
Capítulo 34
Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!
Kaden se viu de volta naquela mesma escuridão misteriosa—consciência zonza, confusa, balançada.
"Como eu morri?" perguntou em voz alta, ainda tentando juntar as peças.
"Não me diga que foi por causa do espirro dele? Não é possível, né?"
Ele realmente não conseguia acreditar. Como assim, seu corpo inteiro explodiu só porque uma besta—não, algum dragão—derrregou um espirro?
Pausa.
"Dragão…?"
"Porra! Aquilo era um maldito dragão!" Kaden gritou assustado, a compreensão batendo nele como um trem de carga.
"Isso é insano. Pela primeira vez entrando em Fokay, e já encontro um dragão?!"
Qual era a chance? E pior?
Se não fosse pelo sistema dele, já tinha ido de verdade—agora mesmo, neste instante.
Ao pensar nisso, a expressão de Kaden mudou. Ficou silencioso. Sério.
Porque, por mais milagroso que fosse o sistema, não valeria de nada se ele acabasse sem as Moedas da Morte. Elas não eram infinitas. Cada revival tinha um custo—e, uma vez que essas moedas acabassem…
Ele estaria realmente morto.
Ele roeu a língua, de baixo para cima, de forma ríspida.
DING!
[Você morreu.]
[A partir de que momento deseja regressar?]
Kaden parou pra pensar.
A melhor opção era voltar antes de entrar em Fokay—esperando, rezando, implorando para que, desta vez, ele reaparecesse em outro lugar. Em um lugar sem um dragão adormecido.]
Então—
"Quero voltar exatamente antes de entrar em Fokay. Quanto vai custar isso?"
[500 pontos.]
Kaden piscou. "O quê? Metade das minhas moedas? Por quê? Nem fui tão para trás no tempo!"
[A força da entidade que te matou também influencia o custo. Quanto maior a diferença entre seu poder e o dela, mais Moedas da Morte serão necessárias.]
Kaden xingou baixinho, frustrado.
As coisas já estavam ficando irritantes.
Mas ele não argumentou mais.
"Tudo bem. Pode fazer."
Porque, na prática, não tinha muita escolha.
[DING! Confirmado.]
Então, finalmente, apareceu o aviso de recompensa—o que ele esperava ansioso.
[Você foi morto por Morvul, O Imóvel. Você obteve um fragmento de técnica.]
[Você adquiriu a técnica: Passos Preguiçosos (Nível Único).]
Kaden piscou—depois sorriu.
Seu primeiro fragmento de técnica. E considerando o pouco que tinha de habilidades, isso era uma vitória enorme.
"Me descreva."
[Passos Preguiçosos (Nível Único): Seus passos parecem lentos, relaxados, desleixados—mas quanto mais devagar você caminha, mais rápido fica. Movimento e imprevisibilidade se fundem em um só.]
Kaden piscou novamente. E então sorriu, mais suave desta vez.
"Gosto desse."
"Morte… me reviva."
O relógio negro reapareceu.
Tik—!
A escuridão envolveu seus sentidos—e a sombra o levou novamente.
…
"Seja cuidadosa, minha querida," disse Sarena, olhando para Kaden pela última vez com amor e carinho.
Kaden sorriu, então virou-se para o seu pai.
Desta vez, fez a pergunta que queimava dentro dele desde o momento em que morreu.
"Pai, qual é a chance de alguém aparecer numa zona proibida? Ou em algum lugar… totalmente mortal para um ser despertado?"
Garros inclinou a cabeça, pensando.
"Hmm… é muito, muito raro. Em todos os meus anos de vida, ouvi falar de poucos casos assim. Então diria que talvez… um em um milhão de pessoas tenha a má sorte de acabar assim."
Depois, sorriu brilhantemente.
"Mas não se preocupe! Somos Guerreiroros—sempre tivemos sorte do nosso lado."
Ele deu uma risada, tentando aliviar o clima.
Os lábios de Kaden tremeram, mas ele não dizia nada.
Simplesmente virou o olhar para frente.
Depois, sem perder tempo, desejou entrar novamente em Fokay.
Mas antes, virou-se para a irmã—com expressão arrogante, voz brincalhona.
"Prepare-se, irmã. Na próxima manhã, serei eu quem te derruba."
E com isso—
Ele desapareceu.
…
{Kaden Warborn, Filho do Sangue. Bem-vindo a Fokay.}
Tudo aconteceu novamente. A sensação. A interface. O espaço em mudança.
{Seu ponto de surgimento foi definido.}
Pausa.
{Ponto de surgimento: Igreja Quebrada da Santa Choreira.}
Alguns instantes depois, Kaden apareceu—desta vez, não numa caverna, nem no chão aberto—mas dentro do que parecia uma igreja em ruínas, destruída. Tudo aqui parecia antigo, ancestral, à beira do colapso. As paredes estavam rachadas, o teto semi desabado, o altar quebrado e inclinado.
Parecia que uma rajada de vento forte poderia fazer tudo desabar.
Porém, nem pensou em testar isso.
Não porque temesse a estrutura desabar.
Mas porque outra coisa já tinha roubado sua atenção.
Alguém estava na frente dele.
Não—algo.
'O que… é isso?' pensou Kaden, franzindo os olhos.
À primeira vista, parecia humano. Quase demais.
Não é feio. Não é deformado. Nem uma criatura grotesca costurada de monstros.
Não.
Ela era linda.
Tão linda que machucava de olhar.
Mas esse não era o problema.
O problema… eram as lágrimas.
Lágrimas vermelhas e negras corriam incessantemente por seu rosto, brilhando como sangue misturado ao vazio, escorrendo por uma pele perfeita, e ainda assim—algo nelas parecia errado.
Então ela sorriu ao olhar para Kaden.
E no momento em que fez isso, todo corpo de Kaden tremeu de medo—medo puro, instintivo, primal.
Ele nem percebeu que deu um passo para trás.
E isso—
Foi um erro.
"Você… também me abandona?" ela perguntou, a voz tremendo, as lágrimas correndo mais rápido agora.
"Não… não vá," ela implorou, avançando.
Kaden recuou novamente.
Não conseguiu evitar.
Algo profundo dentro dele—intestino, alma, sangue, tudo—revoltava.
Cada parte dele gritava que ele não deveria estar ali. Que não deveria olhar para ela.
Que não deveria ouvir.
"Por que… por que… POR QUE?" ela berrou—e seu rosto lindo se rasgou, tentáculos negros saíram onde tinha suas feições, torcendo e contorcendo como se fossem vivos.
Repulsivo. Alienígena. Vivo.
"Porra! Que merda é essa??" gritou Kaden, desesperado, enquanto um sentimento de pânico o dominava. Ele virou-se, correndo em direção às portas da igreja.
Mas mal deu dois passos.
As tentaferas no rosto dela se moveram com velocidade assustadora e se prenderam firmemente às suas pernas.
BAM!
A face de Kaden bateu no chão. Forte.
Ele apertou os dentes, os dedos cerrados enquanto Reditha surgia instantaneamente em sua mão—e, com um movimento rápido, cortou os tentáculos sem hesitar.
A screams que se seguiu—
CHRRR—!
Um grito bestial, de outro mundo, rasgou o ar enquanto uma onda de tentáculos negros atingia o corpo de Kaden lá de cima.
Seu crânio rachou.
A visão dele girou.
Seu corpo morreu.
[Você está morto.]
…
"Um em um milhão, né? Que droga…" murmurou Kaden, de pé na escuridão novamente.
Não acreditava nisso.
Morreu de novo. Só pra entrar naquela porra de Fokay.
Isto é loucura.
E só piorava—
[Vai custar 500 pontos para ressuscitar.]
Exato. Igual da última vez.
Era a última chance dele—a última oportunidade.
Ele tinha só mais uma tentativa antes de ficar de verdade morto. A próxima tinha que dar certo.
Ou ele caía em algum lugar onde pudesse sobreviver—ou nunca mais voltaria.
Kaden respirou fundo lentamente.
Seu coração acelerava. A tensão pulsando por sua pele.
Mas ele conseguiu manter o rosto impassível.
Pânico não resolve nada.
"Ahh…" suspirou, então assentiu.
"Vamos lá."
[Você foi morto pela Santa Choreira Sofrente. Você obteve um fragmento de atributo.]
[Atributo – Lágrimas Silenciosas: Você tem dificuldade em chorar facilmente. Mas, quando chorar… não parará até matar ou resolver a fonte do seu sofrimento. E, ao fazer isso, obterá as coisas mais preciosas deles.]
Kaden piscou. Depois sorriu torto.
"Parece que estou acumulando boas coisas na morte…"
[Quanto mais forte for seu inimigo, maior será a recompensa.]
Faz sentido.
Ele já suspeitava disso.
"Ressuscite-me, Morte."
O relógio negro apareceu novamente.
Tik—!
—Fim do Capítulo 34—