Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Capítulo 32

Me Matou? Agora o Seu Poder é Meu!

Kaden parou em frente à sua carruagem, pronto para retornar à residência dos Warborn.

Mas antes que pudesse abrir a porta, alguém já estava lá—inesperado, mas ao mesmo tempo… nada surpreendente.

Meris Elamin.

Kaden inclinou a cabeça levemente, com uma voz tranquila: "Precisa de alguma coisa?"

Meris sorriu de forma brilhante, quase demais. "Não tivemos tempo de conversar direito por causa daquele idiota do Nuke. Por isso, vim trazer uma proposta."

E, sem esperar por uma resposta, ela desapareceu do lugar numa bafafa de velocidade e reapareceu na sua frente, suavemente segurando sua mão.

"Quero te convidar para minha casa para uma pequena sessão de chá. Assim, teremos tempo de conversar e… criar conexão," ela acrescentou, a última palavra escapando com uma bochecha corada, tingida de um tom rosado pálido.

Isso teria parecido fofo—para qualquer outra pessoa que estivesse assistindo.

Mas para Kaden?

'Porra, que coisa assustadora. O que há de errado com essa menina?' pensou enquanto recuava instintivamente, colocando distância entre eles.

Porém, Meris não desistiu.

Ela o seguiu com o mesmo sorriso inocente e radiante.

"Você aceita? Ainda vou te mostrar nossa residência da família—vai adorar, juro!"

Ela estava persistente. Até insistente.

Kaden balançou a cabeça. "Desculpe. Não tenho tempo."

E, assim como ela, ele não esperou por uma resposta.

"Tenho que me preparar para o Fokay. Não posso me distrair. Mas se encontrarmos lá… aceitarei seu convite com prazer."

Disse tudo numa só respirada, ficando então em silêncio.

Meris ficou ali por um momento, antes de sorrir novamente. "Então, tenho sua palavra, Filha do Sangue?"

Kaden assentiu uma vez.

"Você tem."

Ela sorriu de orelha a orelha, virou-se para sua carruagem e se afastou. Ao subir, sua voz flutuou atrás dela como perfume.

"Vamos fazer isso inesquecível então."

Ela entrou na vespa. Pouco tempo depois, ela desapareceu na noite.

Deixando Kaden sozinho.

Ele suspirou baixinho, finalmente entrando na sua própria carruagem e derretendo-se preguiçosamente no assento. E, quase começando a refletir sobre tudo o que tinha acontecido naquela noite—

DING.

[Você completou a missão.]

[Você escolheu se afastar e não lutar enquanto sua noiva era humilhada.]

[Foi… decepcionante, para dizer o mínimo.]

[Você não agiu como um verdadeiro Warborn. Não como seu título, o Filho do Sangue.]

[Você não ganhou nada.]

[E também não receberá penalidades.]

Kaden olhou silenciosamente para as mensagens do sistema.

Sabia que poderia ter agido de outra forma—como seu pai faria. Interrompido, criando um escândalo.

Mas não o fez.

E não se arrependeu.

"Pais e Mães estavam certos", murmurou, com a voz suave, impassível pelo fato de a missão não lhe trazer nada.

Em vez disso, recostou-se com uma expressão pensativa.

"Então aquele cara tentou nos ler. Tentou ver o que nos provoca…"

Ele sorriu de leve.

"Não percebeu que, ao tentar ler alguém, você também deve estar pronto para ser lido na mesma moeda?"

Quase era divertido. Mas, ainda assim… cansativo.

Ter que atuar. Ter que medir suas respostas.

Sua expressão esvaziou-se, ficando fria e sem emoção.

"Ele deve querer algo—ou fazer algo conosco, se está disposto a chegar a esse ponto."

Não era surpresa que Kaden percebesse a manha do Nuke.

Ele viveu duas vidas. E na primeira, foi uma criança humilhada.

E o que uma criança humilhada aprende melhor?

Observação.

Ele precisava, se quisesse sobreviver. Precisava aprender a identificar quando os valentões estavam com raiva. Quando estavam relaxados. Quando desejavam crueldade. Quando falar e quando desaparecer.

Ele tinha que ler as pessoas. Cada tremor. Cada mudança de tom. Cada fome nos olhos.

Nuke era mais sutil, mais refinado na atuação.

Mas, no fim?

Ele era jovem. Inexperiente.

E—

"Ele escorregou."

Kaden murmurou as palavras para si mesmo.

"E isso já basta."

Porque agora entendido—Nuke queria algo. Ou prejudicar sua família, ou usá-los para algo maior.

De qualquer forma—

"Ele é um inimigo."

E isso era tudo que Kaden precisava saber.

Ele agiria de acordo.

Finalmente fechou os olhos, decidindo descansar a mente.

Logo, partiria para o Fokay.

E mal podia esperar.


Dentro da carruagem de Meris, ela não estava sozinha.

Sentada do lado oposto, havia uma mulher de uniforme de criada—olhos verdes belíssimos, cabelo castanho preso de forma cuidadosa.

Lari. A dama de honra pessoal de Meris.

E, neste momento, ela encarava sua jovem senhora com olhos confusos, quase preocupados.

Meris inclinou a cabeça levemente. "Por que está me olhando assim, Lari?" ela questionou, com a voz carregada de uma brincadeira travessa.

Lari hesitou. Depois, encontrou coragem para falar.

"Eu simplesmente não entendo por que… por que você agiu daquele jeito com o mais novo dos Warborn," disse cuidadosamente.

Meris sorriu, depois deu de ombros.

"Simples: eu gosto dele."

Isso era tudo.

Era tudo que podia dizer.

Porque, mesmo ela mesma, não sabia por que estava tão atraída por ele. Por que queria tanto conhecê-lo. Por que sentia aquele estranho impulso em relação a ele.

A voz de Lari veio novamente, mais suave desta vez—com preocupação em cada palavra.

"Minha senhora… ele já tem uma noiva. Rea Thornspire. E você bem sabe como os Warborn—uma vez que escolhem, não se desviam. Seus homens têm apenas uma mulher. Sempre foi assim. Um laço. Um parceiro. Desde a infância."

Era um aviso. Uma sugestão sutil para parar.

Mas, assim que o nome de Rea saiu da boca de Lari, tudo mudou.

O rosto de Meris escureceu de repente.

A temperatura na carruagem caiu bruscamente. Geada apareceu nas janelas. O ar ficou cortante.

"Não diga o nome dela de novo, Lari."

Sua voz saiu baixa, fria. Perigosa.

Seus olhos prateados deixaram de ser brincalhões. Tornaram-se letais.

O coração de Lari pulou uma batida.

Ela não esperava uma reação tão violenta.

"Não me importa se ele tem uma noiva," continuou Meris, com tom frio como aço. "Se eu, Meris Elamin, colocar meus olhos em alguém—"

Seus olhos brilharam levemente, com uma luz estranha se curvando ao seu redor.

"Então eu terei essa pessoa. Não importa o quê. E Kaden Warborn… eu quero ele."

Simples.

Direto.

Obessivo.

Por quê? Ela não sabia.

Mas havia decidido.

Ela o teria.

Com doçura, se preciso fosse.

Ou—

"Com força."

Então veio o sorriso.

Amplo. Distorcido. Desvairado.

Um sorriso capaz de fazer um homem maduro tremer.

"Você me entende, Lari?"

Uma longa pausa.

"…Sim, minha senhora," Lari respondeu, com a voz um pouco trêmula.

Naquele dia, Lari viu um lado de Meris que nunca tinha percebido antes.

Uma face… assustadora.

E, naquele momento, ela se viu—contra sua vontade—sentindo pena de Kaden.

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