?"

ele murmurou em voz alta.

Erro fatal.

Porque a besta que repousava lá embaixo, um titã de criatura, abriu lentamente seus olhos negros profundos.

E, então—

Ela bufinou.

BOOOOOOMMMM!

O ar entrou em explosão.

E o corpo de Kaden explodiu no meio do ar, numa chuva de sangue.

'…Isso é uma loucura total', pensou enquanto o mundo escurecia ao seu redor.

[Você morreu.]

—Fim do Capítulo 33—

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